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Olá e sejam bem-vindos a mais um episódio de "Pela Sua Saúde", o podcast que põe a saúde em primeiro lugar e que procura analisar o estado da saúde em Portugal. Hoje falamos sobre o desafio de reforçar a produção industrial farmacêutica em Portugal e também na Europa. Tenho comigo Paulo Rios de Oliveira, membro do Conselho de Administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a AICEP. Bem-vindo e obrigado, antes de mais, por ter aceitado este convite, Paulo Rios.
Boa tarde, João. Muito obrigado. Cumprimento o João e também os ouvintes da Rádio Observador.
Muito bem. Paulo Rios de Oliveira, entre 2013 e 2023, portanto, no espaço de 10 anos, as exportações da indústria farmacêutica cresceram 285%. Em termos de produção, o setor representou 1,3% do PIB em 2023. Podemos dizer que este setor, o setor da indústria farmacêutica, é um verdadeiro caso de sucesso ou até mesmo um unicórnio na economia portuguesa?
O setor da indústria farmacêutica tem tido, de fato, uma performance que o distingue de quase todos os demais. Se os números, por si mesmos, já nos dão a indicação desse êxito, vale a pena explorar um pouco os números e tentar perceber o porquê. Eu tive a oportunidade de estar com a Apifarma em Milão, na maior feira mundial da área da saúde, e percebi nas conversas que tive lá, nos stands que visitei e nos empresários com quem contactei, percebe-se um bocadinho melhor por que é que de fato esta indústria está a ter êxito. Porque tem, e isso foi uma surpresa boa para mim, muito clara na sua cabeça a sua estratégia, sabe o que é que tem que fazer, tem capacidade econômica para concretizar o que tem que fazer e sabe como é que vai crescer. Ora, esta clarividência apoiada em talento e ainda por cima apoiada em inovação, eu diria que é a chave do sucesso. Aliás, basta percebermos, João, confessadamente eu perguntei, o mercado da indústria farmacêutica em Portugal não está à venda. Tem compradores, tem interessados, mas não tem gente disposta a vender. Por que será? Porque tem êxito e está a crescer.
Na sua opinião, Paulo Rios de Oliveira, o que é que tem mais contribuído para este crescimento da indústria farmacêutica em Portugal?
A indústria farmacêutica em Portugal tem exatamente as características que todos nós estamos neste momento a correr atrás, permita-me a expressão. Ou seja, esta é uma indústria marcada muito pela inovação, uma palavra que hoje em dia se fala muito e ouvir-se-á falar muito mais no futuro, mas que eles já praticam há muitos anos. É marcada pela busca e retenção do talento, que é um tema que também se tem ouvido falar muito e se irá ouvir falar mais no futuro, bem como uma capacidade grande de adaptação ao mercado. E ela pode mesmo crescer, porque as nossas empresas e as nossas indústrias têm demonstrado não só resiliência, mas também ambição. Isso não é tão comum. Portanto, eu estou convencido que os fatores críticos deste sucesso estão exatamente a apostar naquilo que deve ser a aposta da economia nacional: inovação, talento, foco, clareza na estratégia e, principalmente, também é importante ter, apesar de tudo, instituições públicas que ajudem, porque nós estamos a falar de um setor altamente regulamentado.
Pois, por falar em instituições públicas, em Espanha, por exemplo, a indústria farmacêutica é um dos pilares do plano de recuperação e resiliência. Ainda há tempo para fazer de Portugal um hub de inovação farmacêutica, aproveitando programas como este, o PRR, Paulo Rios de Oliveira?
Temos que ter ambição, mas pedem-nos também que tenhamos um pouco os pés no chão. Há pouco tempo eu perguntava um caso de êxito em Portugal, de uma indústria farmacêutica que fatura centenas de milhões de euros, e alguém me dizia: "Sim, é um êxito, mas no contexto europeu é o que é e tem a dimensão que tem". Portugal, nós somos enormes, a nossa ambição deve ser grande, mas temos consciência do nosso tamanho e da capacidade que temos de crescimento e de enfrentar colossos europeus, e não só nesta área. Assim sendo, nós temos o direito e o dever de ser ambiciosos, mas temos que ter a consciência que o nosso mercado não é o mercado espanhol. As nossas empresas não têm o músculo, a escala e a dimensão de algumas empresas europeias e também espanholas. E, portanto, nós podemos ser, e estamos a ser, um caso de êxito à nossa medida. Agora, que nós temos muito para beber nesta indústria, outras áreas, aí eu tenho a certeza absoluta, porque os temas de que me falam, que estão a fazer, são os temas de que eu falo que outros deveriam estar a fazer. Por isso, alguma coisa aqui é diferente.
