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Bayern Munique 3, Sporting 1. Dá a vitória para os bávaros esta partida que, ainda assim, mantém intactas as esperanças do Sporting de seguir para o playoff. Augusto Inácio, algumas mudanças neste 11. Era um 11 difícil de montar por Rui Borges, devido a todas essas ausências. Ainda assim, pareceu-te acertada a forma como Rui Borges abordou este jogo, sendo que há uma primeira parte e depois uma segunda parte bastante diferente.
Sim, eu acho que a estratégia do Rui Borges era aquela que melhor rendimento podia dar aos jogadores do Sporting com os jogadores que tinha à sua disposição. Um sistema que bloqueou completamente aquilo que era as intenções do Bayern de Munique, que era realmente ter uns avanços para chegar à baliza, vacilador, e isso não aconteceu. O Sporting tornou-a quase previsível e deixando praticamente para os extremos do Bayern, em que o Gabriel foi o jogador mais em destaque. Eu diria que o Sporting foi estancando esse volume ofensivo, mas nos primeiros 10, 15 minutos, o Bayern de Munique instalou-se no meio-campo do Sporting e praticamente o Sporting é quase que não saía. Saía mais ou menos por Gianluca Catano, que com Frantz Neder fazem uma dupla muito boa, mas Alison esteve um bocadinho fora do contexto e não deu essa profundidade que o Rui Borges queria. Mas diria que foi um Sporting, sinceramente, um Sporting bem organizado, posturalizado e aos poucos foi ganhando confiança no jogo. Já foi com bola a dividir, já foi com posse, já obrigou o Bayern de Munique a não ter tanto tempo a bola nos seus pés. Eu diria que o Sporting fez uma primeira parte dentro daquilo que se esperava, que era conter a avalanche ofensiva do Bayern e tentando, aqui ou acolá, o contra-ataque. Mas tens razão, a segunda parte foi diferente. Foi diferente e o Sporting até entrou bem. O Sporting entrou melhor que o Bayern de Munique. O Sporting conseguiu marcar um gol, com o Gyökeres a marcar na própria baliza, numa excelente jogada do João Simões. E depois, o Sporting, naquele seu melhor momento, sofre um gol, o empate, uma bola parada em que não está ninguém ao segundo poste e o Bayern consegue empatar. E depois, de seguida, aparece aquele gol, que isso é pro Pedro Henriques, não vai ser para mim, mas claramente aqui sabe beneficiar do Bayern de Munique, de um segundo gol em falta sobre o Suárez e deu o segundo gol ao Karl, em que me pareceu a mim que o Rui Silva fez uma grande exibição em Munique, mas que poderia ter feito mais qualquer coisa nesse segundo gol. E o que é certo é que depois de uma outra bola parada, o Bayern faz o 3 x 1 e o Sporting tentou, sempre à procura do melhor. O Rui Borges apostou o que tinha que apostar com o que tinha no banco. O Rui Borges não podia fazer mais. E Suárez pode ter feito o 3 x 2, não conseguiu fazer. Olha-se pra este jogo e parece que fica qualquer coisa que podia ter acontecido aqui. O Sporting demonstrou aqui em Munique que o Bayern é realmente uma grande equipa, diria uma forte equipa, mas que não é nenhum papão. Ou seja, o Sporting, dentro dos seus argumentos, poderia também ter prendido aqui o Bayern. Mas ganhou o Bayern, que é isso que conta para o futuro. O Sporting sai daqui com a consciência tranquila que tudo fez para sair daqui com pontos. Fica com 10 pontos, é verdade, mas ficou sem menos um jogador importantíssimo para o jogo com o Paris Saint-Germain, que é o Ullman, que é o capitão, e isso pode fazer a diferença nesse jogo.
Ao longo da transmissão da emissão de desporto da Rádio Observador, falamos um bocadinho da prestação do Alisson. Na primeira parte, deixou um bocadinho a desejar, talvez acusando a pressão de um palco deste gênero. Ainda assim, melhorou um pouco na segunda parte.
Melhorou. Mas melhorou o Alisson e melhorou também o Sporting no seu todo, no seu coletivo. A equipa estendeu-se mais, já ia pra esquerda, já ia pra direita, mas Alisson, e realmente no melhor período em que o Alisson estava, agora não sei como é que ele estava fisicamente, o Rui Borges é que sabe, eu acho que ele sai naquele pior momento. No melhor momento dele é quando ele sai. Mas isso são estratégias que o treinador tem, mas uma diferença grande. O Alisson na segunda parte foi bem melhor do que o Alisson da primeira parte.
Tivemos um Rui Silva também em destaque na primeira parte, principalmente, aqui neste outro gol do Bayern. É um remate muito próximo, muito forte, mas também fico com a sensação que poderia ter feito um bocadinho mais. Mas é também uma das figuras desta partida, principalmente na primeira parte, segurar ali alguns lances importantes.
