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Depois de ouvir aquelas audições, o que é possível retirar?

De facto, as divergências. Há versões muito diferentes e isso será um ponto importante agora para a audição de João Galamba, que será necessariamente confrontado com essas discrepâncias. Depois podemos ver ontem também um conjunto de coincidências estranhas. Desde as câmaras que não estavam a funcionar, depois as mensagens que de alguma forma se apagaram, mas também não se percebe bem como. O SIS, que foi chamado também a intervir em moldes que também parecem altamente questionáveis. Portanto, há aqui um conjunto de aspetos em aberto sobre os quais certamente também a audição de João Galamba vai incidir.

E, portanto, as atenções ficam cada vez mais centradas na audição desta tarde do ministro. Ouvindo ontem duas versões tão diferentes, pode haver uma síntese daquilo que saiu de ontem?

Eu acho que é difícil. Provavelmente alguém está a mentir. Eu tenho alguma dificuldade em aceitar a possibilidade de que, perante as discrepâncias das versões, que possam ser meros problemas de percepção ou de entendimento relativamente aos mesmos factos. Parece-me que haverá mesmo aqui, da parte de alguém, de facto, mentiras. Pode ser difícil também apurar o que é que efetivamente se passou. Parece-me claro que isto acrescenta politicamente ao desgaste de João Galamba. Não é de todo normal que um ministro e o seu gabinete, importa recordar, as discrepâncias são entre pessoas que ainda há pouco tempo eram todos colaboradores próximos do ministro João Galamba. Não é de todo normal que tenhamos um ministro a passar por uma situação destas, eu diria até independentemente de qual pode ser a versão verdadeira, ainda que obviamente haja cenários em que, se esses cenários forem verdadeiros, a situação é ainda mais grave e substancialmente mais grave para João Galamba.

Atingindo também diretamente já o Primeiro-Ministro, André Azevedo Alves.

Sim, parece-me que sim. E aqui de duas formas. Primeiro, pela cobertura política, nomeadamente enfrentando e abrindo um conflito institucional com o Presidente da República, que António Costa optou por seguir, por essa cobertura política que António Costa optou por dar a João Galamba, não só segurando João Galamba, mas segurando João Galamba de uma forma que desafiou publicamente o Presidente da República. E agora, em segundo lugar, e creio que de forma crescente, pela atuação do SIS. Sendo um serviço que está diretamente ligado ao Primeiro-Ministro e que há aqui uma responsabilidade direta do Primeiro-Ministro, parece-me que crescentemente também esclarecer estas dúvidas e estas nuvens cinzentas que se levantam sobre o que poderá ter sido um abuso de poder e uma atuação indevida e um pedido de atuação indevida por parte de alguém ligado ao Governo relativamente aos serviços de informação, parece-me que é uma segunda frente na qual também António Costa fica crescentemente envolvido.