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Jorge Pires, pedindo então, em primeiro lugar, uma reação a este despacho do governo que obriga a validação prévia por parte do secretário de Estado a todos os pagamentos do Estado à Endesa. Faz sentido esta medida?

Para nós, a questão central é que o governo intervenha para evitar esta especulação dos preços. Essa é a questão central. É inaceitável, na nossa opinião, qualquer aumento do custo da eletricidade, porque o que está a fazer disparar os custos da produção é a especulação que tem vindo a crescer em torno da redução da oferta por efeito das sanções. Não há outra razão e por isso o governo tem que intervir para acabar com esta especulação. O governo veio de imediato desmentir a Endesa. Desmentiu, não vai haver aumentos, não há razões para os aumentos, mas o governo não explicou uma questão, que é uma questão central. Até agora não o fez com a clareza necessária. Como é que vai financiar o mecanismo ibérico? E nós esperamos, sinceramente, que esse custo não venha a ser suportado pelos consumidores, porque o interesse público, o interesse das instituições, o interesse das empresas públicas, tal como o interesse das famílias, dos trabalhadores, etc, o interesse delas defende evitando esta especulação dos preços, porque essa especulação vai afetar todos da mesma forma. E, portanto, não é aceitável que neste mercado liberalizado, com as principais empresas do setor elétrico privatizadas, que se permita que estas empresas, como a Endesa, que teve lucros no primeiro semestre de 734 milhões de euros, continuem a intervir de forma especulativa, no sentido de fazer crescer cada vez mais esses lucros, aproveitando esta especulação que está em curso. E, portanto, mais do que este despacho, o que importa é que o governo intervenha para acabar com esta especulação. Essa que é a grande questão, e evitar qualquer subida mais dos preços da eletricidade.

Portanto, a solução não passa por maior controle ao nível de pagamento, mas sim por evitar efetivamente a especulação?

O controle é sempre bem-vindo, quer por parte do governo, quer por parte da entidade reguladora, mas não é essa a questão central. Ou seja, não se procure escamotear o problema, não se procure esconder o problema dos portugueses, avançando com medidas deste tipo, porque volto a repetir: a questão central é a especulação em torno dos preços e essa especulação resulta deste aproveitamento que está a ser feito por causa da redução da produção, que é efeito direto das sanções. E, portanto, Portugal não tem que estar sujeito a esta situação. E por isso o governo deve intervir de forma soberana, não de forma seguidista relativamente, por exemplo, àquilo que foi decidido em termos da União Europeia com a norma travão, e de forma soberana decidir em função do interesse nacional, e não ir atrás de mecanismos que acabam por prejudicar o país e as famílias, porque é disso que se trata neste momento