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12 anos depois, Portugal volta a ter uma equipa nas meias-finais de uma prova da UEFA. É a segunda vez do Sporting de Braga, que já esteve na final de 2010/2011 contra o Futebol Clube do Porto. Neste jornal das 20h, temos agora em direto conosco ao telefone o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, eleito pelo círculo de Braga. Hugo Soares, bom dia, bem-vindo e obrigada por estar aqui. Viu o jogo?
Fui acompanhando na medida em que pude, estava numa reunião de trabalho, mas fui acompanhando a marcha do resultado, como evidentemente não podia deixar de ser e como bracarense de gema que sou. Embora, uma declaração de interesse, um registro de interesse prévio. Em Braga e no país, creio, as pessoas que acompanham o fenómeno desportivo sabem que sou adepto do Futebol Clube do Porto, jogo que também fui acompanhando. Embora todos saibem também que nasci e me criei em Braga, vivo em Braga e que evidentemente Braga é o clube da minha terra e vejo que representa o país como nenhum outro nas competições europeias e é motivo de orgulho, evidentemente, para todos os bracarenses.
Portanto, o seu coração esteve ali dividido no final, uma grande alegria pelo Braga e uma desilusão com o Porto. Foi uma questão emocional difícil.
Tal e qual.
Hugo Soares, nestas questões, quando vemos jogos de futebol e acompanhamos competições internacionais, vemos que as divergências políticas dizem pouco nestas alturas. Há uma união nacional, esta palavra não correu bem, há um consenso nacional que não se consegue noutras situações.
Creio que isso é inevitável e é uma verdade insofismável. No fundo, o futebol aproxima os povos, aproxima e une as pessoas nestes momentos, evidentemente, também os separa noutras circunstâncias, mas não deixa de ser impressionante a forma como o Sporting Clube Braga, um clube que não há muitos anos, e as pessoas às vezes esquecem-se, era um clube que lutava para permanecer na Primeira Liga, de um momento para outro, se transforma verdadeiramente num quarto grande no país, portanto títulos nacionais, ganhando títulos nacionais e de repente, no espaço de uma década, isso não é de somenos, está numa final europeia e agora está nas meias-finais com um resultado absolutamente inacreditável, uma remontada, como diriam os espanhóis. Ontem, que foi absolutamente extraordinária.
E o Friburgo... Sim, diga, Hugo.
Não, o que eu ia dizer é que não queria deixar de denotar, porque é também a demonstração de como as instituições conseguem preparar, organizar, para superar resultados. E isso é muito daquilo que o país também devia ser e fazer em muitas outras áreas de atuação.
Ou seja, instituições estáveis. A direção do Sporting de Braga é das mais duradouras do país. Isso é uma boa metáfora também para a governação?
Eu não tinha pensado nisso, mas sublinho o seu apontamento, apenas.
Sublinha o meu apontamento, isso é importante. Vamos procurar mais uma metáfora, se não se importa. O Braga teve uma tarefa difícil, mas conseguiu. Isto também é possível, por exemplo, quando se tenta chegar a consensos para a eleição de órgãos externos da Assembleia da República?
Não tenho dúvida que não há tarefas impossíveis, e muito menos é uma tarefa impossível chegar a um consenso interpretário. Era só o que faltava que os partidos não se entendessem para a eleição de órgãos externos ou para matérias mais relevantes ou menos relevantes que essa.
No caso concreto, o que aconteceu ontem, vai ter que haver uma segunda mão, vai ser preciso substituir a equipa?
O que era importante era que o Braga pudesse ganhar ao Friburgo.
Mas era importante também, parece-me que há condições para continuar a insistir no nome que é proposto para Provedor de Justiça. Ou é preciso encontrar outra solução, Hugo Soares?
Deixe-me ser muito claro sobre essa matéria.
Hugo Soares, agora que ia ser claro. Sim. Não ouvimos.
Está a ouvir?
Agora sim. Disse-nos que ia ser muito claro sobre a matéria e deixámos de o ouvir.
Muito claro, mas diluí-la, no sentido de dizer que eu não fiz qualquer comentário, como sabe, enquanto correram as negociações dos órgãos externos da Assembleia da República, e não vou fazê-lo agora, numa altura em que um dos candidatos propostos a um órgão muito importante para o funcionamento das instituições, como é a Provedoria de Justiça, não foi eleito. E, portanto, é preciso que os partidos voltem a conversar e é preciso também que o Partido Socialista tome uma decisão. Eu vou respeitar o tempo dessa decisão sem fazer nenhum comentário sobre o tema.
Muito bem. E sobre uma vitória do Braga na Liga Europa, acredita que é possível?
Por que não? O Sevilla talvez fosse, do ponto de vista teórico, uma das equipas mais difíceis que o Braga pudesse enfrentar e o resultado que trazia de Braga e o resultado que ontem se foi compondo era um resultado que fazia acreditar que seria impossível. Mas como demonstrámos ontem, a capacidade de superação, a capacidade de união e de crença, ultrapassa os desafios mais difíceis. Portanto, estou mesmo muito, mas mesmo muito convencido que é mesmo possível que o Sporting Clube Braga possa ganhar a competição e que nós possamos todos em Portugal ter um orgulho muito grande. Num clube que é lá de cima, que é de Braga, não é do Porto, não é de Lisboa, mas que está a dar uma lição muito grande ao país.
E isso ia até fazer subir o PIB, não?
Se ajudar que isso aconteça, então é mais um motivo para torcermos todos.
Hugo Soares, muito obrigada por ter estado conosco neste jornal das 20h. Dividido, muito feliz com a vitória do Braga, um bocadinho triste com o Porto, mas vamos agora acreditar que o Braga pode seguir em frente. Um bom dia e obrigada.
Um bom dia, muito obrigado.