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O governo anunciou um plano que seria infalível a partir de agora. Eu acho que o que aconteceu, percebe-se bem, é que afinal o plano era frágil, mais uma vez era frágil. E nestas coisas, mais vale encarar os problemas de frente e sem grandes anúncios e sem grandes soluções milagre. É óbvio que é preciso abrir concursos para ver se se consegue contratar mais médicos e os grandes planos com base em tarefeiros e protocolos com privados, acabou de provar que não funciona. E não me parece que se atrai médicos para o Serviço Nacional de Saúde com o governo a dizer que eles não querem trabalhar. Normalmente, não é a melhor maneira de atrair pessoas para trabalhar conosco.
O Livre hoje anunciou que vai chamar a ministra Ana Paula Martins ao Parlamento. Acredita que vá surgir alguma solução para esta crise nas urgências na Península de Setúbal?
Vamos lá ver. Eu com o Ministério da Saúde nunca tive nenhuma reunião, infelizmente. Nunca com o atual governo e com o anterior, mas com a mesma ministra, nós nunca tivemos nenhuma reunião. Tenho reuniões e falo frequentemente, naturalmente, com a administração do HGO, mas com este governo nunca tivemos a honra de ter nenhuma reunião, nem nunca nos chamaram para seja o que for, nem sequer para dar a nossa opinião ou para tentarmos um plano ou no âmbito da transferência de competências. Nunca tive nenhum tipo de reunião com o Ministério da Saúde. Tive com outros ministérios, que também não deram grandes resultados, mas não com o da Saúde. Eu acho que é fundamental, de facto, olharmos todos com muita calma e estabelecer um plano, mas um plano sólido, um plano que saibamos como é que conseguimos resolver a curto, a médio, mas sobretudo a longo prazo, que haja uma estratégia que seja claramente definida. E isso, naturalmente, as autarquias estão sempre disponíveis para participar nessa reflexão. E agora também somos parte, porque temos a responsabilidade, não dos profissionais de saúde, mas dos centros de saúde, dos equipamentos e do pessoal auxiliar. Portanto, é óbvio que as autarquias têm que ter aqui um maior envolvimento.
O candidato à Câmara pela coligação do Livre e do Bloco de Esquerda disse ser necessário a construção de um hospital do Seixal, no fundo, para aliviar o fluxo às urgências no Garcia de Horta. Acredita que essa é a solução mais viável ou deveria existir uma outra solução?
Eu acredito que há duas realidades. O Hospital do Seixal é um velho compromisso, mas também há uma realidade que eu tenho que falar, que é muito importante. Há uma extensão também prevista do Garcia da Horta, e essa não pode ser esquecida. O Garcia da Horta pode crescer e deverá crescer, e o essencial aqui é de termos a garantia de que temos profissionais para o nosso Serviço Nacional de Saúde.