Pois, sobre o PRR, acha que ainda há tempo ou não para canalizar esta ajuda pública para a inovação farmacêutica?
Eu creio que sim, até porque esse diálogo existe, já existe. Aliás, como sabe, eu cheguei à AICEP há relativamente pouco tempo. A minha curva de aprendizagem teve que ser muito rápida, mas esse diálogo já existia e continua a existir. Não houve nenhuma mudança desse ponto de vista das intenções do próprio governo em aprofundar a sua relação com esta indústria e, portanto, oxalá o PRR seja também uma ferramenta Há pouco tempo eu dizia, mais em jeito de provocação, que esta indústria está preparada para enfrentar os desafios do futuro e especialmente numa Europa que fala em inovação e industrialização. Se é esse o tema da Europa, é esse o tema da nossa indústria e o que eles pedem às instituições públicas, dizia eu meia sério, meia a brincar, é ajudem ou pelo menos não atrapalhem. Nós somos mais ambiciosos do que não atrapalhar. Estou convicto que podemos mesmo ajudar e o PRR pode ser uma arma, embora o relógio esteja a contar os minutos, porque como sabem, o PRR tem prazo de cumprimento muito apertado.
Muito apertado. E termina já em 2026. Paulo Rios de Oliveira, a pandemia expôs as consequências do desinvestimento industrial na Europa e também do preço da dependência de mercados terceiros. Quase cinco anos depois dos primeiros casos de Covid-19, que lições, na sua opinião, foram aprendidas e o que é que mudou a nível europeu?
Eu acho que com todos os defeitos e o drama que foi esta epidemia, esta pandemia, há uma coisa que isto mostrou. Primeiro, veio revelar a enorme capacidade de trabalho em rede e em grupo. A resposta europeia foi mesmo uma resposta generalizada, não tratou cada país de si, mas também pôs a nu as fragilidades que a própria Europa enfrenta. Pôs a nu, por um lado, relativamente à origem da própria pandemia, relativamente à China, mas também a reboque dessa reflexão, pôs a nu um conjunto de áreas em que a Europa está sujeita, entre aspas, a outras epidemias ou outras pandemias, porque a Europa de repente dá por si a descobrir que em várias áreas estratégicas nós estamos claramente atrás. E também nesta área estamos atrás. Também nesta área, nós não estamos a ter a produção, a inovação e a criação de novas soluções e novos medicamentos ao ritmo que outros países estão a ter, nomeadamente os Estados Unidos. Portanto, se a pandemia, se para outra coisa não serviu, há duas em que eu acho que ficou muito evidente. Primeiro, a resposta global mostrou-se muito mais adequada do que a resposta mais egoísta ou parcial. Foi muito mais eficaz ser uma resposta europeia. E segundo, a Europa não está preparada para os desafios que enfrenta e o relatório Draghi é para ser lido com atenção, porque, de facto, nós estamos a ser ultrapassados por outras grandes potências.
Começámos esta nossa conversa a falar precisamente do potencial da indústria farmacêutica, com números, dizendo que é um bom exemplo de um setor que acrescenta valor à economia portuguesa. Temos capacidade para fazer mais e fazer melhor em Portugal, Paulo Rios de Oliveira?
Temos, claramente. E quem o diz não sou eu, porque este tipo de coisas não se decretam nem se declaram, praticam-se. E para saber se temos capacidade para responder e para crescer, nada como falar com o setor, nada como falar com a associação principal do setor, a Apifarma. E quando falamos com eles, eu tenho que confessar, João, que aquilo para mim foi um suplemento d'alma, porque falar com eles foi falar das coisas com que nós andamos a falar por todo lado, que é querer crescer, querer ganhar escala, querer obter mais talento, apostar em inovação. E portanto, os empresários desta área, da indústria farmacêutica, dizem que querem crescer, mas não dizem só, estão a crescer, estão a investir e não estão a investir meia dúzia de milhões. Estão a investir muito porque apostam nessa capacidade de nós termos de crescer. Portugal é cada vez mais um país confiável. Hoje, confesso-lhe, passei o meu dia em reuniões em diversas áreas e em nenhuma delas eu ouvi que a etiqueta Made in Portugal ou origem Portugal tenha sido desprestigiante ou desvalorizadora dos produtos. Portanto, Portugal está a crescer em prestígio, em capacidade, em know-how, e esta indústria pode crescer e quer crescer. Saibamos nós retirar ensinamentos dela e apoiar quem merece ser apoiado.
