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O sistema europeu de controle de fronteiras vai ser suspenso por três meses no aeroporto de Lisboa. Com moldes ainda por definir, o Governo pede um reforço imediato de militares da GNR que se juntam à PSP. É o que anuncia o Ministério da Administração Interna. Comigo tenho o Paulo Santos, presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia e Polícia de Segurança Pública. Como é que olha para este reforço? Operacionais suficientes para responder a este reforço?

O que eu acho relativamente a esta problemática do aeroporto é que efetivamente há muito branqueamento da realidade e muita mentira por parte do Governo. Porque aquilo que sei e as informações que tenho é que estes elementos da GNR anunciados não estão disponíveis neste momento, serão cerca de 10 elementos, terão que ter ainda algumas credenciais para poder trabalhar no aeroporto, ou seja, apenas se vai materializar essa missão daqui a alguns dias. E, por outro lado, aquilo que nós temos dito, enquanto representantes dos profissionais da polícia, que estão neste momento a trabalhar nos aeroportos, é que mais uma vez o Governo, a própria Direção Nacional da Polícia, a própria ANA Aeroportos, estão a mentir aos portugueses, porque continuam constantemente a fazer abordagens que não têm qualquer correspondência com aquilo que são os problemas diários que se deparam todos os dias no aeroporto de Lisboa. Falamos de falta de condições estruturais do próprio aeroporto pra poder conseguir dar respostas àquilo que está a acontecer do ponto de vista dos passageiros que aterram na cidade de Lisboa todos os dias. Continuamos a insistir nisto. Enquanto o Governo continuar refém e subserviente às políticas comerciais da ANA, enquanto não houver da parte do Governo seriedade, responsabilidade na abordagem deste problema, continuaremos a ter os mesmos problemas que hoje acontecem.

Falou-me aqui de 10 elementos da GNR, portanto são só esses que já estão no aeroporto. Quer dizer, à espera de credenciais, é isso?

Há um anúncio que foi feito que elementos da GNR iriam reforçar o aeroporto. Esse anúncio é um mero anúncio, porque efetivamente não há ninguém em condições ainda para desenvolver essa missão e serão apenas 10 elementos, e isso não tem qualquer significância naquilo que é a problemática que existe e que não tem naturalmente a ver só com falta de polícia, tem a ver exatamente com falta de condições estruturais, de boxes, de espaços para que o aeroporto possa funcionar devidamente. E é isso que está a ser secundarizado, e é isso que está a ser branqueado por parte do Governo e que está também a ser naturalmente amparado e aproveitado pela ANA Aeroportos, que pretende desenvolver a sua atividade para ter rentabilidade, mas que neste momento está, no nosso ponto de vista, a descurar a segurança pública.

O que é que então espera que o Governo faça para responder a estes problemas?

Eu gostaria que o Governo abordasse este problema com a importância que ele tem, que é considerar que isto não decorre só da variável do efetivo, mas tem outras variáveis, e que houvesse aqui um compromisso da ANA Aeroportos em criar condições estruturais para que o aeroporto possa funcionar devidamente. E isso não está a acontecer. Enquanto o Governo não atacar o problema de raiz ou na sua raiz, continuaremos a ter estes problemas que têm sido conhecidos nos últimos dias.