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Este momento é um momento decisivo de clarificação da União Europeia. E mais do que uma questão financeira ou do que uma questão económica, é mesmo uma questão política, que é saber que Europa nós podemos ter com estes 27 países. Nós já tínhamos percebido na crise migratória que a Europa não estava à altura de responder em 27 à crise migratória, que havia pelo menos uns quatro países com que não podíamos contar. Agora sabemos que, se calhar, não conseguimos responder a um desafio desta natureza a 19, porque há pelo menos um país da zona euro que, de facto, resiste a compreender que partilharmos uma moeda comum implica partilhar um esforço comum. E aqui não é uma questão de solidariedade, é uma questão de racionalidade. Solidariedade é um termo que se pode empregar quando há um país que tem um problema específico que o atinge a si próprio. Há um país que está devastado por um tremor de terra que o atingiu. Aí põe-se a questão da solidariedade. Aqui não é uma questão de solidariedade, nós somos todos atingidos por igual e esta pandemia põe em causa o funcionamento do próprio mercado interno como um todo. Todos tivemos que nos fechar ao mundo, fechando as fronteiras externas, todos tivemos que ir fechando as fronteiras internas, todos estamos com as nossas economias paralisadas e, portanto, esta crise é um caso, eu diria, de manual, de como um choque exógeno atinge por igual todos, paralisa igualmente todos e põe em causa o mercado interno. E se perante isto não há a racionalidade suficiente para perceber que temos mesmo de responder em conjunto e não há a coragem de resistir ao populismo, e se tem medo das eleições que vão existir no próximo ano, e se começam a ter atitudes, tendo em conta os critérios eleitorais e não a responsabilidade que temos para com o conjunto de cidadãos da União Europeia, então isso, de facto, leva-nos a interrogar se podemos ter uma zona euro com estes 19 ou se, de facto, temos que ter outras formas de organização no interior da Europa. Porventura, pessoas como o presidente Macron, que têm dito que com esta composição não vamos lá e que temos que reforçar os mecanismos de cooperação reforçada de uma Europa de geometria variável, provavelmente têm visto demonstrar que, se calhar, tinham razão. Eu, pessoalmente, provavelmente por ser irritante e otimista, gostaria de acreditar que a Europa é mesmo possível de fazer a 27, que a zona euro é mesmo possível de fazer a 19, mas para isso é preciso que todos tenham a capacidade política de compreender que não podemos estar todos reféns dos populismos eleitorais e que este é o momento de clarificação política da Europa. Mais do que uma questão económica, mais do que uma questão financeira, é uma questão política que está aqui colocada e o que temos que saber é se podemos seguir a 27, se podemos seguir a 19 ou se alguém quer ficar de fora.
Está a falar de Holanda.
Holanda, claramente.