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A medida de passarmos a ter em Portugal as unidades de saúde familiares modelo C é importante e eu penso que pode ser positiva para os portugueses, que pode representar um aumento significativo em termos do número de portugueses com médico de família. Eu recordo que esta questão das USF modelo C não é nova, já está na legislação há mais de 10 anos, mas a verdade nunca foi implementada. Mesmo o Tribunal de Contas já chamou a atenção que era um pouco estranho como é que havia uma ferramenta, um instrumento que poderia permitir dar mais médicos de família aos portugueses e nunca ter sido iniciado. Portanto, eu penso que teremos que saudar esta iniciativa pioneira do governo, alicerçada numa lei existente, mas que é uma novidade no sentido que pela primeira vez vai ser posta em prática. E num país tão carente de recursos como o nosso, eu penso que todos temos a obrigação de gerir melhor os recursos e tentar, com os recursos que temos, fazer a maior cobertura possível das necessidades de saúde.
E a seu ver, os hospitais privados estão preparadíssimos para assegurar a capacidade de resposta?
Penso que tem, com franqueza, que se dar uma resposta a dois tempos. Um, há uma disponibilidade de operadores privados em entrar em outro tipo de modelos de prestação de cuidados de saúde, e nomeadamente este modelo que, no fundo, é a gestão por parte de privados de unidades do SNS de cuidados de saúde primários. Por outro lado, em concreto, teremos que ver exatamente o que é que é aprovado amanhã em Conselho de Ministros, em termos do modelo de funcionamento das USF modelo C e ver se esse modelo é aceitável em termos de condições para os privados atuarem. Deixe-me dizer-lhe que o processo das PPPs, dos hospitais em PPPs, foi bastante traumática para os operadores privados. E, portanto, é muito importante que volte a haver um clima de confiança entre o Estado, o governo, o Ministério da Saúde e os hospitais privados. Nós precisamos, de facto, de transparência nas regras, de previsibilidade também nas relações e precisamos que também neste sentido, haja aqui um clima de diálogo, porque nós não estamos a falar em resolver um problema em seis meses ou um ano. Isto são matérias que são matérias estruturais e, portanto, não é para o ano corrente. São matérias que exigem que, de facto, haja aqui uma plataforma de parceria e de diálogo permanente entre as partes. Esperamos que, de facto, aquilo que seja aprovado amanhã em Conselho de Ministros venha em linha com estas preocupações.