Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
, torcida e música animada ] Está no ar o Sem Falta, programa da Rádio Observador que analisa o trabalho dos árbitros nas emissões especiais de desporto da Rádio Observador. Estivemos a acompanhar o Farense-Benfica nesta noite. Hélder Malheiro foi o árbitro da partida com a estreia nesta fase da Taça de Portugal da bodycam, um aparelho que nos dá uma imagem também interessante do que é a visão do árbitro junto ao relevado. Já contamos com o vídeo ao árbitro também nestes oitavos de final. Pedro, muito boa noite, bem-vindo. Vamos analisar os principais lances e vamos começar aqui com o minuto 10 e com essa falta que originou o primeiro gol de Richard Rios para o Benfica.
Sim, o lance é com o Prestianni e é com o Duarte Furtado. E aqui a questão que se coloca é que no movimento mais lento e mais parado, com a fotografia, o Duarte Furtado estica claramente o seu braço direito e com a sua mão direita acaba por tocar ao nível do braço, já junto à zona do cotovelo do Prestianni, quando ele faz o movimento de parada. Ele está no corredor direito, para a bola e vem para dentro. E obviamente que o jogador do Benfica, sentindo aquele contato, acaba, na minha opinião, por ser impedido de fazer o movimento de rotação, ou seja, há falta. A questão aqui que se coloca é que o jogador do Benfica agarra-se claramente à cara, como se tivesse sido tocado na cara. Ou seja, ele sofre a falta no braço e agarra-se à cara, como infelizmente muitos jogadores têm vindo a fazer em contatos, às vezes, de braços abertos no peito, para tentar levar o árbitro ao engano, levar o árbitro muitas vezes a assinar a falta. Muitas vezes até no aspecto disciplinar, porque como sabem que toques na cara e na cabeça, que é a tal zona protegida, normalmente, para além das infrações, muitas vezes dão sanção disciplinar. E é por isso que talvez, de forma instintiva, os jogadores muitas vezes sentindo determinados tipos de contatos, agarram-se à cara para potenciar aquilo que possa ser a parte disciplinar. Aqui, neste caso, realmente ele agarra-se à cara onde não sofreu falta, mas ele sofre a falta e o toque no braço. Em movimento normal, poderá dizer-se que houve talvez algum aproveitamento ao sentir aquele contato e se ter desinteressado da jogada. O fato é que o jogador, ao esticar o seu braço, ao colocar a mão no braço do adversário, quando ele está a fazer um movimento para dentro, é daqueles lances que eu não consigo definir a intensidade, dizer se é suficiente ou não para realmente parar o movimento. O fato é que o jogador do Benfica abdicou da jogada quando sentiu ou quando houve esse toque. E o árbitro, curiosamente, quando está a justificar ao jogador do Farense por que é que assinalou a falta, justificou de forma correta, no sentido de que não disse que o braço foi na cara, porque o jogador estava a reclamar que não tinha feito falta na cara e o árbitro está a explicar por gestos que a falta é no braço, mostra claramente. Ou seja, o árbitro tem a consciência de que o jogador agarra-se à cara onde não sofreu o toque e o árbitro tem consciência que aquilo que assinalou e que ele viu foi a mão no braço do adversário que impede o movimento de rotação. Eu vou dar como boa decisão, porque estamos aqui a perder, entre aspas, tempo com este lance, é que daqui vai resultar o pontapé livre que dá o gol do Benfica.
Que é ao minuto 11. Aqui tudo legal no gol do Richard Rios.
Sim, é a questão do Fran Ivanović de estar em fora jogo posicional, mas do meu ponto de vista, não tem qualquer impacto na jogada em si e sobretudo naquilo que podia ser a ação de defesa do guarda-redes, que é aquele que podia eventualmente ser afetado pela posição de fora de jogo. Do meu ponto de vista, tudo certo nesta jogada ao nível do fora de jogo posicional não ter que ser penalizado.
Ao minuto 27, há um pênalti para o Benfica que Otamendi não concretiza, que o guarda-redes do Farense defende.
