Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está connosco em directo neste jornal das 9, Ricardo Pena Roias, o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil. Bom dia, Ricardo Pena Roias.

Bom dia.

O que lhe dizem estes números? Ficou surpreendido?

Fico satisfeito.

Satisfeito, em primeiro lugar. Apesar da perda.

É uma perda, porque como disse bem o comunicado da empresa, tem a ver com provisionamento de questões extras e das taxas cambiais. Os valores são positivos, mais uma vez, que também é preciso realçar, é a terceira vez que a empresa tem resultados líquidos positivos, algo que raramente aconteceu na empresa. Portanto, temos que olhar para isto do lado positivo. E mais uma vez demonstrando aquilo que muitos acusavam, que os novos acordos da empresa iriam prejudicar o crescimento da empresa, a liquidez da empresa, o crescimento da empresa. A verdade é que, tal como nós dizíamos na altura, os acordos da empresa não eram um custo para a empresa, mas sim um investimento. E esse investimento está a ser comprovado agora, dado os resultados positivos que a empresa teve. Podia ter sido superior o resultado. Acho que a empresa fez bem em provisionar esses valores. Nós sabemos a razão, até pelos processos em tribunal que existem com os tripulantes de cabine. Portanto, é demonstração que a empresa está a olhar para a questão de uma forma séria, transparente, e os resultados são positivos. E é aquilo que todos nós almejamos também, que a empresa tenha resultados positivos. E aqui está, pelo terceiro ano consecutivo.

Pelo terceiro ano, resultados positivos. Isto quer dizer que a TAP é cada vez mais uma empresa apetecível a privados?

Eu diria que a TAP nunca deixou de ser apetecível, mesmo em momentos de crise, sempre se ouviu falar que havia crónicos interessados na TAP. Aquilo que mais uma vez se comprova, e aquilo que sempre tenho defendido, é que a tábua de salvação não será seguramente a privatização. Pois nós sempre dissemos, os trabalhadores da TAP dissemos, é que a TAP tem potencial, sempre teve, e aquilo que é necessário é uma gestão competente, séria e que entendesse a empresa. Aquilo que nós neste momento temos é uma gestão que tem os seus defeitos, como é lógico, temos muitas vezes as nossas divergências, mas que acima de tudo entende o mercado, entende a empresa e compreende a cultura TAP. E agregando todos esses factores, os resultados estão à vista.

Neste momento, estamos num momento de impasse, porque o país vai de novo a eleições. Isso, de alguma forma, pode comprometer não só essa visão que a administração da empresa tem para a TAP, mas também as intenções de privatizá-la?

Eu acredito que essa situação política irá atrasar o processo de privatização.

E parece que pode ser tema de campanha e de debate aquilo que cada um dos partidos pretende para a TAP. O processo e a discussão podem voltar novamente à estaca zero.

Eu não gostaria que fosse tema de campanha, porque infelizmente aquilo que nós temos lido, ouvido, quando se fala de privatização da TAP, é que é uma privatização ao sabor dos votos. Conforme os eleitores pretendem, fala-se de privatização, quando os eleitores pretendem nacionalização, fala-se de nacionalização. Portanto, eu não gostaria que a privatização ou a possibilidade dela fosse discutida em praça pública, fosse discutida ao sabor do voto. Não me parece que seja esse o caminho que tem que se criar. Tem que se falar do tema, com certeza que tem que se falar do tema. O tema é mais do que badalado, midiático, mas peço que os partidos políticos não o façam ao sabor do voto. Se o fizerem, que o façam de uma forma consciente, séria, para discutir o problema. E quando discutir o problema, têm que seguramente falar também com os trabalhadores e não apenas falarem só por falar sobre privatização.