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Vamos então para o Sem Falta. Pedro Henriques, muito boa noite.

Boa noite!

Há muita coisa a falar, acredito eu. Luís Godinho foi o árbitro desta final da Taça de Portugal, escaldante o árbitro de Évora. Logo ao sexto minuto, fala-me da situação entre Geny e também Otamendi.

Sim, é um lance em que o Geny Catamo cruza a bola e o Otamendi está nas costas do Gyokeres a marcar. É logo um primeiro ataque do Sporting. O Gyokeres aparece caído na área, depois até se cumprimentam, Gyokeres e Otamendi. Se haveria ou não pênalti do Otamendi sobre o Gyokeres, na minha opinião, não. Há sempre aquele risco que um jogador corre, neste caso, Otamendi, ao colocar a mão na camisola do Gyokeres, mas não o puxou, não o agarrou. É aquele momento em que tu tens a mão para controlar a posição do teu adversário e, portanto, não há consequência, que isso é que é muito importante, não é só ter a mão, não é só carregar, não é só empurrar, é que haja sempre uma consequência, que o jogador não chegue à bola, perca a bola, fique impedido de rematar. Portanto, tem que haver sempre uma causa e um efeito. Neste caso, não houve. Há realmente esse controle de mão, mas para mim sem infração, portanto, tudo legal, sem pênalti.

Entretanto, a primeira situação onde se reclama muito, décimo minuto, Gonçalo Inácio faz ou não pênalti sobre Arthur Koglo.

Não, a situação é fora da área, o Gonçalo Inácio estica claramente o pé. A questão é que o Arthur Koglo acaba por cair e se houvesse falta, se o Gonçalo Inácio não tivesse tocado como tocou com o pé esquerdo na bola e tivesse, por exemplo, rastreado Arthur Koglo, teríamos uma decisão de livre direto e cartão vermelho, porque o Arthur Koglo se isolava. Tocou claramente com a ponta do pé esquerdo na bola, não rastreou Arthur Koglo, portanto, lance legal.

Minuto 11, grande penalidade revertida pelo VAR.

E bem, portanto, numa primeira ação, há um remate do Bruma que é interceptado com o braço esquerdo do Gonçalo Inácio, e se assim fosse, eu daria, como dei, pontapé de pênalti, porque o Gonçalo Inácio está de frente e, portanto, quem remata tem o braço esquerdo do Gonçalo Inácio do lado direito de quem remata, para as pessoas perceberem. E o que o Gonçalo Inácio faz é rodar sobre ele próprio, portanto, roda 180 graus e vai colocar o seu braço esquerdo onde estava o braço direito, ou seja, ao fazer aquela rotação. E mesmo que o braço não esteja muito afastado do corpo, o facto de ter feito aquela rotação e ir buscar, parece os guarda-redes quando defendem as bolas com os braços contrários, mas o facto de ter ido buscar ou interceptar, neste caso, a bola com o seu braço esquerdo do lado contrário de onde estava, para mim é suficiente para mostrar que ganhava ali alguma volumetria, interceptava a trajetória da bola e, portanto, para mim, seria pontapé de pênalti. Mas depois o VAR, bem nesta reversão de lance, porque percebe que na jogada de ataque no corredor esquerdo, e quem faz o cruzamento para a área é o Kokchu, o Dal, quando faz o passe para o Kokchu, o Kokchu está em fora de jogo, está adiantado em relação ao último adversário, portanto, tudo correto naquilo que é reverter o pênalti e transformar aquilo num livre indireto a favor, neste caso, o Sporting, por fora de jogo do Kokchu.

Minuto 19, outro lance de área com o Dal e também Morten Hjulmand, e o árbitro dá amarelo ao Dal por simulação.

Sim, aqui a questão que se coloca muitas vezes, eu tenho sempre muita dificuldade em compreender, às vezes, os cartões amarelos por simulação. Para mim, tem que ser uma coisa muito clara. Há ali um momento em que eu paro a imagem, só deu uma repetição, em que fica a ideia que o Hjulmand poderia ou não, com a sua ponta do pé, ter tocado no pé, ele estica o pé direito, no pé, neste caso, esquerdo do Dal. Se houve esse contato, esse toque, realmente é mínimo. E fica a ideia também que a maneira como o Dal se projeta. Qual contacto poderia haver. E o árbitro interpreta aquilo como sendo lance para simular um pontapé de pênalti. Não há nenhuma imagem, no meu ponto de vista, muito clara e óbvia para dizer que há contato e se esse contato era suficiente para a queda do Dal, por isso eu vou dar claramente aqui o benefício da dúvida, dar, pelo menos, como boa a decisão de não ter sido pênalti. Fico com mais dúvidas em relação ao cartão amarelo por simulação.

