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As notícias. É o Jornal das 10 da Rádio Observador, edição de Martim Madeira e começamos na política nacional. O Chega recebeu luz verde do presidente da Assembleia da República para agendar a reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade.

Um diploma que foi chumbado pelo Tribunal Constitucional, que tinha sido aprovado por todos os partidos da direita, o PSD, o Chega, a Iniciativa Liberal e também o CDS, mas segundo o partido liderado por André Ventura, José Pedro Aguiar Branco enviou um despacho na passada sexta-feira a permitir o agendamento do debate sobre a reapreciação do decreto, que cria a pena acessória de perda da nacionalidade e que quer também alterar o Código Penal. E isto tudo poderá ser feito na próxima reunião da Conferência de Líderes. Logo no dia em que este decreto foi considerado inconstitucional pelo tribunal, o presidente do Chega desafiou a maioria da direita a confirmá-lo no Parlamento, mas PSD e Iniciativa Liberal recusaram seguir esse caminho de uma rutura institucional com o Palácio Ratton. André Ventura afirmou que a decisão pela inconstitucionalidade do decreto apresentou uma derrota e disse ter visto o acórdão do Tribunal Constitucional com total estupefação. O tema vai agora novamente ser discutido na Assembleia da República.

E o secretário-geral do PCP acusa o governo de querer apertar a vida dos mais pobres com a criação da Prestação Social Única.

Isto porque, não sei se se lembram, o governo aprovou na sexta-feira um novo sistema de atribuição de prestações sociais, a Prestação Social Única, que abrange 13 apoios sociais não contributivos e cujos beneficiários poderão ter de fazer até 15 horas de trabalho social por semana. Num discurso na Assembleia da Organização Regional de Évora, Paulo Raimundo afirma que esta proposta do governo reflete uma falta de coragem para enfrentar os poderosos. O dirigente do PCP acusa ainda o governo de ser cúmplice da fuga de impostos e do assalto aos recursos públicos. Declarações de Paulo Raimundo num discurso na Assembleia da Organização Regional de Évora.

E vamos agora ao estado das filas nos aeroportos. A PSP deu um ponto de situação sobre o controle dos aeroportos nacionais até às 15h de hoje.

Através de um comunicado, a Polícia de Segurança Pública revela que fez até às 15h o controle fronteiriço de cerca de 52 mil passageiros e aplicou 16 medidas cautelares para diminuir as filas para cumprir com as regras do espaço Schengen. De acordo com os números da PSP, foram realizadas 56 interseções, isto é, interseções que apenas ocorrem quando os agentes verificam os documentos ou apuram a legalidade do passageiro no país. Quanto a tempos de espera, no Aeroporto Humberto Delgado, até às 15h, a espera foi de 32 minutos nas chegadas e de 14 minutos nas partidas. Já no Sá Carneiro, no Porto, as chegadas tiveram quase uma hora de espera e as partidas cerca de meia hora. Em Faro, no Aeroporto Gago Coutinho, os passageiros esperaram cerca de 30 minutos nas chegadas e 35 nas partidas. A PSP explica ainda que para diminuir as filas de espera dos passageiros fora do espaço Schengen, foi decidido um reforço de meios humanos e técnicos e controle de fronteiras no Aeroporto Humberto Delgado, que entrou em funcionamento na passada sexta-feira.

E hoje, Martim, dois incêndios deflagraram, com pelo menos um deles já controlado.

Um fogo na região do Porto, numa zona de mato em Valongo, que mobiliza mais de 160 bombeiros, 48 veículos e dois meios aéreos. O incêndio continua com duas frentes ativas. Contactámos o Comando Sub-regional da Área Metropolitana do Porto, da Proteção Civil, que nos garante que, por agora, tudo se mantém na mesma. Não há nem estradas cortadas, nem casas ameaçadas e o fogo continua com as duas frentes ativas. Já o outro incêndio no Algarve, em Alcoutim, está em resolução, já está finalizado, acabou, foi apagado. Em entrevista ao Observador, o comandante sub-regional da zona do Algarve, Rui Fernandes, faz-nos um rescaldo da situação e explica os meios que foram usados para combater este fogo. Vamos então ouvir as declarações de Rui Fernandes.

Neste momento, o incêndio está dominado. Estão 119 operacionais apoiados por 35 meios técnicos. E neste momento, já só estão apenas três meios aéreos. Neste momento ainda há chama, ainda há chama dentro do perímetro do incêndio. Portanto, o incêndio encontra-se dominado. Não há casas na área de influência do incêndio, não existiam habitações, nem pontos sensíveis.

Aqui as declarações de Rui Fernandes, comandante sub-regional da zona do Algarve, a garantir que o incêndio em Alcoutim já está finalizado.

E o infecciologista Fernando Maltez explica que as novas diretrizes da DGS para o vírus Ebola são normais e servem apenas de prevenção.

Isto porque a DGS atualizou os procedimentos hospitalares para casos suspeitos de Ebola, indicou hospitais de referência para possíveis casos do vírus, como o Carri Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto. O infecciologista Fernando Maltez diz que a nota publicada hoje pela DGS serve mais para haver uma maior preparação dos hospitais.

