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As notícias com Laura Figueiredo. Bom dia. Começamos pelo Médio Oriente. Estados Unidos e Israel têm soluções diferentes para o futuro do Irão. Isso mesmo ficou claro num telefonema tenso entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Nova proposta de paz para o Irão desencadeou opiniões divergentes entre Washington e Tel Aviv. De um lado, Donald Trump hesita em continuar a usar a força e insiste em chegar a um acordo, embora não descarte novos ataques caso não consiga o que pretende. De outro lado, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, está ceticista em relação às negociações e prefere retomar os ataques contra o Irão. Imprensa internacional afirma que Trump e Netanyahu tiveram ontem um telefonema de cerca de uma hora, onde deixaram claro as visões diferentes para Teerão. O jornal norte-americano Axios afirma que o presidente norte-americano disse ao primeiro-ministro israelita que os mediadores estão a trabalhar numa carta de intenções, que tanto os Estados Unidos quanto o Irão deverão assinar para encerrar formalmente a guerra e para começar um período de 30 dias de negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano e a abertura do Estreito de Ormuz. O mesmo jornal cita fontes que dizem que o primeiro-ministro israelita terminou este telefonema furioso. Apesar disto, Donald Trump admite que as negociações com o Irão estão no limite. O presidente norte-americano garante que os Estados Unidos estão prontos para retomar os ataques. Ainda assim, mantém-se otimista em relação a um acordo.

"Está mesmo no limite, acreditem. Se não tivermos as respostas certas, tudo se passará muito depressa. Estamos prontos a avançar. Temos de conseguir as respostas certas. Teriam de ser respostas 100% corretas e se o fizermos, poupamos muito tempo, energia e, sobretudo, vidas. Mais importante ainda, estamos a lidar com algumas pessoas e, na verdade, devo dizer, estamos a lidar com pessoas muito boas. Estamos a lidar com pessoas que são, penso eu, muito mais razoáveis do que aquelas que já não estão conosco e estamos bastante impressionados com isso. Esperamos, por isso, que se chegue a um acordo que seja ótimo para todos".

Donald Trump, ao embarcar no Air Force One, em Maryland, nos Estados Unidos. Entretanto, o Irão afirma que está a examinar a proposta de paz norte-americana. É o que dá conta o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, citado pela CBS. Henrique Gouveia Melo diz que a Europa vai ter de intervir no Estreito de Ormuz para evitar um cenário pior. Em entrevista à CNN, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada considera que não se pode abrir o precedente de deixar um país dominar uma passagem marítima.

Não havendo uma solução negocial, o mundo ocidental vai ter que forçar a abertura daquele estreito. De facto, nós vamos ser obrigados. Por mais que a gente não queira, nós vamos ser arrastados se este conflito se prolonga e se cria aquela situação, o mundo ocidental, a Europa, vai ser arrastada pelos Estados Unidos. E não é por causa do senhor Trump. É para evitar um futuro pior do que nós agora podemos imaginar nesta fase ainda.

Henrique Gouveia Melo acusa ainda os Estados Unidos de terem calculado mal os efeitos da guerra no Irão e de terem aberto uma caixa de Pandora que levou o regime de Teerão a querer controlar o estreito de Ormuz. Falamos agora sobre o caso dos ativistas maltratados pelo governo israelita. Luís Montenegro defende uma suspensão parcial do acordo com Israel. É uma decisão a tomar no âmbito da União Europeia, em reação a um vídeo colocado pelo ministro israelita da Segurança Nacional, Ben-Gvir, que mostra os ativistas ajoelhados com as mãos amarradas depois de terem sido intercetados em águas internacionais. O primeiro-ministro português fala numa situação inaceitável.

A situação é uma situação absolutamente inaceitável. Relativamente às discussões que temos no âmbito da União Europeia, Portugal já tem manifestado a sua disponibilidade para uma suspensão parcial do acordo com Israel e veremos nos próximos encontros se há alguma evolução nesse domínio.

Antes, também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, classificou como intolerável e humilhante o comportamento do ministro israelita, além de dizer ser uma violação da dignidade humana. Condenação ao comportamento israelita chega também de Espanha. O primeiro-ministro Pedro Sánchez pede que Bruxelas proíba a entrada do ministro Ben-Gvir na União Europeia. É um dos líderes europeus a criticar de forma firme a ação israelita no tratamento dos ativistas da flotilha humanitária. Pedro Sánchez afirma que não devem ser tolerados maus-tratos aos cidadãos. Já o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros vai mais longe e exige um pedido de desculpas público por parte de Israel.

Insisto, esse tratamento é monstruoso, é indigno, é inumano. Exijo desculpas públicas a Israel. Convoquei urgentemente ao Ministério das Relações Exteriores a encarregada de negócios de Israel para trasladar-lhe todo o nosso repúdio, toda a nossa repulsa e toda a nossa repugnância por esse trato absolutamente abominável e inaceitável.

