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Graus na cidade, Viseu. Notícias às 19h na Rádio Observador, com o jornalista Luís Soares. E começamos com as eleições autárquicas. Ainda no rescaldo da noite eleitoral, PSD, PS e PCP reúnem-se hoje para analisar os resultados, isto num altura em que Luís Montenegro ganha força dentro do partido e José Luís Carneiro começa a ser pressionado.
A Comissão Permanente Nacional do PSD é a primeira a reunir-se, logo de manhã, num hotel em Lisboa, dois dias depois das eleições autárquicas que deram a vitória aos sociais-democratas. Este órgão integra o presidente do partido e os seis vice-presidentes, também o secretário-geral e ainda, como convidado, está o coordenador nacional autárquico. Durante a tarde, o Comitê Central do PCP também se reúne para analisar os resultados das eleições autárquicas, nas quais a CDU voltou a perder câmaras, passou de 19 para 12. Já a Comissão Política Nacional do PS tem encontro marcado para logo à noite, na sede do partido, para analisar os resultados das eleições autárquicas. Os socialistas deixaram de ser a maior força autárquica a nível nacional, ao perder 21 câmaras municipais. O Orçamento de Estado também vai ser tema nessa reunião.
E como dissemos há pouco, o PSD acredita que Luís Montenegro sai destas eleições com a liderança reforçada. Já José Luís Carneiro está a ser alvo de críticas da oposição interna.
E como seria de esperar, estes resultados das eleições autárquicas são olhados de forma diferente e com impacto diferente dentro dos aparelhos do PS e PSD. O Observador apurou que se Luís Montenegro sai com mais força, José Luís Carneiro começa a ser questionado. Rui Casa Nova.
Começamos com o PSD, o vencedor das eleições autárquicas. Os membros do partido ouvidos pelo Observador destacam um triunfo histórico em toda a linha. E há quem fale mesmo numa vitória à Cavaco, uma alusão ao fato de ter sido o último primeiro-ministro do PSD a vencer umas autárquicas. Um feito que o próprio Luís Montenegro destacou, de resto, na noite eleitoral. Ou seja, contas feitas, o PSD acredita que tem pela frente um ciclo longo no poder.
E os sociais-democratas entendem também que a vitória nas autárquicas pode funcionar como um aviso tanto para José Luís Carneiro como para André Ventura.
Sim, perante esta demonstração de força do PSD, os membros do partido acreditam que os líderes do PS e Chega vão pensar duas vezes antes de criar novas crises políticas. O Orçamento do Estado vai ser, de resto, o primeiro teste do algodão a isso mesmo. A outra conclusão, a vitória de Carlos Moedas em Lisboa e Pedro Duarte no Porto, significa que a estratégia nacional do PSD está a ser compreendida pelos eleitores portugueses e a dar bons resultados. Isto porque os dois candidatos das maiores autarquias do país seguiram o discurso de Luís Montenegro, sobretudo ao nível da segurança e imigração.
E do outro lado, Rui, José Luís Carneiro afirmou que o PS voltou, mas dentro do partido há quem não tenha ficado propriamente convencido.
Os mais críticos não compram esta narrativa de que o PS teve um bom resultado nas eleições autárquicas, uma narrativa proclamada pelo secretário-geral logo na noite eleitoral. É certo que há algum sentimento de alívio e de recuperação face às eleições legislativas. Um deputado ouvido pelo Observador diz mesmo que os resultados libertam o PS do trauma das legislativas. Foi esta a expressão utilizada. Outro dirigente acredita que os números permitem olhar para o futuro e fala também num balão de oxigênio. Mas este otimismo não é unânime, está longe de o ser. Por exemplo, Pedro Costa, que faz parte da direção do PS, foi muito crítico numa entrevista que deu ontem aqui na Rádio Observador, sobretudo em relação à estratégia de Alexandra Leitão para Lisboa. O socialista defende uma reflexão profunda e também um debate interno para encontrar um caminho comum, algo que também é defendido pela ex-ministra Mariana Vieira da Silva, numa entrevista dada ontem à Renascença.
Mas, Rui, apesar das críticas, para já não há ameaças à atual liderança de José Luís Carneiro.