Sim, é aquele movimento de rotação também. Ainda não tinha tirado aqui o nome do jogador. Às vezes tenho só aqui os números. É aquela situação em que chegas tarde e varres as pernas do teu adversário. E neste caso, o jogador do Benfica é claramente tocado e rasteirado. E este é um lance muito interessante. Ou seja, a falta é muito fácil de se averiguar, que é falta, toque nas pernas, o jogador, aliás, nem reclamou praticamente nada. E este lance é interessante porque é um lance que vem com bodycam, em que a bodycam mostra que o árbitro tem o ângulo todo aberto, que vê claramente a falta nas pernas e que até se vê depois o braço direito do árbitro a ser esticado para a marca do pontapé de pênalti, de forma muito célere, rápida. E aqui dá para perceber que às vezes vai haver outros lances em que se dá para perceber que os árbitros às vezes estarão cobertos e tapados em termos de jogadores. E este é um lance que tem campo de visão para se perceber aquilo que acontece, que é o jogador do Benfica vai receber a bola e é completamente abalroado, rasteirado nas pernas e, portanto, pontapé de pênalti bem assinalado.
Saiu também um amarelo para Raphinha ao minuto 29.
Sim, aqui o amarelo para o Raphinha é aquela situação com o Sudakov. O Sudakov já está a recepcionar a bola e até está em queda e o Raphinha, na tentativa de lá chegar, dá um salto a dois pés e acaba por pisar, dá com os pitões no Sudakov que já está no chão. Portanto, é uma entrada que podia ter sido evitada. Claro que o jogador tem a intenção de chegar e tentar, através do salto, encurtar a distância e chegar à bola. O fato é que não só não encurta a distância como acerta no Sudakov que já está no chão e, portanto, uma entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
E acaba por lesioná-lo também nesse lance, acaba mais tarde por sair. Ao minuto 41, há um gol anulado a Ivanović.
Sim, bem anulado, é fora de jogo, são 58 centímetros que depois se percebe. Ou seja, quando Tomás Araújo faz o cruzamento para a área, o Ivanović está adiantado em relação ao Lucas da Grela, que é o jogador que está mais próximo a fazer a marcação, mas que está a colocar o Ivanović em fora de jogo e portanto o gol bem anulado pelo assistente e depois confirmado pelo vídeo-árbitro.
Na tua opinião, ao minuto 45 não há pênalti sobre Jaiminho?
Sim, é aquele lance que há dois jogadores do Farense que caem na área. O mais importante é o lance, o segundo momento do Manu com o Jaiminho. O primeiro momento acho que é pacífico, são dois jogadores que vão à disputa de bola e nem se pisam, nem sequer há contacto. A dúvida estava na questão do Jaiminho, porque quando separamos a imagem, vemos o pé esquerdo do Manu entrelaçar, a cruzar de frente com o pé esquerdo do Jaiminho. E a impressão que pode ficar é que teria havido rasteira. Mas depois, em movimento normal, o que é que nós percebemos? Os jogadores estão afastados em relação ao local onde vão colocar ambos os pés esquerdos e cada um faz o movimento para lá. Não é a situação em que eu tenho a bola, levo a bola e alguém me vai rasteirar. Não, são os dois a procurar o mesmo espaço e a esticar os pés esquerdos e promovem o contacto um no outro. E depois, no movimento normal da jogada, percebe-se que o Jaiminho, depois de sentir esse contacto, faz um gesto um bocado estranho, que é levantar o pé e estica outra vez. Ou seja, está a tentar claramente ganhar a infração que não existiu. E percebe-se isso claramente, que no primeiro contacto é normal e depois no segundo movimento, ele dá um género de um salto, nem consigo bem descrever por palavras, na tentativa de dizer que foi rasteirado. Não há qualquer infração, não há motivo para o pontapé de penalty. Boa decisão.
Vamos agora ao minuto 46, quando o árbitro dá um amarelo a Romero, mas depois é chamado pelo vídeo-árbitro, talvez para o reverter para um vermelho, mas é uma decisão que não toma. Mantém o amarelo.