Muito bem, então que medidas apontaria para aumentar o potencial da internacionalização das empresas e aumentar as exportações deste setor?
Repara, tendo a AICEP por função, uma das funções, são duas, uma delas é captar investimento e outra delas internacionalizar as nossas empresas, que é uma área em que eu estou até mais dedicado. Há uma coisa que nós não conseguiremos: não conseguiremos crescer se não souberem que nós existimos. Têm que saber que nós existimos e que nós fazemos bem. Uma das áreas em que eu acho que nós podíamos fazer diferente era naquilo a que nós chamamos na AICEP, missões inversas, ou seja, vamos encontrar lá fora os grandes players, vamos encontrar lá fora quem está a crescer e está a procurar novos mercados e novas geografias e mostrar o que de bom se faz em Portugal. Trazê-los cá, levá-los às empresas, mostrar-lhes o nosso modelo, mostrar aquilo que estamos a fazer em termos de inovação e com isso atrair esse investimento. Quem é que pode fazer isso melhor que ninguém? A AICEP. Tem esse dever e é para isso que existe. Estamos muito empenhados nisso. Há muito pouco tempo, no Congresso Apifarma, estava presente a doutora Paula Barriga, que nos falava de uma empresa internacional que busca exatamente parceiros na Europa para os seus investimentos na área farmacêutica. E, portanto, com ela estou a tentar já organizar uma reunião, porque a AICEP existe exatamente para correr atrás desse investimento.
Paulo Rios de Oliveira, questões como a carga fiscal, a burocracia, são entraves ao investimento e até mesmo às exportações?
São. Se eu dissesse que não eram, estava aqui a brincar com as palavras. Claro que são. A carga fiscal claro que é um custo de contexto, obviamente. Aliás, por causa disso e dentro daquilo que são as nossas funções à AICEP, uma das funções que é nosso dever e é nosso propósito é, relativamente a investimentos estrangeiros, tentar eliminar, combater, tornear, no bom sentido da palavra, os custos de contexto, porque a empresa quer se instalar e tem um problema de licenciamento, quer se instalar e tem um problema, por exemplo, de energia, que é muito típico, quer se instalar e precisa do licenciamento da APA ou do licenciamento municipal ou de alguma coisa ligada, por exemplo, às águas. Tudo isto faz perder tempo. Tudo isto quando Portugal concorre, e quantas vezes nós concorremos, em circunstâncias em que estão em causa também outros interessados, nomeadamente em países de leste, ter respostas prontas e rápidas faz toda a diferença. Portanto, sim, a questão fiscal é importante e embora o governo esteja a tentar baixar a carga fiscal, nomeadamente através da RC, achamos que é uma medida feliz para este efeito. Sim, temos outros custos e compete às entidades públicas, nomeadamente à AICEP, tentar combater estando próximo das empresas e tentando gerar nos nossos investidores internacionais essa confiança, porque acredite, João, o que eu faço profissionalmente neste momento, se me permite a expressão, é vender Portugal. É mostrar que o meu país tem algo de extraordinário. E acredite que eu olho e nós temos mesmo muitas coisas extraordinárias que competem de igual para igual com muitos outros países. Temos alguns senãos? Sim, se calhar, temos o senão às vezes na carga fiscal. A nossa localização geográfica tem virtudes para alguns efeitos e levanta dificuldades para outros efeitos, mas Portugal é um país altamente competitivo. Saibamos nós ter a ambição e concretizar as oportunidades que temos e Portugal tem tudo para crescer e atrair mais investimento.
Muito bem, Portugal que faz parte do bloco europeu. O que a Europa pode fazer para atrair e facilitar investimentos na área industrial dos países enquanto bloco económico?
