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Temos agora em direto nesta edição o Major-General Isidro Morais Pereira. Obrigada por estar connosco. Ainda não temos notícia dessas declarações de Vladimir Putin para podermos analisá-las aqui, mas há isto em cima da mesa, que é os referendos que à partida vão avançar e eventualmente até uma lei marcial em cima da mesa. O que é que poderá vir aí nesse discurso de Vladimir Putin? Bem-vindo.

A primeira questão parece ser uma questão provável que sejam anunciados uma vez mais, porque já não é a primeira vez, que há ecos de que os referendos poderiam ter tido lugar já a 11 de setembro, que era uma data simbólica para toda a Federação Russa. Não se verificaram porque não houve condições para tal. Agora, mais uma vez, o anúncio a pedido fundamentalmente dos responsáveis pelas repúblicas auto-independentistas de Lugansk e Donetsk, porque estão na iminência, fundamentalmente Lugansk, onde a contraofensiva ucraniana está a ter sucesso e poderá a qualquer momento desencadear-se uma ofensiva que possa retomar o oblast de Lugansk. Donetsk ainda pertence praticamente metade do oblast de Donetsk ainda está em mãos ucranianas. E depois junta-se a isto também Zaporíjia e Kherson. Kherson é um oblast que está praticamente nas mãos ou sob controle da Federação Russa praticamente desde que se iniciou esta invasão, mas Zaporíjia, parte deste oblast também não está em mãos russas. Portanto, o que é que acontece? Acontece que são referendos que não se percebe bem os contornos dos mesmos, porque estes oblasts não estão completamente controlados pela Federação Russa.

Os Estados Unidos vêm dizer que estes referendos são uma pura distração e Emmanuel Macron, presidente francês, também já veio dizer que não vão ser reconhecidos pela comunidade internacional.

Que não vão ser reconhecidos. Já tivemos ecos, inclusivamente do secretário-geral da NATO, que já o disse de forma clara, a própria Alemanha já o declarou. Os Estados Unidos e praticamente toda a comunidade internacional não irá, se estes referendos tiverem lugar, como se tem vindo a dizer já na próxima semana, entre 23 a 27 deste mês, não serão reconhecidos por ninguém.

Mas serão aqui apenas uma manobra de distração?

Poderão ser uma manobra de distração. A questão é muito simples. Eu penso que, de qualquer forma, o pânico reina em Moscovo, de alguma maneira. Porque as pressões a que o Kremlin tem sido sujeito têm sido muito grandes. Por parte, os hardliners, os homens da linha-dura, que estão ao lado de Putin, que o aconselham vivamente a decretar a mobilização geral do país, para que o país triunfe nesta sua aventura na Ucrânia e que decrete finalmente a guerra e a mobilização geral. Por um lado, há esta linha-dura, por outro lado, há um outro conjunto significativo de russos, principalmente os mais jovens. Os anteriores são principalmente uma faixa etária dos 50 anos para cima e gente próxima do Kremlin, da Rússia Branca. Mas o resto, a juventude não parece ter vontade alguma de combater. Aliás, os sinais evidentes disso são as deserções em massa. Hoje há uma fonte de informação da Bielorrússia que diz claramente que durante a contraofensiva no oblast de Kharkiv, as forças ucranianas tiveram acesso a documentos, a arquivos, em que provam um sem fim de deserções nas unidades russas, inclusivamente unidades que iniciaram as operações em 24 de fevereiro e que eram consideradas unidades de elite. Não apenas nestas unidades de voluntários conseguidos à pressa nos distritos da Rússia longínqua, mas também nas suas unidades de elite. A vontade de combater não é grande por parte das forças russas e estas vitórias das forças ucranianas têm tido um efeito devastador no moral das tropas russas que combatem na Ucrânia.

A ver vamos aquilo que diz Vladimir Putin, Major-General Isidro Morais Pereira, obrigada por ter estado neste noticiário das 19h da Rádio Observador