Segunda parte, gol do Benfica. Tudo começa numa situação entre Geny e também o Dal. Ora, não há falta e, portanto, o gol é perfeitamente legal.

Não houve repetição e a repetição passa, eu até tinha aqui assinalado, ao minuto 60 ou 60 mais 10 segundos, portanto, passou muito tarde, isto é, em relação ao lance. Na altura, até tinha feito referência que não fazia sentido, num lance que dá gol, não haver uma repetição daquilo que era o momento de recuperação de bola por parte, neste caso, do Benfica. De relembrar que o VAR não está preso às repetições que são dadas na transmissão. Tem todas as repetições, faz os zooms todos que tem, é completamente independente de reagir à transmissão que é feita por parte da televisão. Depois, essa repetição é muito clara. O Geny Catamo quando faz ali pé esquerdo, pé direito, para ser rápido a fazer aquela movimentação e aquela finta, ele próprio acaba por escorregar sozinho e é ele que vai com o rosto à perna esquerda do Dal e por isso até se aleija. Portanto, o Benfica recupera a bola, o Benfica faz um gol legal, não há falta do Dal sobre o Geny Catamo.

Logo a seguir ao dois a zero, que depois não é dois a zero, e tudo começa também exatamente numa situação a meio-campo que vai resultar até num cartão amarelo para Carreras.

Sim, não obstante o Carreras até ter tocado na bola, ele com o pé direito, acaba por ter uma entrada completamente negligente na forma como aborda e de sólido, de pitons, de cima para baixo, acerta em cheio no tornozelo esquerdo do Trincão. E, portanto, é falta. Aqui a questão do tocar na bola é pouco relevante, porque tu podes estar a tocar na bola e teres uma entrada completamente desproporcional em relação ao lance e acabar por, ou antes, ou em simultâneo, ou mesmo depois Acertares em cheio no teu adversário. E este pisão, que é feito frontal, mas até com salto e com alguma impetuosidade, é passível não só de livre direto e de cartão amarelo por negligência. E como isto foi na mesma jogada de ataque, é aí que o Benfica recupera e depois ad continu, vai na direção do adversário e faz o gol, o protocolo prevê, se houver alguma infração, como houve, que esse gol seja anulado e seja recomeçado com o livre, neste caso, livre indireto a favor do Sporting. Bem aqui o vídeo árbitro a rever o lance e que realmente repôs verdade e justiça neste lance aqui.

Minuto 64, é aquela reação. Tu, em direto, até disseste que Kokçu passou pelos pingos da chuva de um cartão vermelho. Foi demais, não foi?

Sim, porque não só agarrou na bola e mandou-a contra o sol, por si só já é para cartão amarelo. Há também aquele protestar por palavras, mas depois aquela maneira como vai-

O dedo em riste

...para o árbitro de frente. Exatamente, em riste e muito próximo do árbitro, é sempre um risco para um jogador. Eu sei que os jogadores já sabem que levando um cartão amarelo, dificilmente o árbitro vai um bocadinho mais além, sobretudo quando é uma final, mas obviamente que arriscou. Mas eu acho, honestamente, que depois de rever o lance, também me ficaria apenas pelo cartão amarelo.

Entretanto, e até para não estragar a final, cartão amarelo para Conrado. Minuto 77, aqui é uma grande lista, é aquela situação que mete a mão na cara, a mão esquerda do Otamendi.

Roda, projeta e com a mão esquerda acerta na cara do Otamendi, um comportamento incorreto, antidesportivo e, portanto, bem mostrado aqui o cartão amarelo. Porque há uma diferença, que vai ser importante para um lance mais à frente, entre o acertares na cara quando ou rodas, ou fazes um movimento, ou quando projetas o teu braço para trás, e outra coisa é, no teu movimento natural, eventualmente estendes o braço e tocas no adversário. Aqui é de projeção, é de claramente sentir o adversário e de querer lhe acertar. E portanto, aqui, cartão amarelo bem mostrado.

Entretanto, Max Araújo vê aqui um cartão amarelo, Max Araújo, aliás, e é um cartão amarelo que é mal dado. É aquela situação junto à linha lateral em que ele salta com o jogador do Benfica.

Exatamente. Há um contacto. Eu até poderia aceitar, não concordo, que houvesse falta de livre direto. Às vezes aquela situação de saltar ou ficares por baixo e dás ali o contacto e tiras o adversário do caminho, mas nunca para cartão amarelo, a não ser que tenha havido ali alguma coisa de palavras. Mas a maneira como o árbitro assinalou falta e mostrou o cartão amarelo tão rápido, pareceu-me que foi essa amarelo em consequência da falta, que para mim não existiu.

