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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Como é habitual à quarta-feira, estamos à conversa com o jornalista Alfredo Lavrador, em mais uma edição da Operação Stop. Alfredo junta-se a nós à distância. Bem-vindo, boa tarde.

Olá, Viva.

Olá, muito prazer.

Olá, Ana, e olá, Aníbal.

Tudo bem?

Alfredo, hoje queres falar da relação que existe entre o coronavírus e os motores a gasóleo. Que relação é essa?

Sabes que, devido à pandemia, passámos a fazer menos viagens de carro e, sobretudo, deslocações mais curtas. Ou seja, atualmente vamos ao supermercado, vamos à farmácia e pouco mais. Isso significa que não só o motor não chega a aquecer, e estamos a falar especificamente de motores a gasóleo, como não faz quilómetros suficientes para manter limpo o filtro de partículas.

Mas estás a deixar-me com uma preocupação acrescida, que eu nestes últimos dias tenho vindo de carro e o meu carro é a gasóleo. Explica-me um pouco como é que estas viagens mais curtas prejudicam estes filtros de partículas.

Aníbal, prejudicam e bastante. Em termos práticos, o filtro de partículas serve para capturar as partículas resultantes da queima do combustível, aquilo que normalmente chamamos de fumo negro ou fuligem. Os carros desde 2009 deixaram de fazer aquele fumo que sempre fizeram ao longo dos anos, mais uma vez a falar exclusivamente de motores a gasóleo. E isso acontece porque desde 2009 passou a ser obrigatório a montagem desses ditos filtros de partículas. A produção dessas partículas é maior com o motor frio, ou seja, quando fazes viagens curtas, o motor nunca chega a aquecer, de maneira que está naquela fase em que polui mais e emite mais partículas. Depois, o filtro, obviamente, tem uma dimensão relativamente pequena e uma capacidade limitada para guardar as partículas, o que significa que, mais cedo ou mais tarde, acaba por encher e para não ficar entupido, tem que ser limpo, pois de contrário, pode bloquear e deteriorar-se. Nestas condições, não só o motor não trabalha ou trabalha mal, como podemos ter de adquirir um filtro novo, que facilmente pode custar 1000 €.

1000 € num filtro novo, Alfredo, explica-me como é que eu posso evitar gastar esses 1000 €. Agora não me dava muito jeito, confesso.

Eu tenho a certeza que encontrarás facilmente uma série de opções mais interessantes para gastar 1000 €, mas tens em conta que os filtros de partículas, se bem tratados, podem durar 150 mil ou 250 mil quilómetros, no limite. E necessitam de fazer uma limpeza, que se chama uma regeneração, que se processa automaticamente, sem qualquer intervenção do condutor, ao fim de 400 ou 500 quilómetros. Mas isto é quando se faz uma utilização normal, com alguma cidade, alguma estrada. Sempre que se faz exclusivamente deslocações mais curtas, o filtro enche-se mais rapidamente e para que se autorregenere, é necessário que se circule, volta e meia, uma vez por semana, pode ser suficiente, entre 15 a 30 minutos em estrada a uma velocidade mínima de 80 km/h. Não é preciso grandes velocidades, é preciso sim andar um pouco mais depressa para o motor e o próprio escape aquecerem em condições.

Alfredo, mas explica-me, no meio disto tudo, vamos criar aqui um problema com o estado de emergência em que nós estamos agora, ou não?

Tal como está, tu podes ir ao supermercado e nada te diz que tens de ir ao supermercado ali da esquina. Eu sei que não podes mudar de concelho para ires às compras. Mas imagina que vives, por exemplo, em Lisboa. Nada te impede de andares ali um bocado na Circular para a frente e para trás, a caminho do supermercado. Como também não contactas com ninguém, não há propriamente um incumprimento em relação ao isolamento social a que estamos obrigados.

Então se eu não fizer isso, o que acontece ao meu carro, Alfredo?

Se não fizeres isso, corres o risco de entrar em despesas. Os motores a gasóleo têm uma segunda forma de regenerar o filtro de partículas, que denomina-se regeneração ativa, mas também, neste caso, precisa de, no mínimo, 15 minutos a uma velocidade de 80 km/h. Se fizeres exclusivamente deslocações mais curtas, estas impedem que o sistema funcione e, mais cedo ou mais tarde, isto poderá ser mais evidente num carro com mais quilómetros e mais antigo do que num carro com um, dois anos. Mas dizia eu, mais cedo ou mais tarde, vais ter o filtro entupido e vais ter que ir à oficina para o desentupir, ou então tens de comprar um novo se ele já não tiver recuperação.

E os 1000 €, não é? Que falavas há pouco.

E aí já são 1000 €.

Alfredo Lavrador junta-se a nós sempre na Operação Stop à quarta-feira. Alfredo, obrigada pelos esclarecimentos. Até para a semana.

Tchau, Ana. Tchau, Aníbal.

Tchau.