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Miguel Albuquerque, apresentou esta tarde novas medidas para controlar a pandemia, um novo volte face em toda esta situação pandémica, principalmente na região da Madeira. Queria perceber ao certo que medidas é que tomou e que razões as levou a tomá-las e também se ouviu especialistas para tomar essas decisões.
Sim. Em primeiro lugar, nós tomamos as medidas em consonância, como temos sempre feito, com a Direção Regional de Saúde, os especialistas da Direção Regional de Saúde, e temos dado muito bem com essas medidas até agora. Houve um aumento do conjunto de casos aqui na Madeira e nós tomámos um conjunto de medidas preventivas e de contenção da expansão da pandemia, passando a situação de alerta, que era o estado de prevenção mais baixo, para a situação de contingência. Essa situação de contingência leva-nos a aplicar um conjunto de medidas preventivas e profiláticas para conter a expansão do vírus aqui na Madeira. Designadamente, a obrigatoriedade de frequentar em espaços fechados, discotecas, bares, restaurantes, espaços públicos. A obrigatoriedade de quem quer frequentar esses espaços apresentar o certificado de vacinação, complementado com o teste rápido de antigénio, que está disponível e que será semanal. Nós neste momento facultamos aqui na Madeira a toda a população testes de antigénio gratuitos. Fizemos um protocolo com a Associação Nacional de Farmácias e com os laboratórios e temos um conjunto de oferta destes testes em todos os concelhos da região, em todos os espaços. Isso vem-nos garantir que, por um lado, os casos de todos aqueles que estão vacinados e que são assintomáticos são contidos na frequência desses espaços, sobretudo os espaços de restauração, espaços fechados, e por outro lado, garantir que quem frequenta esses espaços tem a vacinação, porque nós não podemos impor coercivamente a vacinação a ninguém, mas podemos condicionar o acesso dessas pessoas a espaços onde estão outras pessoas, no sentido de conter e prevenir a saúde pública de cada um.
Miguel Albuquerque, o que temos visto aqui também é a Madeira entrar nestas linhas vermelhas definidas a nível europeu, mas são linhas vermelhas que têm vindo a ser definidas desde o início da pandemia e que levam também a esta tomada de decisão por parte do governo. Estamos a entrar na época festiva, não só o Natal, mas claro, o Ano Novo, que é importante para a região. E estamos a falar da região da Madeira, que é uma região que vive muito também do turismo e dessa altura do ano. Teme que isto possa ter impacto para esse momento?
Eu penso que, em primeiro lugar, nós neste momento temos uma situação completamente diferente do que tínhamos no passado, porque 85% praticamente da população já tem as duas doses de vacina completas. Nós abrimos aqui a terceira dose de vacina à população com mais de 18 anos. Temos cerca de 80.000 vacinas disponíveis para complementar essa vacinação. O que temos aqui é um problema: centralmo-nos naquilo que acontece nos cuidados de saúde. Nós neste momento constatamos que nos cuidados intensivos, muitas das pessoas que têm contraído o vírus, muitos deles são assintomáticos, já estão vacinados, ou seja, as consequências em termos de saúde pública para cada um deles são residuais ou mínimas, mas temos constatado, sobretudo, que a capacidade de resposta das nossas unidades Covid e sobretudo os cuidados intensivos, estão ligeiramente a 50%. Portanto, temos ainda uma capacidade de resposta hospitalar bastante alargada. Queremos é que não venha esta capacidade de resposta hospitalar, sobretudo os cuidados intensivos, ficasse assoberbada. E nesse sentido, temos feito um apelo sobretudo a um conjunto de indivíduos que não se querem vacinar, não sei porquê, que evocam as teorias da conspiração, e essas pessoas são aquelas que estão internadas, muitas delas, 58% dos casos que temos nos cuidados intensivos são pessoas que não se vacinaram. Parte dos óbitos por Covid são de pessoas não vacinadas. Temos alguns óbitos, mas conjunto de patologias associadas que têm Covid, mas morrem por essas patologias e não por Covid. E a verdade é que a vacinação, do nosso ponto de vista, é a grande solução para minimizar os efeitos da proliferação do vírus. Seja como for, o turismo está a correr muito bem, temos três meses muito bons e apesar da taxa de transmissibilidade subir, a verdade é que temos que nos concentrar agora muito na capacidade dos serviços hospitalares e o número de pessoas que estão nas unidades de cuidados intensivos. Neste momento só temos sete pessoas nas unidades de cuidados intensivos aqui na Madeira.
Mas em parte essas medidas surgem nesta altura também para conseguir garantir que existe essa situação.
Sim, os eventos públicos, os eventos de Natal, os circos, aquelas barracas na Placa Central, todos esses eventos estarão condicionados no seu acesso só a pessoas vacinadas e com o teste realizado. Senão não entram.
