Vários ataques levados a cabo esta sexta-feira por colonos israelitas contra palestinianos na Cisjordânia — e que tinham como objetivo interromper a colheita da azeitona — fizeram pelo menos seis feridos, entre os quais uma jornalista do Washington Post. Dezenas de colonos, muitos encapuzados, atacaram palestinianos em várias zonas da Cisjordânia, num movimento coordenado para interromper a colheita anual de azeitonas. Os colonos incendiaram carros e árvores, descreve o The Guardian.
Em Abu Falah, no centro da Cisjordânia, pelo menos 80 colonos, alguns munidos de armas de fogo ou cassetetes, reuniram-se para impedir que palestinianos colhessem azeitonas, usando fisgas para atirar pedras aos agricultores. Quando alguns palestinianos pegaram em pedras para se defender, o exército israelita atacou-os com gás lacrimogéneo. Os soldados dispararam gás lacrimogéneo contra os palestinianos e “não fizeram absolutamente nada em relação aos colonos”, disse Andrey Khrzhanovskiy, um criador de conteúdos que filmou os incidentes.
Entre os feridos dos ataques desta sexta-feira está a fotojornalista do Washington Post Heidi Levine, que foi espancada por colonos num ataque que durou mais de 10 minutos. Para além disso, os agressores roubaram-lhe o passaporte, o telemóvel, a carteira e os equipamentos de trabalho. “Fui atacada e atirada ao chão. Por sorte, estava a usar o meu colete à prova de bala e capacete, senão provavelmente nem estaria aqui, porque eles continuaram a pontapear-me sem parar”, disse Levine, que está a receber cuidados médicos num hospital em Ramallah. As agressões só terminaram quando um grupo de palestinianos veio em seu auxílio, contou Heidi Levine.
Masked Israeli settlers attacked Palestinian villagers on Friday, setting olive groves on fire and slinging rocks.
Caught in the attack was Post photographer Heidi Levine. “They just kept kicking me and kicking me, like probably 50 times,” Levine said. https://t.co/9YLUuU9ktP pic.twitter.com/0SrFcIW4as
— The Washington Post (@washingtonpost) October 16, 2026
A Associação de Imprensa Estrangeira de Israel emitiu de imediato um comunicado a condenar o ataque contra a fotojornalista do Washington Post e a lembrar que este foi apenas “o mais recente de uma longa série de ataques violentos perpetrados por colonos israelitas contra jornalistas e outros civis na Cisjordânia ocupada”. Também em comunicado, o Washington Post garantiu que Levine estava visivelmente identificada como jornalista.
“Estamos indignados com este ataque injustificado contra uma jornalista que estava a exercer a sua profissão e exigimos uma investigação completa e o devido acompanhamento por parte das autoridades”, disse o editor-executivo do Post, Matt Murray.
Forças armadas israelitas garantem que estão a investigar o ataque contra fotojornalista
O exército israelita garantiu, entretanto, que está a investigar o ataque. Segundo a tenente-coronel Ariella Mazor, porta-voz internacional das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), as tropas israelitas que estavam na zona dos incidentes estavam a tentar dispersar uma multidão e não presenciaram o ataque a Levine. Mazor ressalvou, no entanto, que os militares se aperceberam da dimensão da onda de violência perpetrada pelos colonos e enviaram forças adicionais para a Cisjordânia para a conter.
“Qualquer violência contra pessoas inocentes não reflete os nossos valores”, disse a porta-voz das IDF, acrescentando que, se os soldados israelitas não agirem ou se comportarem de forma inadequada, as IDF “tomarão as devidas providências”. O ataque a Levine ocorre 10 dias depois de colonos terem agredido o fotojornalista da AFP, Jaafar Ashtiyeh, na aldeia de Aqraba, no norte da Cisjordânia.
A violência de colonos contra palestinianos tem estado em crescendo na Cisjordânia, sobretudo no último mês. Os colonos realizaram pelo menos 170 ataques desde 27 de setembro, aquando do início da colheita anual da azeitona, de acordo com o Yesh Din, um grupo israelita de direitos humanos. Pelo menos quatro palestinianos foram mortos e mais de 100 ficaram feridos no último mês, disseram as autoridades palestinianas, enquanto milhares de árvores foram destruídas ou danificadas.
Para além disso, Israel impôs novas regras à colheita de azeitona este ano, proibindo os palestinianos de colherem azeitonas na Área C – uma área sob controlo militar israelita, que compreende a maior parte das terras agrícolas da Cisjordânia. Segundo as novas regras, os habitantes estão proibidos de entrar em cerca de 8.800 hectares de terras agrícolas – um aumento de 30% em relação ao ano anterior – sem a aprovação dos militares. Em sentido oposto, os militares concederam aos cidadãos israelitas acesso a mais terras este ano.
Dezenas de milhares de famílias da Cisjordânia dependem da colheita de azeitona para a sua subsistência diária e como fonte principal ou complementar de rendimento, através da venda de azeite ou produtos derivados. Para além disso, o azeite é o ingrediente central da gastronomia palestiniana e está presente na maioria das refeições diárias, além de ser utilizado historicamente na medicina tradicional e em celebrações culturais. É também o principal símbolo da ligação dos palestinianos à terra.
Entre janeiro e agosto, as Nações Unidas documentaram mais de 1.600 ataques de colonos que causaram ferimentos ou danos materiais na Cisjordânia. Pelo menos 76 palestinianos foram mortos a tiros por forças israelitas ou colonos desde 28 de fevereiro. Os colonos raramente são responsabilizados pela violência, mesmo quando esta está bem documentada.
Em agosto, Israel indiciou um colono pelo assassinato de um ativista palestiniano, naquela que foi a primeira acusação deste tipo contra um civil israelita desde 2019. Os grupos de direitos humanos afirmam que os colonos gozam da proteção das forças armadas israelitas, que intervêm frequentemente em defesa dos compatriotas.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]