A Europa, na mesma medida em que tem que se defender de algum tipo de concorrência, que eu diria menos transparente ou menos leal, a Europa impõe, e bem, um conjunto de limitações, condições, constrangimentos de natureza ambiental, e não só, e regulamentar, também tem que perceber que as nossas empresas europeias não podem concorrer de igual para igual com empresas estrangeiras ou, se quiser, fora da Europa, que não respeitam esses princípios. E este tipo de concorrência é absolutamente desleal e desproporcional. Portanto, a Europa tem que se proteger para que toda a gente parta do mesmo princípio. Agora, depois de as empresas escolherem a Europa como destino do seu investimento, compete de fato à Europa promover que esse investimento se instale. Promover o quê? Promover mais investimento. Temos falado muito da industrialização. Sim, agora temos de dar condições às empresas para que sintam que a Europa, na comparação com outras geografias, é o local certo. Nós temos, de facto, um mercado interno de 500 milhões de pessoas, que é por si mesmo interessante. Uma empresa, depois de estar instalada na Europa, como sabe, fruto da realidade fiscal e não só, consegue, apesar de tudo, mesmo nas diferenças que existem entre países, consegue obter vantagens várias. Agora, para nós atrairmos, temos de tornar tudo mais simples, tudo mais rápido, porque entretanto já está a ficar tudo mais transparente. O nosso problema, eu acho, é conseguir fazer com que a Europa seja competitiva e neste momento eu não sei se é.
E de que forma é que a aposta na internacionalização das empresas farmacêuticas portuguesas incentiva a inovação e a competitividade em Portugal?
Porque a indústria farmacêutica, por natureza, é uma indústria que requer talento e inovação. E, portanto, quanto maior for o nosso setor da indústria farmacêutica, garantidamente mais doutorados nós teremos, mais capacidade, mais vamos buscar saber à academia, porque por natureza elas vivem disso. Uma discussão que existe hoje, por exemplo, na União Europeia, diz respeito à duração das patentes, que é um tema crítico para os interesses de Portugal, na minha opinião, muito mais para quem faz muita inovação e investigação. E esse tema é um tema importante para Portugal. Por quê? Por que é importante para Portugal a duração de uma patente? Porque para obter a patente é preciso um elevado investimento. E Portugal está preocupado por quê? Porque nós investimos em inovação. Esta área investe em inovação e, portanto, se investe em inovação, quanto maior for a área, mais se caracterizará por retenção de mais talento ou obtenção de talento e inovação. Se Portugal só cresce se apostar mais na inovação e no talento, encontrem uma área que seja o exemplo disto. Eu respondo: é a indústria farmacêutica. E os números comprovam-no.
E Paulo Rios de Oliveira, há planos para incluir a indústria farmacêutica no plano estratégico da AICEP e reforçar a posição deste setor na estratégia de internacionalização em Portugal ou não?
A AICEP, muito honestamente, mais do que encontrar aqui quatro chavões, nós trabalhamos bastante em função da qualidade dos projetos, da ambição e da credibilidade dos próprios promotores. E, portanto, há uma coisa que lhe garanto que o setor da indústria farmacêutica sabe. A AICEP, neste momento, está profundamente empenhada em nos apoiar, retirando da frente deles aquilo que são custos de contexto ou dificuldades ao seu crescimento e à sua afirmação. Sabe, porque nós estamos presentes, porque nós queremos estar mais presentes e, portanto, eles sabem que contam conosco. Se o plano estratégico diz expressamente indústria farmacêutica ou não, não sei se diz esse, não sei se diz outros. O que está mais em causa é saber: este setor merece ou não merece a nossa aposta? A resposta é muito simples: eles já estão a ter êxito. São um caso de êxito, porque eles estão a fazer aquilo que o senhor Ministro da Economia, e bem, anda a falar em Portugal e no estrangeiro. Maior aposta em inovação, ambição, crescimento, retenção de talento. Se eles estão a fazer e estão a fazer bem, nós queremos apoiá-los. E até digo mais, eu próprio quero apoiá-los e fazer deles algum benchmarking para poder, junto de outros, dá-los como exemplo de que resulta se nós apostarmos na inovação, tivermos ambição e tivermos também uma estratégia clara na cabeça.
