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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" das manhãs 360. Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Olá, Miguel. O teu bom é André Ventura.
Sim, porque nas cerimónias de celebração dos 50 anos da independência de Angola, o presidente João Lourenço falou sobre o colonialismo português que oprimiu e escravizou os angolanos durante séculos. Depois disso, André Ventura criticou o fato de Marcelo Rebelo de Sousa ter aceitado essas referências sem qualquer comentário, por exemplo, à corrupção em Angola, ao mau governo em Angola, às décadas perdidas em Angola com uma guerra civil, enfim, aos inúmeros gigantescos problemas que foram surgindo nos últimos 50 anos. E em resposta, um pivô da televisão pública angolana, que, ao contrário do que acontece em Portugal, não é propriamente um exemplo de imprensa livre. O regime lá é outro. E o pivô disse o seguinte no ar: "Temos a certeza de que o senhor", referindo-se a André Ventura, "não vai vencer as eleições presidenciais, porque o povo português, que é sábio, não vota em mentecaptos. Supondo que por qualquer cataclismo o senhor é eleito, o mais provável é que os portugueses emigrem e André Ventura fique a governar as cabras da Beira Alta e da Beira Baixa." Ora, se o regime angolano reage assim, é porque alguma coisa certa André Ventura fez e disse, porque senão um regime assente no autoritarismo e em tudo mais que se conhece, não reagia desta maneira.
Pois, e também a imagem que de Luanda se tem do Portugal da Beira Alta e da Beira Baixa.
Não, mas isso está tudo muito bem, não tem problema nenhum.
Está a gostar.
De fato, André Ventura tocou num ponto.
Sim, num nervo sensível.
Angola tem um problema de governação e é um problema de Angola, mais de ninguém.
E nós temos um problema diplomático com Angola, que é a questão de nunca sabermos qual é o registro certo na relação com Angola.
Normalmente, o registro que temos adotado é: "Sim, senhor, como quiserem, estamos aqui disponíveis." É o registro que nós temos tido nos últimos tempos. Enfim, não sei se é inevitável, mas temos estado nisso.
O bom é André Ventura e quem é o teu mau?
O mau é António Costa, porque este fim de semana ficamos a saber que o antigo primeiro-ministro se queixa de já ter pedido por quatro vezes a consulta do processo do caso Influencer e de por quatro vezes o Ministério Público ter recusado esse pedido. E numa nota que foi tornada pública por estes dias, a Procuradoria-Geral da República explicava que o processo está em segredo de justiça, que essa decisão foi validada por um juiz e por isso está em segredo de justiça. Por isso, digo eu, António Costa podia ter pedido a consulta 10 vezes, 40 vezes, e a resposta seria sempre a mesma. Pronto, pediu quatro, podia ter pedido 40. É muito simples de explicar por que a resposta seria sempre não. É porque como está em segredo de justiça, alguém envolvido no processo e mesmo de fora do processo, não pode consultar. E eu começo a estar um pouquinho farto dos antigos primeiros-ministros. Há mais alguns por aí, pelo menos mais um, que só depois de deixarem de ser primeiros-ministros é que percebem que as leis que impuseram aos seus concidadãos durante anos são chatas de cumprir. Quer dizer, se António Costa acha que devia acabar com o segredo de justiça nos processos, ou se acha que os envolvidos nos processos devem sempre poder consultá-los, foi primeiro-ministro durante muito tempo. Mudasse a lei, tivesse mudado a lei. Vai se queixar da lei quando deixa de ser primeiro-ministro? Obrigadinho, mas olhe, bem-vindo, seja bem-vindo. Todos nós andámos aqui estes anos a cumprir a lei. Por isso, cumpra a lei.
Pode ser com tantos políticos agora tendo esse tipo de problemas processuais, pode ser que mudem a lei agora.
Percebem como é que os tribunais funcionam, percebem que pagam muitos impostos, queixam-se dos impostos que pagam, enfim, ficam a perceber uma série de coisas depois de deixarem de ser primeiros-ministros. De fato, é um timing chato. Podiam aprender as coisas antes de irem para lá, acho eu.
Miguel, o teu vilão deu uma entrevista.
Sim, o líder da UGT. Nós nos últimos dias temos discutido se a UGT devia ou não ter se juntado à CGTP para avançar para uma greve geral, tendo em conta que nestes 50 anos de democracia só houve 10 greves gerais. A última foi há 12 anos e apenas quatro juntaram as duas centrais sindicais. E por trás deste debate está a presunção de que a UGT é mais moderada do que a CGTP. Mas se calhar estamos a ver mal as coisas, se calhar neste momento isto não é bem assim, porque numa entrevista deste fim de semana, o líder da UGT, Mário Mourão, disse o seguinte: "Se calhar, o que nós temos que pensar é marcar dois dias de greve, em vez de ser só um." Claro, e por que não, se calhar, três dias, quatro, cinco. Se calhar, a UGT sente que precisa de recuperar forças e precisa demonstrar que também sabe protestar. E se calhar, neste momento, a UGT quer ser mais radical do que a CGTP, por isso estamos nisto.
Pois está. Dá ideia que há aqui um campeonato pela liderança do movimento sindical. Vamos ver.
É, parece que sim. Pronto, tudo bem. E nós levarmos com isso.
Vamos ao resumo. O bom de hoje é André Ventura, o mau é António Costa e o vilão desta segunda-feira é a UGT. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e que também pode ouvir em podcast.