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As notícias na sua rádio com Carla Jorge Carvalho. Os mercados europeus começam a semana com uma queda por causa das tarifas de Donald Trump. A Bolsa de Lisboa abre a cair mais de 5%.
Os mercados internacionais de ações voltam a registrar fortes quedas nesta segunda-feira. É o terceiro dia consecutivo de descidas acentuadas e confirma-se: as bolsas europeias também abriram no vermelho, depois das asiáticas terem caído a pique na abertura. Tudo isto depois do colapso de sexta-feira em Wall Street, na sequência das tarifas apresentadas por Donald Trump. Destaque para a Bolsa de Lisboa, abriu esta segunda-feira em forte queda, com o índice PSI a descer 5,26%. As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt também registraram quedas entre os 4% e os 9%. Valores semelhantes foram registrados esta manhã nas bolsas de Madri e de Milão.
E Donald Trump não parece preocupado e compara mesmo as tarifas a um medicamento para curar a economia norte-americana.
O presidente dos Estados Unidos diz que as tarifas estão a ter o efeito esperado e avisa que vão continuar.
Não quero que haja quebras, mas às vezes temos de tomar medicamentos para nos curarmos. Quero resolver o déficit com a China, com a União Europeia e com outras nações. E se quiserem falar, estou disponível. Caso contrário, por que quereria falar? Tenho falado com vários líderes da Europa, da Ásia, de todo o mundo. Eles querem muito negociar, mas avisei que não vamos ficar em déficit.
Declarações de Donald Trump esta madrugada a bordo do avião presidencial, que dão o tom, pelo menos para os próximos dias. Também o secretário do Tesouro nega que as tarifas conduzam a uma recessão global. Declarações feitas numa entrevista à NBC News. Continuamos na análise. Está conosco agora em direto neste jornal, Felipe Garcia, economista, é especialista em mercados financeiros. Felipe, bom dia. Era expectável esta quebra também nas bolsas europeias à luz do que já aconteceu no arranque desta segunda-feira. Este cenário deve manter-se nos próximos dias e os mercados aguentam isto?
Olá, bom dia.
Bom dia.
Neste momento, os mercados estão, de facto, assustados e, sobretudo, estão desiludidos, na minha opinião, com a ausência de discurso ou medidas conciliatórias durante o fim de semana. Ou seja, o encerramento na sexta-feira já tinha sido bastante mau, mas havia a perspectiva de que durante o fim de semana, se fosse através de discursos políticos ou através mesmo de mensagens por parte dos bancos centrais, houvesse algo que os mercados pudessem agarrar para se acalmarem um pouco. Não foi nada disso que aconteceu. Nós tivemos na sexta-feira a Reserva Federal norte-americana a dizer que as tarifas eram acima do esperado e que há riscos de uma forte desaceleração econômica, mas não se deu a entender que se irá agir de alguma forma para mitigar esses riscos e durante o fim de semana, conforme as declarações que acabamos de ouvir, tivemos também Donald Trump a colocar ainda mais achas na fogueira e a fazer algumas comparações entre aquilo que se está a passar e a administração de um medicamento. Pois bem, é preciso ter cuidado com as terapêuticas, não se vai matar o paciente.
E depois temos as reações. A União Europeia ainda não encontrou uma voz única, mas a possibilidade é que possa retaliar e, portanto, temos uma escalada à vista, já depois da China também já ter anunciado que o vai fazer.
A reação da União Europeia é bastante importante. Durante o fim de semana, houve um conjunto de indicações de que a tese que estaria a prevalecer seria a da retaliação, não de uma forma global, mas em um conjunto de setores ou de bens mais em específico. Mas não é toda uma posição unânime. Há também uma forte corrente, que me parece até, sinceramente, a mais correta, de escolher não retaliar, deixar Donald Trump a falar sozinho para não piorar esta situação, para não adicionar à incerteza e também por questões de congruência, porque se a União Europeia, ao criticar estas tarifas, desde logo disse que os principais prejudicados iriam ser os consumidores norte-americanos, pois bem, se aplicar medidas de retaliação, vai estar também a prejudicar a própria economia e os consumidores europeus. Mas sem dúvida que é a reação da qual se está neste momento à espera. E também, já agora, os mercados estão de alguma maneira assustados e a tentar ver se os bancos centrais também fazem algum tipo de medidas ou decidem algum tipo de medidas, nomeadamente em termos de taxa de juro, o que não parece muito provável nesta fase.
Com cerca de 50 países a crerem terem dito já que pretendem negociar com Donald Trump, quanto tempo é que aguentamos que as negociações se traduzam numa mudança?
Pois bem, é difícil dizer. As tarifas não são propriamente uma surpresa, ou seja, elas tinham data e hora marcada e, portanto, o que é surpreendente, de certa maneira, é que haja uma reação tão epidérmica relativamente a algo que já se esperava. Agora, eu acho que a pressão para o poder político virá provavelmente mesmo dos mercados. E os mercados também servem pra isso. Para termos uma ideia, tendo em conta aquilo que se espera que seja a abertura dos índices norte-americanos hoje, isso significaria uma perda de 20% desde o dia 19 de fevereiro. Portanto, estamos a falar menos de dois meses e uma queda desta dimensão. Estamos a ver outros tipos de mercados, como por exemplo, o petróleo, que hoje está a cair mais 4,5%, já está aos níveis da primavera de 2021. E, portanto, acho que virá daí a principal pressão para que haja algum tipo de medidas. Enfim, sabemos que do lado dos Estados Unidos parece haver uma certa intransigência. Vamos ver. Acho que, sobretudo, o que os mercados estão a fazer é dizer o seguinte: as condições de negócio das empresas estão a se deteriorar, ou seja, vai ser mais difícil fazer negócio e ganhar dinheiro, e os preços estão a ajustar essa realidade. No fundo, é um movimento que, apesar de rápido, é racional.
