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Está no ar mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?

O bom é o presidente do BPI. Ontem, durante a apresentação de resultados do banco, João Pedro Oliveira e Costa disse repetidamente que o BPI já reduziu as suas participações em Angola e admite que isso aconteça ainda mais. E disse também que gostava de fazer o mesmo em Moçambique. Aliás, ele admite vender tudo. E uma das piores decisões da economia portuguesa, da banca e não só, foi o contacto com o dinheiro da oligarquia angolana. Houve até um período em que esse dinheiro era visto como a única salvação dos nossos capitalistas. Felizmente, esse tempo passou e devemos criar as condições para que ele não volte, porque com os milhões das oligarquias vêm os tiques das oligarquias, vêm as formas de atuar das oligarquias. Os regimes de Angola e de Moçambique não são recomendáveis e, por isso, quanto maior for a distância, melhor, honestamente.

Demora-se a aprender, mas chega-se lá. No início há a tentação de ir ganhar algum dinheiro fácil, não é?

Pois, e houve, com certeza, que houve o período da Troika também, tudo isso, mas eu diria que distância recomendável.

Miguel, o teu mau saiu do país.

Sim, Marcelo Rebelo de Sousa, prestes a acabar o mandato. O Presidente da República sabemos que teve de adiar duas visitas ao estrangeiro depois da cirurgia de emergência a que foi submetido, mas agora quis mesmo ir ao Vaticano. Fez isso poucos dias depois da maior tempestade que atingiu o país, nas vésperas de uma nova tempestade que está a chegar. Percebe-se que Marcelo Rebelo de Sousa sabe que não devia ter ido ao Vaticano. Nas declarações aos jornalistas, ele passou o tempo a garantir que foi ao Vaticano informar o Papa da tragédia em Portugal, como se isso fosse o mais importante neste momento ou como se tivesse de sair do país para informar o Papa, seja do que for. Fez questão também de dizer que nos próximos dias vai voltar ao terreno, portanto, a antecipar a agenda para nós sabermos que ele tem a noção do que se está a passar. Enfim, eu ouvi Marcelo Rebelo de Sousa e pareceu-me que ele está com a consciência pesada e tem razões para isso. Mas enfim, muito bem, quis ir ao Vaticano antes de deixar de ser presidente. Está bem.

Desta vez, o crente Marcelo Rebelo de Sousa, com todo o direito, como é evidente, sobrepôs-se ao presidente, acho eu.

Eu tiraria a parte do com todo o direito.

Tem o direito e o ser, não é?

Sim, isso tem, claro, mas primeiro tem as suas funções.

E devia ser. Claro, mas há hierarquias e prioridades.

Vá lá, Marcelo Rebelo de Sousa teve a sorte, e nós também, de estes dias terem sido um bocadinho mais tranquilos do que se chegou a temer. Mas enfim, eu diria que numa altura destas, o papel do presidente é estar cá e estar a fazer o seu trabalho.

Miguel, o teu vilão é a Ministra da Administração Interna.

Sim, ontem Maria Luísa Amaral voltou a aparecer aos jornalistas e voltou a mostrar que não está preparada para ficar no Governo em momentos difíceis como este. Mas o dia de ontem foi importante porque nos mostrou a outra faceta da ministra. Não tivemos apenas a ministra a aparecer mais uma vez. Não. Nós já sabíamos que a ministra não tem ideia de como se fala com os portugueses, mas muita gente diz: "Bem, há muitas pessoas que não sabem comunicar em público, mas de certeza que a ministra não sabe falar, mas sabe planear, sabe decidir e sabe executar quando não há jornalistas ao pé dela. De certeza que é muito competente e domina os dossiês de maneira impressionante, mas simplesmente está a fazê-lo no gabinete." É isto que eu oiço, vou ouvindo por aí. Mas ontem nós vimos o que a ministra sabe e faz quando está no gabinete, porque quando lhe perguntaram o que falhou e porque é que a ajuda demorou a chegar aos locais afetados pela tempestade, a Ministra da Administração Interna teve uma grande oportunidade de nos tranquilizar, a mostrar que domina completamente o funcionamento da máquina do Estado, mas em vez disso, a resposta que deu foi, e eu vou citar: "Não sei o que é que falhou. Não posso dizer exatamente. O sistema é complexo." E eu achava que os ministros existiam precisamente para dominarem este sistema complexo que é o Estado, ou então, em alternativa, para o tornarem mais simples e mais eficaz. A ministra teve muitas oportunidades para isso, mas enfim, esta ministra parece um extraterrestre que chegou ontem ao planeta e por isso acho que não vale a pena insistir.

Pois, é daquelas coisas que inspira calma confiança, não é?

Sim, Paulo, eu tremo, de facto. Cada vez que eu ouço a ministra, eu só espero que naquele ministério haja muita gente competente, aquilo que se costuma ver em Inglaterra, que os ministros vão e vêm, mas o funcionalismo público.

Vão sair por lá.

Exato, há alguém que realmente manda e que realmente governa enquanto os ministros vão e vêm. Eu só espero que no Ministério da Administração Interna haja gente competente, porque claramente a ministra não sabe o que está a fazer e, portanto, não vale a pena insistir. Tudo bem, eu percebo, não é a meio entre uma tempestade e outra que se vai fazer mudanças no ministério, mas eu acho que muito rapidamente Luís Montenegro tem de resolver este problema.

Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, o mau é Marcelo Rebelo de Sousa e o vilão de hoje é a Ministra da Administração Interna. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.