Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O repórter Mário Silva da Costa está junto ao Parlamento, em Lisboa. Mário, são muitos professores que esta noite montaram a e tenda em frente à Assembleia da República?

Bom dia, Diogo. Estão aqui cerca de 30 tendas em frente ao Parlamento, num protesto que se seguiu, como dizias, à manifestação de profissionais de educação que teve ontem aqui na capital do país. As tendas vão cá ficar, os professores vão cá ficar até terça-feira, num protesto pela escola pública, pela defesa da escola pública. Dizer que as tendas estão dispostas ao longo do passeio e no centro está o caixão da escola, no seguimento da metáfora que o STOP tem adotado, que representa a morte da escola pública. Junto a mim tenho o André Pestana, dirigente do STOP. Pergunto-lhe qual é o simbolismo deste acampamento aqui junto à Assembleia da República.

Este acampamento de docentes e não docentes, o simbolismo aqui à frente da casa da democracia, é precisamente para demonstrar que, infelizmente, além da escola pública estar a ser atacada, ou seja, uma escola pública de qualidade para todos que lá trabalham e também que estudam, ou seja, os nossos alunos, também neste momento, como é público, está a haver um ataque fortíssimo ao direito à greve, um direito constitucional, e por isso queremos estar aqui simbolicamente até terça-feira, também para demonstrar, e as tendas demonstram também a precariedade que cada vez mais os professores neste momento estão a sofrer, não só os não docentes, com salários miséria, os docentes do quadro que poderão ter que se deslocar agora para escolas do mesmo QZP, etc. E por isso estamos aqui e apelamos a que toda a sociedade seja solidária. Houve uma sondagem, como sabe, que saiu ontem, salvo erro, que demonstra que a maioria da população portuguesa está a favor das reivindicações dos docentes e não docentes. Apelamos a que venham se juntar aqui hoje, domingo, segunda, até terça de manhã, porque estamos aqui também a lutar por melhores condições para os seus filhos, para os vossos netos.

Dizia-me há pouco que as condições deste acampamento são adversas, que estão a dormir mal. Ainda assim, não houve motivos para abandonar o protesto devido à situação que atravessam.

Sim, de facto, foi uma noite fria, mas sem dúvida, se dúvidas houvesse, os profissionais de educação, docentes e não docentes, estão determinados a levar esta luta, porque no fundo, esta luta é a luta das nossas vidas, porque é muito superior a cada um de nós. Nós sabemos que o que ficar para a escola pública, também vai ficar para as gerações vindouras, para os nossos alunos, para os nossos filhos, para os nossos netos, e por isso esta determinação vai continuar, com formas eventualmente mais criativas, menos criativas. Vamos novamente em março fazer reuniões com as comissões sindicais e de greve. Mas acima de tudo, o que é importante é que as pessoas saibam. Os professores e os não docentes deram o seu melhor durante estas últimas décadas. Se dúvidas houvesse, na pandemia ficou demonstrado. Vamos continuar a dar o nosso melhor, mas como viram, muito antes destas greves, já havia dezenas de milhares de alunos sem aulas a uma ou mais disciplinas, não por causa das greves, não por causa dos protestos, mas por quê? Porque desvalorizou-se tanto quem trabalha nas escolas que não compensa financeiramente, por exemplo, um professor do Norte vir dar aulas para o Sul. E por isso é que também exigimos a tal valorização para docentes e não docentes, porque, de facto, essa não valorização prejudica milhares e milhares de alunos que antes das greves, como eu disse, e antes destes protestos, estavam já a sofrer devido a estas políticas.

Muito obrigado. Por aqui continua então montado o acampamento dos professores, que vai continuar junto à Assembleia da República até terça-feira. Tem também algumas tarjas a pedir respeito, dignidade e também justiça, nesta que é uma nova ação de protesto em defesa do ensino público e dos direitos dos profissionais de educação.