Filipe Garcia, muito obrigada pela análise e as explicações aqui neste jornal. Filipe Garcia, especialista em mercados financeiros nervosos depois do anúncio das tarifas e da retaliação por parte da China. De resto, Pequim já veio acusar a administração Trump de estar a aplicar medidas de bullying protecionista e avisa os Estados Unidos de que as ameaças e as pressões não são a melhor forma de lidar com a China.
E começam hoje os debates televisivos para as eleições de 18 de maio, debates que podem ser decisivos.
O primeiro é entre Montenegro e Paulo Raimundo, às 21h, na TVI, depois, às 22h, na RTP3, André Ventura e Inês Sousa Real. Na Antvisão, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, considera que estes debates podem ser decisivos, tendo em conta que as sondagens mostram que há um elevado número ainda de indecisos.
Eu creio que nesta situação em específico vão contar bastante. É verdade que há muitos eleitores que já decidiram o seu voto, mas o que as sondagens nos dizem é que há níveis de indecisos que são muito superiores a outras alturas e outras eleições, isto tendo em conta os vários estudos de opinião. Isto significa que as pessoas vão se querer agarrar a tudo quanto seja indicadores de voto ou aquilo que faça, na verdade, pesar a balança mais pra um lado ou pro outro. Mas os debates têm muita atenção mediática e muita gente a ver, e, portanto, têm que ter aí alguma influência, e são momentos também de afirmação.
Análise do editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Aos debates televisivos, acrescem outros dois na RTP, um com todos os partidos, um com os partidos com assento parlamentar, outros sem assento parlamentar, e há também o debate organizado pelas rádios Observador, Antena Um, Renascença e TSF, na manhã do dia 5 de maio.
E o Observador vai, claro, acompanhar ao minuto todos estes debates no site e na rádio, com análise e atribuição de notas a todos os líderes partidários. Tempo agora para o desporto. André Villas-Boas decidiu castigar a equipa do Futebol Clube do Porto depois da goleada em casa frente ao Benfica. Os jogadores seguiram para um novo estágio em vez de irem pra casa.
A notícia é avançada pela imprensa desportiva desta manhã, que fala numa forma de punição e também de exigir uma reação já no próximo jogo. Na primeira volta, quando o Porto também perdeu por 4x1, as folgas do plantel tinham sido canceladas. Com esta vitória, o Benfica é líder à condição e fica à espera do jogo do Sporting, que tem mais logo com o Braga, em Alvalade. Na análise ao resultado do clássico, o comentador da Rádio Observador e adepto do Futebol Clube do Porto, Luís Pinto Coelho, considera que os Dragões estão fora da luta pelo título e espera que pelo menos consigam conservar o terceiro lugar.
Acredita que o segundo lugar podia ser possível, e o segundo lugar é extremamente importante pra qualificação da Champions League e a questão financeira que daí advém. E, neste caso, acho que o Porto agora até o final da época tem que tentar manter o terceiro lugar, porque o Braga joga hoje e se o Braga, por exemplo, empatar ou até ganhar no Estádio de Alvalade, passa o Porto. Por isso, o Porto até o final da época, a missão que tem é tentar segurar o terceiro lugar.
Palavras de Luís Pinto Coelho. O adepto portista diz também que não concorda com o castigo que foi colocado ao plantel. Luís Pinto Coelho acredita, ainda assim, que Martín Anselmi não vai ser despedido e que vai continuar na próxima temporada à frente do comando técnico dos Dragões.
São agora 9h10. Daqui a pouco o Explicador, com o bastonário de ordem dos médicos, Carlos Cortes, mas primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?
Um carro despistou-se na Marginal, em Caxias. De acordo com informações da Proteção Civil, confirmadas pelo Observador, o carro terá caído ao rio Tejo na curva do Mónaco, na Marginal. Desconhece-se, pra já, a possibilidade de vítimas. O alerta foi dado perto das 7h30 da manhã. Foram mobilizados até o momento 16 operacionais, cinco carros e um bote da Polícia Marítima. Os bombeiros de Paçárques também já estão no terreno. Paulo Portas só vai decidir se avança com uma candidatura presidencial a partir do verão. O antigo presidente do CDS quer evitar um anúncio fora de tempo e o desgaste de um ano inteiro em campanha. O Observador apurou que só a partir de junho ou julho é que Portas vai decidir se avança. Benjamin Netanyahu já chegou aos Estados Unidos. Vai ser recebido por Donald Trump na Casa Branca. O encontro está marcado para às 18h, hora de Lisboa. Os dois governantes vão discutir a situação no Médio Oriente, mas também as novas tarifas alfandegárias.