Não, nada de aventuras é a mensagem atual. Um crítico ouvido pelo Observador diz que se o PS for por esse caminho nesta fase, será muito negativo para o partido. Não há eleições à vista no calendário regular, além das presidenciais, e neste momento ninguém pensa para já posicionar-se como alternativa a José Luís Carneiro. Mas, tendo em conta estes resultados autárquicos, a oposição interna passa a ter algum material para começar a marcar terreno, se assim o pretender.
Rui Casa Nova, e o resumo das várias informações recolhidas pelo Observador no rescaldo das eleições autárquicas, tanto no PS como no PSD.
Entretanto, Pedro Nuno Santos alerta que a ideia de que o Chega saiu derrotado das autárquicas é errada. O antigo líder do PS pede ao país para que não se iluda.
Pedro Nuno Santos reagiu aos resultados das eleições ontem à noite, numa nota publicada nas redes sociais. O antigo secretário-geral do PS considera que não houve nenhuma retração do Chega, mas diz que André Ventura cometeu um erro, elevou a fasquia e definiu como objetivo eleger um grande número de autarcas. Pedro Nuno Santos considera que, desta forma, André Ventura mostrou que não conhece como funciona o poder local.
E nesta nota, Luís, o ex-líder socialista afirma também que não faz sentido comparar diretamente o resultado das autárquicas com o das legislativas.
Pedro Nuno Santos sublinha que são duas eleições de natureza distinta, com temas diferentes, e termina a agradecer aos candidatos do PS. Destaca que aceitaram ser candidatos em eleições muito difíceis.
O reeleito presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, não exclui uma candidatura à presidência da Associação Nacional de Municípios.
Aquele que desta vez foi eleito pelo PSD, que tendo a maioria das Câmaras, vai ficar com a presidência deste órgão. Ontem à noite, em entrevista ao canal NOW, Santana Lopes não exclui uma candidatura ao cargo.
Talvez, há muita coisa a bater o pé ao governo para lutar. Nomeadamente, a melhoria das condições de vida dos que trabalham nos municípios. Imenso. E, portanto, o governo devia legislar neste sentido. Eu posso ajudar nessa tarefa de fazer os trabalhos necessários para levar o governo e convencer o governo a adotar medidas que eu já sei que são mesmo precisas e os meus colegas concordam, quero ver se o consigo fazer. Não passa pela cabeça.
Estava disponível para isso?
Não, estar disponível parece que me estou a oferecer para um cargo. Não, eu agora ainda tenho que tomar posse outra vez como presidente da Câmara da Figueira, mas é uma hipótese.
É uma hipótese da candidatura ao cargo de presidente à Associação Nacional de Municípios, admite Pedro Santana Lopes. Atualmente, a presidente é a socialista Luísa Salgueiro.
O almirante Henrique Gouveia e Melo está à frente na mais recente sondagem para as presidenciais e na segunda volta vence a todos os candidatos.
Sondagem divulgada ontem à noite pela CNN Portugal, Gouveia e Melo aparece em primeiro com quase 27% das intenções de voto, seguido de Luís Marques Mendes com 20%. Ao contrário da sondagem divulgada no domingo, António José Seguro aparece no terceiro lugar com 18% e André Ventura em quarto com cerca de 14%. No quinto lugar está o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, com 9%. António Filipe, com 2,5% e Catarina Martins com 1,9%, aparecem no fim da tabela, atrás até de Rui Tavares, que não é, no entanto, candidato oficial.
E numa eventual segunda volta, Gouveia e Melo consegue o melhor resultado contra André Ventura.
Alcança 63% das intenções de voto, contra 15% do líder do CHEGA. De resto, também Marques Mendes consegue superar em muito André Ventura numa segunda volta, assim como António José Seguro. Gouveia e Melo vence qualquer um dos outros candidatos numa segunda volta. Contra Marques Mendes, o almirante obtém 42%, face a 37% do antigo líder do PSD. Contra António José Seguro, Gouveia e Melo antevê uns 44%, face a 37% do antigo líder do PS.
E no futebol, a seleção nacional continua a caminhada rumo ao Mundial 2026. Joga hoje com a Hungria, no Estádio de Alvalade, e Luís Portugal pode garantir já hoje o apuramento.