É verdade. Grande exibição do Rui Silva, independentemente daquele segundo gol. Eu diria que Rui Silva, o Maxi Araújo, o Gianluca Catano e o João Simões foram os quatro melhores jogadores do Sporting e claramente que Rui Silva dá uma segurança muito grande à equipa. Aqui ou acolá, poderia, como no segundo gol, talvez feito um bocadinho melhor, mas isto é difícil estarmos a dizer isto com esta certeza toda, porque o remate também é um bocadinho à queima, mas diria que Rui Silva na primeira parte salva o Sporting de chegar ao intervalo, não estar a perder, devido a três ou quatro excelentes defesas que fez.
Vamos também olhar para o que falta desta Liga dos Campeões. O Sporting não tem de todo hipotecada a passagem ao playoff. Há Paris Saint-Germain sem Ullman, como estavas a falar, mas esse ponto que poderá faltar aqui ao Sporting será conquistado, sendo que até Os 10 até podem chegar. Como o Mourinho dizia que com nove chegava lá.
Eu não acredito que com nove chegue lá. Com 10, fico na dúvida. Com 11, tenho a certeza que pode passar. E o Sporting precisa desse ponto. O Paris Saint-Germain é o campeão europeu, mas o Sporting da maneira como jogou hoje, com essa personalidade toda, o Yorum é um jogador muito importante na equipa e isso pode ser um fator negativo para essa partida. Mas o Rui Borges vai ter que arranjar uma solução boa para ali e naturalmente que o Sporting em Alvalade vai fazer tudo por tudo para ganhar o jogo ao PSG e se conseguir empatar já será um excelente resultado, aquele ponto que pode dar passagem à fase seguinte.
Ainda assim, ainda falta muito para essa partida. Há jogos importantes no campeonato e não só, e o Sporting também está a ver ainda a liderança da liga à distância. Isto toma-se em linha de conta em jogar estas competições todas. O Sporting também não pode quase pôr a carne toda no assador, porque o campeonato continua a ser a sua grande prioridade.
O campeonato é a prioridade do Sporting, o campeonato é a prioridade do Benfica, o campeonato é a prioridade do Porto. É sempre a grande prioridade.
Mas este é um jogo que dá alguma moral também.
Qualquer equipa das três grandes, em qualquer competição que entre, desde que não ganhe ou seja eliminado, como foi o caso do Porto, por exemplo, com o Vitória, é sempre um fracasso, quer queiramos, quer não. Agora, o Porto, com este fracasso, entre aspas, com o Vitória, livra-se provavelmente de dois jogos exigentes em janeiro, como é as semifinais e a final da Taça da Liga. Isso, parecendo que não, vai desgastar muito o Sporting e o Benfica, no caso do Sporting ganhar ao Vitória e o Benfica ganhar ao Braga, são dois jogos, e depois há um Benfica-Sporting na final, se isso acontecer, são dois jogos de exigência física e que pode também trazer outras coisas negativas, como é o caso de lesões, devido ao esforço que os jogadores têm. E o Porto vai estar livre disso. Agora, claramente, acaba-se este jogo do Bayern de Munique, fica-se logo a pensar no jogo seguinte, e o jogo seguinte é o Sporting que vai jogar com o Aves, que é um jogo, em princípio, fácil, porque é o último classificado, não tem nenhuma vitória no campeonato. O Sporting aí pode fazer gestão do esforço dos jogadores, mas diria que o Sporting já tem que estar a pensar nesse jogo, porque depois as jornadas vão acontecendo e o Sporting tem sempre aquela cruz carregada de cinco pontos atrás do foco do Porto. E o Sporting, se quiser se aproximar do foco do Porto, em primeiro lugar, tem que ganhar os seus jogos. E depois esperar que o Porto possa aqui ou lá escorregar, mas tem que ganhar os seus jogos e claramente cada jogo que o Sporting faça é sempre uma final.
Augusto Inácio, a quem atribuis o sinal mais deste Bayern de Munique 3 x Sporting 1?
Para mim, o grande craque deste jogo foi o Rui Borges. A forma como implementou a equipa, a forma como construiu, a forma como o Sporting se posicionou, foi realmente um trabalho grande do Rui Borges e da sua equipa técnica. Por isso eu diria que independentemente de alguns jogadores que eu já elegi aqui, que o Rui Borges foi realmente, embora não tivesse ganho o jogo, mas viu-se que estava ali dentro de treinador.
E o que é que retiras de menos positivo nesta partida?
A falta de concentração e de foco nas bolas paradas que o Sporting sofreu dois gols, principalmente o primeiro, em que aquilo não pode acontecer. Aqui em Portugal, um ou outro deslize, se calhar, não dá gol. Na Champions, dá logo gol e ditou também um vencedor, que em momentos do tempo do jogo, se estava aqui na expectativa que o Sporting poderia também ganhar esse jogo. E esse gol veio realmente dinamitar, e de que maneira, aquilo que era a força do Bayern de Munique.
Está feito mais um relatório de jogo desta feita para o Bayern de Munique-Sporting, que contou com a análise do Augusto Inácio. Augusto, muito obrigado, muito boa noite e até à próxima.
Boa noite, um abraço.