Sim, para o árbitro, em jogo jogado, vê a rasteira, que é fora da área, acertou no local, livre direto, fora da área. Portanto, não é dentro da área. E embora depois o Ivanovic acabe, até por surpresa, dois momentos faltam, um fora e depois o jogador, o Romero, como se desequilibra também pela falta que faz, acaba por cair em cima da perna do Ivanovic. Mas o que conta aqui é o primeiro momento de infração, que é esse que realmente o Ivanovic se desequilibra, cai. Enfim, fica a dúvida se ele poderia ter ficado ou ter continuado de pé ou não, mas esse é que é o momento. Isto para dizer que a falta existe, é fora da área. O árbitro mostra cartão amarelo porque no entender dele, não há uma clara oportunidade de gol, há apenas o chamado corte de ataque promissor. Depois o VAR chama o árbitro para reverter o lance, para lhe dizer que há vermelho e tenta lhe provar que a falta é fora da área e que o jogador vai isolado. Esta é a expressão que nós dizemos em termos negros. O jogador vai isolado, tem vermelho. E o árbitro, depois de rever, diz que mantém o cartão amarelo porque continua a dizer que é um ataque promissor. Ora, o que significa o VAR dizer que é vermelho e dizer que é uma clara oportunidade de gol? Significa que tem que haver quatro fatores para que haja uma clara oportunidade de gol, que é o jogador que leva a bola, neste caso Ivanovic, ter a bola dominada ou controlada. Certo, ia com a bola dominada. Ir na direção da baliza, segundo fator, e vai na direção da baliza. A distância para a baliza ser curta, tudo que é entrada da área é sempre curta. E o quarto fator, que era este que estava em análise, o mais importante é se qualquer jogador, que não o que fez a falta, obviamente, neste caso do Farense, pode, para a distância que falta percorrer e para a zona onde foi a falta, se pode ainda intervir no lance. Ou seja, se vai ao lado, se vai à frente, etc. O VAR dá uma imagem de plano muito fechado. Mas na imagem corrida, e quando paramos o momento da infração, percebemos que o jogador que está mais perto, há dois jogadores do lado esquerdo do Ivanovic, conforme vindo pelas costas de Ivanovic, na direção da área adversária. E dos dois jogadores que estão mais próximos, o Geovany Almeida é o que está mais próximo e era aquele que podia intervir, eventualmente. Mas quando nós paramos a imagem no momento da falta, o Geovany Almeida está sensivelmente dois passos atrás. E portanto, se não houvesse a falta, aquele Geovany Almeida nunca conseguiria chegar à bola. Ele depois aparece e faz a dobra, porque realmente o Ivanovic sofre a falta e desequilibra-se, e por isso o outro ganha metros. Mas quando se para o momento do contato, percebe-se que o Geovany está atrás. Para se dizer que ele poderia intervir, tinha que estar ou à frente ou lateralmente. E mesmo lateralmente, para a distância que faltava percorrer, 16,5 m, entrada da área, já era muito complicado. E portanto, no meu ponto de vista, o vídeo-árbitro esteve bem. Talvez não tenha mostrado a melhor imagem, porque depois mostrou a imagem por trás da baliza e que plano fechado. Acho que devia ter mostrado a primeira imagem da câmera master, que era a câmera que estava a filmar, para se ver em plano aberto o momento da falta, em que se percebe claramente que o Geovany vem atrás, dois passos, e não tem qualquer hipótese de intervir. Portanto, distância curta, direção da baliza, bola controlada e nenhum defesa, minimamente o Geovany, podia intervir no lance. Clara oportunidade de gol. Para mim, aqui é o erro da equipe de arbitragem, era vermelho.
Ao minuto 64, o mesmo Geovany Almeida levou um amarelo.
Pé esquerdo pisa o pé esquerdo do Samuel Dalot, é um pisão e portanto, negligente à entrada, cartão amarelo bem mostrado.
Há outro amarelo ao minuto 68 para Duarte Furtado.
Furtado agarra de forma evidente e ostensiva o Gianluca Prestianni e portanto, cartão amarelo bem mostrado.
E um possível penalty sobre Ivanovic ao minuto 69, na tua opinião.
Sim, ele cai e fica a se queixar do peito e das costas e depois fica a dizer que foi por trás.
Um encontrão por trás, não é?