Miguel Albuquerque, falava-me dessa questão de ter quase um grupo de população negacionista ou que prefere não receber a vacina, optou por não receber a vacina. Sente que isto é um problema na região da Madeira?
Sinto que é um problema para eles, em primeiro lugar, e também para os outros. Agora, por exemplo, os jovens. Nós obrigamos, através de uma regulamentação, por exemplo, a frequência das discotecas. Muitos jovens não se queriam vacinar. Já impusemos umas semanas atrás que para entrar numa discoteca é necessário ter o certificado de vacina. Foi imensa malta nova a vacinar-se. Portanto, também temos que utilizar esses truques, porque como não podemos impor coercivamente a vacina, porque isso viola de facto os direitos, liberdades e garantias, temos que encontrar uma forma de persuadir as pessoas que a vacina é, de facto, do ponto de vista científico e objetivo A solução para preservarem a sua própria saúde e salvarem as suas vidas. Não há outra solução.
Neste momento está a colocar como obrigatório receber a vacina para ir a um cabeleireiro. Não acha que pode ser um pouco excessivo ou que a população pode encarar isso um pouco excessivo?
Não, eu acho que a maioria da população está vacinada. Eu acho que essas pessoas não têm o direito de pôr a saúde dos outros em perigo. Acho que não é excessivo. Se vai frequentar um restaurante com a sua família, não quer ter uma pessoa infectada ao lado. Portanto, o que é fundamental é entender que há um limite nos direitos. A gente não está a impor nada a ninguém. Agora, a frequência de estabelecimentos com riscos de perigosidade para a saúde pública obriga a um conjunto de medidas. Não vai pôr uma pessoa que não está testada ou que pode ter o vírus, ou que não tem imunidade a correr num ginásio ao seu lado ou ao lado dos seus filhos ou da sua família. Acho que as pessoas entendem isso. As pessoas são livres de não levar a vacina, agora não podem pôr em causa e em risco os interesses da comunidade e sobretudo os outros seus concidadãos. Acho que isso é um princípio de equilíbrio.
Pergunto-lhe de forma direta neste caso: ao ser obrigatória a vacina para um evento cultural, um evento desportivo, restaurantes, hotéis, cabeleireiros, bares, discotecas, cinemas, atividades noturnas, de certa maneira, não está a tornar a vacina obrigatória de forma indireta?
Pode dizer que sim, mas eu não estou a tornar obrigatória quem não obrigue ninguém. Agora, é uma forma também de tentar fazer com que estas pessoas levem as vacinas, até para salvaguarda do nosso sistema de saúde e para preservar a capacidade de resposta do nosso sistema de saúde, porque como eu disse, 58% das pessoas internadas na média das últimas semanas são pessoas que não têm vacina, muitas delas já morreram.
Miguel Albuquerque, ter que encerrar atividades ou suspender algumas atividades, que impacto é que isso poderia ter para a região da Madeira para essas semanas importantes?
Dá sempre mal nós encerrarmos atividades. Nós, como você sabe, durante estes meses nunca fechamos praticamente a atividade económica na região. Tivemos condicionados no turismo por fatores exógenos, os mercados emissores, mas neste momento está tudo a correr bem e eu não vou pôr em causa a nossa vivência normal. Estamos a tomar todas as medidas no sentido de manter a atividade económica e a vivência normal dos cidadãos com estes condicionamentos, que são condicionamentos mínimos face àquilo que é necessário fazer para conter a expansão da pandemia e para não paralisar tudo. O pior que pode acontecer é levarem as pessoas para novos confinamentos, com a paralisia das atividades económicas, quando estamos agora numa fase de recuperação.
Miguel Albuquerque, para terminar, tem aqui também uma questão quanto à testagem das crianças. Fica autorizado que as crianças com menos de dois anos também devem ser testadas em várias circunstâncias.
Com menos de 10 anos a testagem, como sabe, é a testagem de saliva. Mas eu estou à espera que me deem autorização, que eu gostava imenso de vacinar as crianças com mais de 12 a 18 anos, porque isso nos Estados Unidos já está autorizado, está na iminência de ser autorizado na Europa e era bom que fosse autorizado, porque neste momento temos constatado, aliás, como aconteceu a nível nacional, que um dos focos principais da proliferação do vírus são as crianças que transmitem o vírus, não estando elas vacinadas. Portanto, acho que isso era importante ter essa autorização. Aliás, nos Estados Unidos já estão a dar a vacina a crianças entre os 12 e os 18 anos.
Miguel Albuquerque, eu não tenho esse dado presente, acredito que tenha. Qual é a porcentagem de população não vacinada na Madeira, incluindo as crianças?
É da volta de 5%, 6%.
6% da população não se vacinou, incluindo as crianças.
Não se vacinou. As crianças não estão aqui contadas. Nada, não.
A população que pode receber a vacina, 6%.
Com mais de 18 anos, sim, à volta de 6%.
Muito bem.