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Noutro dia tive que tirar as meninas às duas horas da manhã e pô-las a dormir no sofá, porque andava lá uma na parede. Já é trauma.

Andreia Oliveira vive com os três filhos em Águas Santas. Em todos os verões que passou na casa, lutou contra o trauma das baratas, mas este ano a praga aumentou.

O ano passado nós já tivemos aqui baratas, mas este ano está muito pior. Este ano elas estão em todo lado. Se a gente abrir o portão, elas andam na rua. É impossível dar uma caminhada a pé com os miúdos, é impossível estar no terraço aqui ao fim do dia.

Assim que começa a anoitecer, Andreia vê-se obrigada a fechar todas as janelas. É durante a noite que os moradores da zona de Corga veem as baratas a sair dos esgotos. Mesmo com todos os cuidados, são obrigados a gastar muito dinheiro para impedir invasões dos insetos.

Tenho posto veneno para as baratas, tenho posto hipoclorito, sempre à noite, lixívia, lavanda, tudo o que eu vejo que possa afastar.

Andreia não é caso único. A primeira queixa recebida pela Câmara Municipal da Maia foi a 29 de julho. Só este ano, em toda a autarquia, já foram registadas quase 50 ocorrências relacionadas com a presença de baratas. Depois disso, o procedimento é igual em todos os casos. Assim que é feita a denúncia, a Câmara Municipal parte para a limpeza dos coletores dos esgotos. Esta semana, a autarquia seguiu estes passos, mas os moradores pedem mais.

Há meia dúzia de anos andava também uma infestação assim de baratas, andaram aqui a pulverizar as ruas, depois deixaram de andar aqui há três anos. Isto está a ser insuportável.

José Lopes pede trabalhos mais constantes na limpeza dos esgotos e os peritos consultados pelo Observador concordam. Segundo os especialistas, as câmaras poupam demasiado nestes serviços, o que depois se reflete na qualidade do trabalho. Além disso, a aposta deve ser na prevenção de um fenômeno que será cada vez mais frequente, sobretudo no verão. Nos últimos dias, a Câmara Municipal da Maia já esteve no terreno. A autarquia faz agora limpezas para travar uma praga que tem incomodado a vida de muitos moradores.

Nos braços e nas pernas