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As notícias a seguir. Edição das 9 com o Miguel Gato. O governo estabelece o prazo de um ano para o essencial da recuperação nos conselhos afetados pelo mau tempo.

O Executivo vai apostar numa bazuca da simplificação, uma série de medidas para aliviar a burocracia associada às obras de recuperação e reconstrução de todo o território, que foi destruído com a força do vento e da chuva, por causa das sucessivas tempestades das últimas semanas. Ao Observador, o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, fala de um conjunto de medidas que nunca foram tomadas em Portugal, nem mesmo nas alturas mais difíceis, como a crise financeira de 2008 ou a crise da Covid-19. Entre as medidas estão, por exemplo, ajustes diretos simplificados, dispensa de avaliações de impacto ambiental ou a possibilidade de suspender os prazos dos trabalhos, caso não haja mão de obra. O governo admite uma situação no terreno complexa e o esforço financeiro necessário para levantar o que caiu ainda está a ser contabilizado. É o que diz o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, em entrevista ao Observador.

O investimento estatal vai ser grande para compensar os estragos da tempestade Cristina e o Executivo admite mesmo atingir o déficit orçamental para ajudar a população.

Foi o que disse ontem à noite Manuel Castro Almeida, o ministro da Economia e Coesão Territorial, em entrevista à Sic Notícias.

Temos que arranjar dinheiro, evidentemente. E vamos procurar manter as contas certas na medida do possível. Mas as contas certas não são um fim em si mesmo. Portanto, se houver necessidade de fazer déficit para garantir condições de conforto e de bem-estar mínimos das pessoas, para garantir o relançamento da economia, para garantir que as empresas não vão fechar, que não vamos perder a capacidade exportadora que hoje temos, se for necessário, teremos que chegar a isso, porque as contas certas são, de facto, um objetivo que tem que estar ao serviço das pessoas.

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou na quinta-feira o PTRR, o Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português para colmatar os estragos causados pelo mau tempo. Castro Almeida dá mais detalhes, explica que vai ser financiado com fundos europeus, mas também por verbas do Orçamento do Estado. A estrutura de missão para a recuperação das zonas afetadas indica ainda que é difícil agora, neste momento, quantificar os prejuízos causados pelo mau tempo. Declarações de Paulo Fernandes, porta-voz da estrutura ontem, em conferência de imprensa.

Já o anticandidato presidencial, Henrique Gouveia e Melo, considera que o Estado falhou na resposta às tempestades.

Diz que o primeiro-ministro devia ter assumido as rédeas desde o início do mau tempo e mobilizado todos os ministérios para o terreno, não apenas o da Administração Interna. O almirante afirma mesmo que esta crise climatérica mostrou as fragilidades do Estado.

O Estado falhou. No entanto, é preciso ter a noção da dimensão da crise. A crise foi de uma dimensão não habitual e, portanto, o poder do Estado também é limitado. No entanto, nesta crise, o que notamos foi um conjunto de fragilidades, quer organizacionais, quer de capacidades de resposta, que fizeram com que o Estado, no início, tivesse falhado e depois, de alguma forma, não tem conseguido responder às populações. Não tem conseguido responder às populações, cria muita instabilidade e incerteza nas populações, o que não é bom.

Henrique Gouveia e Melo, ontem à noite na CNN Portugal, acusa o governo de estar desorganizado.

E o Presidente da República apela às seguradoras para acelerar as peritagens nos locais afetados pelo mau tempo, para que as famílias retomem a normalidade rapidamente.

Em declarações aos jornalistas ontem em Coimbra, onde apareceu de surpresa, Marcelo Rebelo de Sousa apontou para a importância de acelerar as medidas de resposta à crise. Aponta precisamente às seguradoras.

Não há razão para demorar tanto tempo os relatórios e as peritagens, as perícias e os relatórios, porque se não arrancam esses estabelecimentos nos próximos 30, 60 dias, é um prejuízo irreversível, não é possível.

E por isso Marcelo Rebelo de Sousa apela à celeridade das seguradoras. Foi ao lado da autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, que ontem em conferência de imprensa, pouco tempo depois, declarou que o pior já tinha passado no distrito.

Com as condições climatéricas que temos, com os caudais que temos, que vêm da Aguieira, podemos dizer que a situação de risco grave acabou. Isto significa que aquela situação que temíamos de a baixa de Coimbra ficar inundada é já algo que não consta das nossas previsões nem dos nossos temores.

Não se verificaram as cheias centenárias previstas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera e também pela Proteção Civil, mas Ana Abrunhosa sublinha que o estado de emergência municipal mantém-se e apela às populações do Conselho para aguardarem a confirmação das autoridades para regressarem às casas que ficaram inundadas.

E precisamente em Coimbra, Miguel, a barragem da Aguieira foi uma das preocupações maiores nestes últimos dias.

Trata-se de uma estrutura que entrou em funcionamento há cinco anos e que continua a ser a principal forma de controlar as cheias no Baixo Mondego, mas nem sempre foi assim. O repórter Luís Soares foi ao encontro de quem ajudou a construir esta barragem, uma estrutura que também serviu de cupido.

