Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve. Ontem muitos turistas britânicos regressaram a casa. Até o final de terça-feira, espera-se que ainda regressem muitos mais. Como é que está a situação neste momento no aeroporto de Faro?

Depois de uma decisão inesperada e com fundamento muito discutível, naturalmente que os britânicos que estavam de férias no Algarve, muitos deles tiveram que tomar a opção de regressar mais cedo e, portanto, ontem tivemos já a partida de cerca de 10 mil britânicos, hoje são esperados mais 15 mil e amanhã será também um dia de forte fluxo para o embarque para o regresso ao Reino Unido. Tivemos que reforçar a capacidade de testagem ao longo do fim de semana, que felizmente conseguimos. Há alguns constrangimentos, sobretudo no período do check-in, porque as próprias companhias aéreas foram apanhadas de surpresa e, portanto, não têm recursos humanos disponíveis para abrir mais guichês para o check-in. Portanto, quando abrem o check-in, acabam por ter filas que se formam, mas que rapidamente também têm algum escoamento. Há um outro procedimento que está a dificultar também as operações, que tem a ver com o Passenger Location Form, que é uma obrigação que o Reino Unido impõe aos seus cidadãos para voltarem, e que no fundo, implica que as pessoas acedam a uma plataforma online, que insiram um código, e há muitos passageiros, sobretudo mais velhos, que têm mais dificuldade nesse procedimento e chegam à altura do check-in e ainda não está concluído e portanto, isso leva algum tempo para debelar essa dificuldade. Mas são dificuldades extra que são alheias ao funcionamento do destino turístico, que foram imposições resultantes da decisão britânica. Felizmente, não há, até agora, ninguém que tenha deixado de embarcar por estas razões. Agora há um afluxo elevado ao aeroporto, mas também há a registar, por exemplo, ainda ontem, que para além dos 10 mil passageiros embarcados para o regresso ao Reino Unido, mesmo com as condições adversas que são impostas pelo governo britânico, ainda assim vieram 2500 turistas britânicos para a região ainda ontem.

Mesmo com estas restrições, tiveram alguns turistas, mas o número não chegou nem perto das reservas previstas?

Não. O que eu estou a dizer é que, apesar de tudo, ainda há britânicos que optam por vir mesmo com estas restrições, o que é sinal que o destino Algarve e o destino Portugal não ficaram abalados do ponto de vista da confiança. Agora, há também a registar um balanço muito positivo deste período do chamado Half Term, porque houve muitos britânicos que vieram ao Algarve e a Portugal pela primeira vez, não tinham nas suas cogitações como motivação primária visitar Portugal ou o Algarve, mas como foi a única oportunidade que estava disponível, assim o fizeram e acabaram por conhecer uma região que, segundo as várias entrevistas que os vários meios de comunicação têm feito aos próprios, resultam num grau de satisfação muito elevado, com muitos deles a dizerem que voltarão a esta terra onde gostaram de estar, onde foram bem acolhidos, onde se sentiram seguros.

O primeiro-ministro já afirmou que o governo está a dialogar com o Reino Unido para que Portugal volte para a lista de países verdes, países seguros para viajar. Como é que vê esta decisão?

Da medida do governo britânico?

Exatamente, da decisão de manter Portugal na lista vermelha.

É claramente uma decisão que é de índole política e o governo britânico tem toda a legitimidade para a fazer. O que não pode mesmo fazê-lo é mascará-la com uma base científica que até os próprios epidemiologistas britânicos já vieram desmentir, seja em relação ao risco acrescido pela variante da estirpe indiana, que já existe e que até metade da sua presença ao nível global é no próprio Reino Unido e não em Portugal. Nós temos 12 casos, não é preocupante. E portanto, na análise dos virologistas e epidemiologistas, esta não era uma razão atendível para este efeito. E também do aumento de casos, porque nós efetivamente nas últimas semanas aumentamos o número de novos casos por 100 mil habitantes, mas aumentamos até ao ponto de ficarmos praticamente no mesmo nível que os britânicos. Portanto, não havia qualquer razão, muito mais quando, em termos de movimento de passageiros no aeroporto, de britânicos que visitaram a região, tivemos a registar nessas duas semanas cerca de 100 mil movimentos. E, portanto, é fácil fazer a conta quando tivemos seis casos positivos de britânicos de férias na região. E todos têm a obrigatoriedade, por imposição do governo britânico, de ser testados. Portanto, tendo sido testados todos, tendo testado praticamente 100 mil britânicos de férias aqui no Algarve neste período, tendo uma incidência de seis por 100 mil habitantes, isto é quase 10 vezes inferior àquilo que acontece no Reino Unido, quase dá para dizer que é mais seguro viajar para o Algarve, até porque as pessoas fazem teste antes de vir. Portanto, há um filtro que permite reduzir esse risco. E na região, como ficou comprovado, não é propícia a que haja um contágio, até porque tem índices muito baixos, mais baixos do que o Reino Unido.

O primeiro-ministro disse também que alterar as regras de três em três semanas provoca uma grande instabilidade. Qual é a sua opinião?

Claro, sim. Isso, aliás, é uma realidade que se verifica em vários países, por isso mesmo o passaporte digital europeu pode ser um instrumento que vai ajudar a criar regras uniformes, regras que todos reconhecem e que centram o risco na condição do indivíduo e não tanto no território. Isso, naturalmente, para além de mais eficaz, liberta também a possibilidade de viajar e estamos em crer que vai ser um fator-chave para desbloquear as viagens de muitos que, querendo sentir-se em segurança, como é normal, é um fator prioritário, não querem deixar também de ter o merecido gozo de férias que, depois de um ano tão complicado, todos queremos.