José Manuel Albares, ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, num vídeo publicado na rede social X. O ministro Ben-Gvir foi alvo já de críticas de vários países europeus, mas também fora da Europa: Canadá, Países Baixos, França, Itália, Alemanha, Chipre, entre outros, repudiam o vídeo publicado. Os embaixadores israelitas estão a ser chamados para prestar explicações. Entretanto, o ministro israelita Ben-Gvir levou também já uma reprimenda do próprio primeiro-ministro de Israel. Benjamin Netanyahu assegura que a forma de atuação do ministro foge aos valores e normas do país, ainda que defenda a detenção dos ativistas. Falamos agora da Covid-19. A Direção-Geral da Saúde garante que continua a fazer uma vigilância contínua e integrada. Nas últimas semanas, não houve registro de casos de infecção. A DGS fala numa tendência estável dos números e sublinha que a mortalidade também está em níveis reduzidos. O surgimento de um surto de hantavírus num navio cruzeiro levantou receios de uma possível nova pandemia, apesar de a Organização Mundial da Saúde afastar essa possibilidade. Neste contexto, a Rádio Observador procurou fazer um ponto de situação da Covid-19 em Portugal, seis anos depois das primeiras infecções. Este é o tema do "Onde Para o Caso" desta semana. A DGS continua a publicar boletins todas as semanas e de acordo com as mais recentes informações das autoridades de saúde, a tendência é pra uma estabilização dos números. Miguel Pina Andrade.

Os números mostram que Portugal tem registrado uma atividade reduzida da Covid-19, com uma tendência estável do número de novos casos e mortalidade em níveis reduzidos. São estas as expressões utilizadas pela Direção-Geral da Saúde numa resposta oficial enviada à Rádio Observador. Nos relatórios das últimas semanas, não são reportados quaisquer casos de infecção por Covid-19, sendo que olhando para os números, conseguimos ver uma curva descendente da incidência, sobretudo desde dezembro de 2022. Nesta resposta enviada à Rádio Observador, a Direção-Geral da Saúde reforça que continua atenta à evolução da Covid-19 e também à circulação das variantes. Entre maio de 2025 e março deste ano, foram identificadas oito variantes e linhagens. A mais comum nos últimos tempos é a Ômicron BA 3.2. Destaque também para a vacinação. Durante a campanha sazonal de outono, foram vacinadas cerca de 1,3 milhão de pessoas. A meta da Direção-Geral da Saúde era de 1,5 milhão de vacinados. O número ficou ligeiramente abaixo. A DGS adianta que o balanço final da campanha vai ser apresentado publicamente em junho, à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores.

Miguel Pina Andrade com o ponto de situação da Covid-19 em Portugal. A DGS adianta à Rádio Observador que continua a atuar em colaboração com outras entidades de saúde, como o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Na análise, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes avisa que a Covid-19 continua a ser perigosa, mas explica que já todos temos uma imunidade que nos protege do vírus, sobretudo devido aos anticorpos gerados pela infecção e também graças às vacinas. Manuel diz que a possibilidade de reinfecção continua a existir como perigo, mas longe do que vivemos no passado.

O SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid, continua a ser um vírus perigoso. Agora o que acontece é que todos nós já fomos infectados, provavelmente até mais que uma vez, e muitos de nós foram vacinados, portanto, nós temos alguma memória imunológica pra nos proteger do vírus. Acontece, contudo, que como se recordam, os anticorpos que são gerados depois de sermos infectados por este vírus decaem à medida que o tempo passa. Portanto, ao fim de quatro, cinco meses, nós já não temos anticorpos que nos protejam da infecção, portanto, podemos voltar a ser reinfetados.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes sobre o perigo da Covid-19 nos dias de hoje, mais de seis anos depois do primeiro caso registrado em Portugal. Este é o tema do "Onde Para o Caso", um programa pra ouvir na íntegra na Tarde Política, depois do Jornal das Cinco. E no desporto, Roberto Martínez rejeita que o futuro enquanto selecionador nacional esteja dependente da prestação da equipe portuguesa no Mundial de Futebol. O técnico das Quinas considera que agora não é tempo de falar em continuidade. Em entrevista à RTP, o selecionador diz que o foco deve estar na competição.

O contrato do selecionador, depois do Mundial, a decisão será o que seja melhor para a seleção. Se estivesse preocupado com a minha posição, não era o selecionador certo. Falar do selecionador não é o importante. O importante é que a equipe ganhe, que a equipe jogue bem e que os números sejam bons e é isso que é o meu foco.

Nesta entrevista à RTP, Roberto Martínez foi ainda questionado sobre a presença de Samu Costa na convocatória. O selecionador nacional afirma que o médio tem garra, energia e diz que encaixa muito bem na seleção portuguesa. É o ponto final no Jornal das Seis, mas deixe-se ficar. Já a seguir temos conferência de imprensa na Rádio Observador.