A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu punha-me aqui em baixo da estrada a espreitar.

Namorava à varanda.

Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher, em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego depois ter sido construída a barragem de Aguieira.

A Foz Dão era uma aldeia bonita, apenas Era um ponto de turismo. Temos ali o quadro. Foi pena ele ter vindo a desaparecer, mas a lei da vida é assim.

Agora a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.

A barragem ajuda muito. É aquilo que eu digo, a serra da Estrela manda muita neve, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.

De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a baixa de Coimbra costumava inundar.

Basta que a baixa de Coimbra ficava toda inundada. Onde é a estação nova, o Banco de Portugal, ficava tudo inundado.

Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura a encher, ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.

Ela começou a encher mais ou menos em 80. Já até diziam que depois ao fim de 20 anos, era despejada para fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Isto não sei, mas penso eu que deve ser um risco muito grande depois amanhã.

Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.

É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aquela esplanada, aquilo é muito bonito. É, para o verão, mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, as torneiras não ligam. É assim.

O repórter Luís Soares numa barragem que esteve sob alerta por causa do agravamento do estado do tempo em Coimbra, a barragem da Aguieira. Já no distrito de Leiria, também muito afetado pelo mau tempo nas últimas semanas, há ainda 20 mil clientes sem energia elétrica, isto 17 dias depois da passagem da depressão Christine por Portugal continental. O último balanço da E-Redes, feito ontem às 17h30, dava conta de 32 mil clientes no total, sem eletricidade em todo o país.

Entretanto, Miguel, isso a esta hora na estrada é visível. O mau tempo vai dar tréguas este fim de semana.

É, pelo menos, essa a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Nenhum distrito está sob aviso amarelo, nem no sábado, nem no domingo, devido a chuva ou vento forte. Há, sim, aviso amarelo no Norte e laranja em toda a costa centro e sul do país, mas por causa da agitação marítima. A chuva dá tréguas este fim de semana, mas a Proteção Civil continua a alertar para o risco do desabamento de estradas nas zonas mais afetadas por deslizamento de terras. Por isso, todo o cuidado é pouco nos próximos dias, foi o que disse ontem o comandante da Proteção Civil. No último balanço, palavras de Mário Silvestre.

Na saúde, assinala-se hoje, dia 14 de fevereiro, o Dia Nacional do Doente Coronário.

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia indica que as mortes por doenças cardiovasculares em Portugal reduziram na última década e que o nosso país tem vindo a reforçar os cuidados primários no Serviço Nacional de Saúde. Quem o diz é Cristina Gavina, presidente da sociedade, que fala em números extraordinários.

Nós temos uma redução de mortalidade por AVC, que anda volta dos 45%, e por enfarte, de 35%, que são números absolutamente extraordinários nos últimos 10 anos. E há uma coisa que em Portugal acontece, que é que nós somos muito melhores na fase aguda de tratamento das 10 doenças e, portanto, temos tido grandes ganhos em termos de mortalidade, também porque tratamos cada vez mais atempadamente e cada vez melhor as pessoas que têm estes eventos.

Ainda assim, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Segundo dados da DGS, a Direção-Geral da Saúde, cerca de 33 mil pessoas morrem por ano devido a AVCs ou enfartes, média de uma morte em cada 15 minutos. A presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, diz que se o tratamento tem vindo a melhorar no país, o problema continua na prevenção.

Falhamos, provavelmente, nas áreas onde são, quer, por um lado, depois de já ter um evento, garantir que não vai haver um novo evento, porque vamos fazer todas as medidas de prevenção para evitar esse evento e, por outro lado, identificar as pessoas que estão em maior risco, tratar agressivamente esses fatores de risco e evitar que algum dia venham a ter um evento.

Cristina Gavina, em declarações à Rádio Observador, a presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, diz-se maioritariamente preocupada com a população mais jovem afetada por doenças cardiovasculares.

Vamos ainda ao desporto, Miguel. O Benfica foi ontem aos Açores vencer o Santa Clara.

Venceu por 2 x 1, na abertura da jornada 22 do Campeonato Nacional. Com esta vitória, o Benfica iguala a condição, o segundo classificado, o Sporting, com 52 pontos, e reduz a distância para o líder Futebol Clube do Porto, que soma 56 pontos. Os Dragões visitam amanhã o terreno do Nacional da Madeira, às 15h30. Já o Sporting recebe também no domingo, em Alvalade, o Famalicão, às 20h30. Para hoje, às 15h30, Casa Pia-Arouca. Às 18h, Vitória Sport Clube de Guimarães recebe o Estrela da Amadora e às 20h30, Gil Vicente-Braga.

Grande jogo. Eu acho que é o jogo cartaz desta jornada. Luta pelo quarto lugar e só com dois pontos de distância. Logo veremos.

Duas boas equipes do campeonato.

Sim, e às duas no domingo.

Deslocação difícil para o Braga.

Sim, é verdade. Vamos ter esse Sporting Clube Braga, Gil Vicente. Aliás, Gil Vicente-Braga, sim, que é um dos grandes jogos desta jornada 22. Fica por aqui a edição das 9 com o Miguel Gato.