E para isso a seleção nacional tem de vencer a Hungria e esperar que a Arménia perca ou empate no terreno da Irlanda. Se isto acontecer, Portugal carimba o passaporte para a nona presença numa fase final de um Campeonato do Mundo. O selecionador nacional, Roberto Martínez, garante que os jogadores têm muita vontade de conseguir já o apuramento e diz que a energia está em altas.
O aspeto emocional é importante em todos os jogos, mas acho que o grupo está calmo, está muito focado, está a trabalhar muito bem e também percebe a força que nós temos quando jogamos em casa. No jogo contra a Irlanda, há uma energia no ambiente que o jogador fica com muita vontade de voltar lá.
Roberto Martínez na conferência de imprensa de antevisão deste Portugal-Hungria. O jogo está marcado para às 19h45. Tem relato e comentários em direto aqui na Rádio Observador. Quem já garantiu o apuramento para esse Mundial foi Cabo Verde. Os Tubarões Azuis venceram a seleção do Eswatini por 3 x 0. Marcelo Rebelo de Sousa já felicitou o presidente de Cabo Verde por esta qualificação inédita.
São agora 19h08, Luís Soares, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de terça-feira?
A Câmara de Lisboa ainda não constituiu o Fundo Municipal de Apoio às Vítimas do acidente com o elevador da Glória, uma informação avançada pelo vice-presidente da autarquia. Filipe Anacoreta Correia diz que neste momento não se verifica essa necessidade, uma vez que as seguradoras estão a suportar todas as despesas. Declarações no final de uma reunião extraordinária para atualização das informações sobre o acidente. Carlos Moedas também esteve presente, mas não prestou declarações aos jornalistas. Em França, Sébastien Lecornu, o primeiro-ministro reconduzido, apresenta-se hoje na Assembleia Nacional, no mesmo dia em que enfrenta também uma moção de censura. Antes, na primeira reunião do Conselho de Ministros, o novo governo vai apresentar a proposta do Orçamento de Estado para o próximo ano. A recondução do primeiro-ministro por parte de Emmanuel Macron é alvo de muitas críticas, tanto à direita como à esquerda. Donald Trump confirma um novo encontro com Volodymyr Zelenskyy na Casa Branca. O presidente da Ucrânia viaja até Washington na sexta-feira. Donald Trump diz que o principal tópico em cima da mesa vai ser o sistema de defesa antiaérea ucraniano. Zelenskyy escreve na rede social X que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em Gaza dá mais esperança de paz à Ucrânia. Entretanto, o presidente norte-americano volta a congratular-se com a assinatura do acordo do cessar-fogo na Faixa de Gaza, em declarações aos jornalistas a bordo do avião presidencial. Donald Trump repete que é um feito inédito e que foi um dia muito importante para o Médio Oriente. E hoje, já sabemos, é terça-feira, está disponível o terceiro episódio do novo podcast do Observador, a eleição mais louca de sempre.
Centra-se nas eleições presidenciais de 1986, Luís, as únicas que foram a uma segunda volta. A decisão final iria pôr frente a frente Mário Soares e Freitas do Amaral.
E a campanha correu tão bem que os apoiantes de Freitas do Amaral chegaram a equacionar uma vitória à primeira volta.
No Palacete de Santa Catarina, sede da campanha de Freitas do Amaral, a máquina não para. A onda de euforia à volta do candidato sente-se nas ruas e os apoiantes até têm um dress code: um sobretudo verde e um chapéu de palha na cabeça. Mas ali continua a fazer-se de tudo para evitar que a ideia de que a eleição já está ganha desmobilize uma única pessoa. Os telefones, às dezenas, tocam todos ao mesmo tempo. Toneladas de papel continuam a ser enviadas para cada recanto do país. O staff reúne todos os dias e os tempos de antena são preparados ao pormenor.
Queremos um Portugal que não seja de direita nem de esquerda, mas para a frente. Para símbolo desse Portugal, símbolo do para frente Portugal, só há um candidato: Freitas do Amaral.
Ora aí está, é um excerto deste terceiro episódio da eleição mais louca de sempre. É o mais recente podcast do Observador.
É uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria e guião do jornalista Miguel Santos Garrapatoso. À terça há um novo episódio, mas se for assinante standard ou premium do Observador, tem acesso antecipado à série completa.