Exatamente. Mas há um contacto do Romero quando salta. Um jogador, muitas vezes, quando salta, uma coisa é, como vamos ver depois no lance final no VAR, que é um empurrão, um esticar do braço. Não, ele tem o braço completamente dobrado, tipicamente quem salta e se quer proteger para não se magoar, porque vão assaltar, está um para trás, eu estou a saltar nas costas, eu protejo o meu próprio corpo e o meu salto com o meu braço dobrado à frente do peito. É isso que ele faz. E realmente, quando paramos a imagem, está o braço nas costas, mas não há propriamente aquilo que é uma carga que impede de saltar ou um empurrão, quando a gente vê que é o braço todo esticado e a retirar, a empurrar, neste caso, se houvesse um empurrão, o Ivanovic tirando da jogada. Não é isso que acontece. Há apenas um contacto, para mim, sem carga incorreta, sem empurrão e, sobretudo, sem intensidade e consequência para um possível pontapé de penalty. Por isso, boa decisão para mim.
Ao minuto 85, saem dois amarelos de seguida, primeiro sobre Rios, que faz falta, e depois Prestianni, este por protesto, não é?
Não, é o pontapé da bola para fora. Lá está, como estás a dizer, e bem, o protesto. O Richard Rios estica o braço para parar a saída rápida do Duarte Furtado, um ligeiro toque, mas o suficiente para ele parar a jogada. E o Prestianni, discordando da falta que o árbitro tinha acabado de assinalar, já com o jogo interrompido, pontapeou a bola para longe e por isso cartão amarelo bem mostrado.
Fechamos no minuto 96 e é esse gol anulado ao Farense.
Sim, é o VAR. Intervenção do VAR e para mim correta e positiva, porque com a repetição e pela imagem por trás da baliza, percebe-se que o Geovany Almeida com a mão esquerda empurra e tira da jogada o António Silva, quando este vai a saltar para interceptar a bola. É claramente aquela situação em que tu vais a saltar e até ficas dobrado todo ao meio, porque o empurrão é muito claro e evidente e tira o António Silva da jogada. É um lance de televisão dificílimo de ver em jogo jogado, por isso o árbitro numa primeira instância validou o gol, mas depois com a repetição é muito claro e óbvio, por isso boa intervenção do VAR a reverter o gol do Farense e a anular por falta ofensiva sobre o António Silva.
Está feita a análise dos principais lances da partida. Na tua opinião, Pedro, qual é a nota a atribuir a Hélder Malheiro neste Farense-Benfica?
É um jogo extremamente difícil. Tivemos muitos lances, muitos lances de VAR e eu queria estar a ver o jogo e estava sempre a tirar notas de quem fez a falta sobre quem, deu amarelo sobre quem. É um jogo denso, por assim dizer, com muitos lances. Mesmo ao último, ao que aí disseste, termina com o anulado de um gol e o VAR esteve bem, no meu ponto de vista, nas ações que tomou para anular este gol, para dar o vermelho, o árbitro assim entendeu de maneira diferente e eu vou valorizar naturalmente a ação do vídeo ao árbitro, que ajudou em dois momentos cruciais. Vou penalizar um bocadinho o Hélder Malheiro na perspectiva de que eu acho que ele devia ter seguido o conselho, conselho entre aspas, aquilo que no fundo foi a observação que o VAR fez relativamente à tal situação de amarelo ao vermelho. Num jogo extremamente difícil de arbitrar sob este ponto de vista, mas vou dar nota positiva, nota 5, porque digamos que o erro maior, que seria a expulsão de Romer e daria vantagem à equipa do Benfica, o Benfica acaba por ganhar o jogo e acaba por perder algum impacto. Se fosse 0 a 0 ou 1, ou se o Benfica tivesse perdido, obviamente, neste caso concreto, teria tido outra consequência. Assim não tem e por isso mesmo assim vou valorizar o VAR, vou valorizar algumas decisões do Hélder Malheiro num jogo extremamente difícil de arbitrar. Nota 5.
Muito bem, está feito o "Sem Falta" desta noite relativo ao Farense-Benfica. Pedro Henriques, muito boa noite. Obrigado. Amanhã voltamos a contar contigo para mais duas emissões especiais de desporto.