O alerta tem fundamentalmente o objetivo destes centros estarem preparados no que diz respeito a recursos humanos, no que diz respeito a recursos técnicos, a fazerem treinos na utilização de equipamentos de proteção individual. Estamos a lidar com uma doença para a qual não existe terapêutica eficaz, para a qual não existe tema vacinal eficaz, e portanto, temos que tomar medidas de suporte e medidas de isolamento adequadas. Portanto, as normas da Direção-Geral de Saúde são também uma chamada de atenção para essa necessidade.

Em entrevista esta tarde aqui na Rádio Observador, Fernando Maltez, infectologista, descarta também que a Ebola se torne numa pandemia.

O risco de uma pandemia à escala global, a pandemia é sempre uma coisa à escala global, é mínimo. O risco de chegarem cá casos, eu diria que é muito pequeno. Mas de facto, isto obriga que nós estejamos também preparados nos nossos locais de trabalho e nos nossos países, a termos a preparação necessária para a eventualidade de virmos a receber algum caso.

O infectologista Fernando Maltez aqui na Rádio Observador. A nota divulgada hoje pela Direção Geral de Saúde dá conta também de sintomas aos quais a população deve estar atenta, caso tenha estado em áreas com circulação deste vírus. E para estarem atentos, são: febre acima dos 38 graus, vômitos, diarreia, dor abdominal e também hemorragias.

E agora na atualidade internacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã diz que até as negociações finalizarem, tudo o resto é especulação.

Afirmações de Abbas Araghchi, à agência de notícias iraniana IRNA, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano que o diálogo e as trocas de mensagens entre os países estão, de facto, a acontecer. Explica, no entanto, que ainda não é possível julgar nada até que se chegue a uma conclusão clara. Diz que, por agora, a especulação criada não deve ser tomada de forma séria. Relembrar que Donald Trump, durante o dia de hoje, disse que um acordo estava cada vez mais perto.

E os jogadores do PSG foram hoje recebidos nos Campos Elísios pelo presidente Emmanuel Macron, mas ontem foi uma noite de muitos desacatos em França.

Um tema que foi abordado por Emmanuel Macron, que considera estes episódios, que eram para ser de celebração, como profundamente inaceitáveis. Ouvimos então as declarações do presidente francês.

Dezenas de episódios violentos inaceitáveis em Paris e em outras cidades ocorreram durante uma boa parte da noite. Eu quero agradecer ao ministro do Interior, à polícia e a toda a equipe que se mobilizou em Paris e em muitas cidades contra o que é inqualificável. Eu quero agradecer a todas as forças de segurança. É evidente que as pessoas que foram afetadas, as vítimas, as pessoas que foram magoadas, isso não é futebol, isso não é desporto.

Relembrar que durante esta madrugada um homem morreu ao chocar com uma moto em blocos de betão colocados pela polícia a propósito destes festejos. A vítima era um jovem na casa dos 20 anos. A Procuradoria de Paris acrescenta que um outro jovem, também no âmbito das celebrações, foi esfaqueado com gravidade. É um dos oito feridos graves, dos mais de 200 que resultaram das celebrações de ontem à noite. No que toca a detenções, a polícia francesa realizou 300 só em Paris, 800 em todo o território gaulês, um aumento de mais de 30% face às detenções feitas no ano passado, igualmente nos festejos do PSG, quando também venceu a Liga dos Campeões. O ministro francês do Interior, Laurent Nunez, considera que a situação em geral esteve controlada e expressou gratidão pela atuação da polícia sempre que houve distúrbios. O PSG, é bicampeão europeu, conquistou ontem a Liga dos Campeões nas grandes penalidades frente ao Arsenal e ainda estão a fazer festa no Estádio do Parque dos Príncipes. Rita, não sei se alguma vez pensaste em ver Donald Trump como cabeça de cartaz para um festival.

Vindo dele, nada me surpreende, na verdade.

Pois, trata-se do Great American State Fair, um festival de comemoração dos 250 anos de história dos Estados Unidos. Vai ter lugar no National Mall nos dias 25 e 26 do próximo mês. E eu sei que ainda é um pouco cedo, tendo em conta o aniversário, que é no dia 4 de julho, mas vai acontecer.

Mas por que o Donald Trump vai ser o cabeça de cartaz?

Olha, porque a maior parte dos artistas que iam atuar no festival cancelaram. Depois de saberem que a organização que os contratou, a Freedom 250, na realidade era uma organização criada pela administração Trump para celebrar os 250 anos dos Estados Unidos, disseram que não sabiam que o festival estava associado ao presidente norte-americano e por isso saltaram todos fora. A organização já confirmou que o artista que vai abrir o festival vai ser mesmo Donald Trump.

Bom, mas ele pode até inventar nomes de bandas, por exemplo, Trump and Roses.

Olha, Trump and One Pilot.

Trump Against the Machine.

Trump in Park.

Trump e Pontapés.

Trump Off a Down, não sei.

Assim por exemplo.

Sim, pode nos surpreender com um solo de guitarra, quem sabe?

Nunca se sabe. Assim fechamos o jornal das 10, edição do jornalista Martim Madeira.