Na cabeça, muito bem. E que áreas é que precisam de mais impulso em Portugal? A formação científica, as parcerias entre a indústria e as universidades ou a infraestrutura industrial propriamente dita, Paulo Rios de Oliveira?
Eu sempre tive muitas opiniões. Eu agora não tenho opiniões. Eu agora já não tenho opiniões. Agora eu ando todos os dias a visitar, a ouvir, a conversar, a debater estes temas. O que eu acho? Primeiro, Portugal, por ser um país relativamente pequeno em dimensão, isso não faz de nós menos que os outros, mas retira-nos escala e nós temos que ganhar escala. Nós temos que ter medidas que realmente apoiem as empresas, seja para trabalhar em consórcio, seja para promover fusões, para poder concorrer projetos de maior músculo ou maior intensidade ou tamanho. Segundo, está a acontecer um fenômeno, na minha opinião, muito interessante. Durante anos e anos, ouvimos dizer que há um divórcio entre a academia e as empresas. Ou seja, a academia sonha e estuda, mas depois a concretização prática desse pensamento, que é tão importante, não chega às empresas e não se transforma esse saber em valor económico. Honestamente, o que eu estou a ver é que isto está completamente apreendido pelas empresas. Cada vez mais eu vejo parcerias que juntam empresas com a academia, juntam empresas com centros de saber. Portanto, desse ponto de vista, eu sei que eu sou um otimista, os meus amigos dizem que eu sou otimista, mas desse ponto de vista, tenho visto com enorme interesse e também algum entusiasmo, que cada vez mais as empresas perceberam que na academia podem beber muita da reflexão que precisam de fazer e depois, obviamente, transformar em projetos economicamente sustentáveis e viáveis. Portanto, por aí, estamos no bom caminho. Está tudo feito? Claro que não, mas sinto que estamos no bom caminho.
Há sempre margem para melhorar, não é, Paulo Rios de Oliveira? Nós tivemos a oportunidade de ouvir já noutros episódios do "Pela Sua Saúde" este número. Em 2023, o ano fechou com um recorde de 3,3 mil milhões de euros em exportações em saúde, e este ano o valor também poderá ser superado. Em que patamar é realista pensar nos próximos anos?
Bem, a área da saúde é uma área que tem vindo a crescer. Existe a velha discussão se a saúde não tem um custo, tem um preço, tem um valor, mas eu acho que aquilo que nos demonstra a realidade é que, até pela própria evolução demográfica, a área da saúde é uma área que nos vai exigir aporte de mais dinheiro. Parece-me claro. Mesmo com o aparecimento da inteligência artificial ou mesmo com os novos processos, nomeadamente na área da saúde, que são muito visíveis, é uma área onde essa presença cada vez é mais visível, eu acho que vai haver ou continuar a haver uma pressão grande sobre a saúde e as suas instituições no sentido de crescer. Portanto, sendo este, pelo lado, entre aspas, negativo, um preço a pagar da nossa maior esperança de vida e também do número de pessoas que acedem aos cuidados de saúde, também existem aqui oportunidades para quem vende serviços ou produtos ligados à saúde. E Portugal tem tudo para crescer, até porque na nossa balança comercial, eu estou a crer Portugal até está longe de ser um país liderante na União Europeia. Nós temos aqui coisas que podemos fazer ainda e podemos crescer, não só pelo crescimento natural do mercado da saúde, que me parece que vai continuar, feliz ou infelizmente, vai continuar a ser cada vez de valor maior, mas também pela qualidade ou pelo crescimento da própria indústria portuguesa. Espero que assim aconteça e, principalmente, não como era muito bom que acontecesse, mas como está a acontecer, eu vejo isso acontecer, eu olho para os projetos, eu olho para a ambição das nossas empresas e eu vejo que, de facto, nós estamos a crescer. E estamos a crescer a uma velocidade superior à média.
À média.
Portanto, temos motivos, não é para ficar descansados, mas para ficar animados, porque o que está a ser feito, aparentemente, está a ser bastante bem feito.
Muito bem. Muito obrigado, Paulo Rios de Oliveira.
Ora essa. Muito obrigado eu, João. E vamos manter todos otimismo e ambição, é o que eu desejo.
Voltaremos em breve para continuar a falar de saúde em mais um episódio de "Pela Sua Saúde". Até lá.
Muito obrigado, boa tarde.