Aos 87, amarelo, aliás, o Trincão cai na grande área, não há, de facto, pênalti.

O Renato Sanches, com o pé esquerdo, até toca na perna do avançado sportinguista. Diria: "Então, mas toca." Mas a questão é que quando eu paro a imagem, o Trincão já está mesmo a cair, está a se projetar e já está completamente em queda e desequilíbrio. Portanto, aquele contacto que existe não tem nada a ver com a queda que entretanto já estava a acontecer e a existir. Não é o contacto do pé à posterior que leva o Trincão a cair, é o Trincão, que por ação do movimento, estava já em projeção, em queda e portanto, para mim, correto, não havendo aqui qualquer motivo para apontamento de pênalti.

Minuto 90, cartão amarelo, bem mostrado a Morten Hjulmand.

E agora aqui perdi-me, 90 mais dois.

Noventa mais dois.

Exatamente, agora estava à procura do 90. Noventa mais dois. Sim, ele roda. Lá está, aqui mais uma situação em que ele roda, acerta com o seu braço direito na cara do Renato Sanches, depois até foi pedir desculpa. Isto é a situação típica de projeção de braço, ou seja, situação em que tu não estás a fazer um movimento normal, natural, mas sim, rodas e vais à procura de alguém que está ali atrás para lhe acertar. E aqui cartão amarelo bem mostrado.

Momento-chave, que de resto levou o próprio Rui Costa a falar, foi talvez a que se inflamou mais o jogo, é aquela agressão bárbara de Mateus a Belotti.

Este lance tem muitos condicionantes. O Matheus Reis até dá-me a ideia que com o pé direito até já dá ali um leve pontapé, por si só já era complicado. O próprio Max Araújo que está no lance, na queda, também acerta ali com o braço, cotovelo na cabeça, o que pelo menos seria cartão amarelo, o que poderia ser o segundo, embora o primeiro tenha sido mal mostrado. Portanto, eu já nem me vou focar muito nestes dois momentos. Vou ficar no momento, para mim, mais evidente.

É o final.

É o final, que é com o pé esquerdo, de cima para baixo, pisa claramente a cabeça do Belotti. Portanto, isto é uma situação de conduta violenta, porque não é na disputa de bola. A falta que o árbitro assinalou é bem a favor do Sporting, porque o Belotti acaba por fazer o chamado jogo perigoso passivo, que é quando põe em risco a própria segurança. Normalmente a gente diz que os jogadores seguram a bola e impedem, quando estão no chão, de se poder jogar a bola e portanto arriscam-se a serem tocados, carregados, pontapeados, o que quer que seja. E portanto, são eles que põem em causa a sua própria integridade e por isso a falta que foi assinalada, e pareceu-me que foi falta, não foi pontapé de baliza, que foi assinalada a falta, seria sempre bem assinalada. A questão não está aí, a questão está na conduta violenta, independentemente do jogo estar interrompido, não estar interrompido ou estar a decorrer. Há uma conduta violenta que é clara e óbvia, com acesso às repetições. Acredito, para o árbitro que está longe, que está na expectativa de uma bola que está a sair e com os jogadores embrulhados, que não tenha essa percepção, porque ainda por cima, estão ali três jogadores em cima do Belotti. É um pisão, o pisão é feito por dentro, com a cabeça ali junto à linha de baliza. Portanto, é difícil para o árbitro, que está na sua diagonal, que está relativamente longe, porque é o normal. Mas é um pisão. Isto é um pisão de televisão Neste caso concreto, havendo um pisão, uma conduta violenta, faz parte do protocolo e este não tem interpretação, é só ver o lance. Quem vê percebe que é cartão vermelho. Perante isto, vamos até admitir que o VAR não tenha tido tempo, ou seja, vê o lance, vai tentar perceber se há mais qualquer coisa e quando vai ver, o jogo já recomeçou. E fiquei com a ideia que o recomeço foi extremamente rápido. Mas mesmo assim, há aqui uma exceção, e era isso que eu queria falar, do protocolo VAR, que está resumido, neste caso, nas leis de jogo, no guia universal, numa parte que diz "protocolo VAR, princípios, aspetos práticos e procedimentos", na página 149, que diz algo como isto: se o jogo foi interrompido e recomeçado, como é o caso, e o árbitro apenas pode efetuar uma revisão e efetuar a respetiva punição disciplinar em caso de erro de identificação de uma potencial infração para expulsão relacionada à conduta violenta, e depois fala mais, cuspir, morder, etc. Resumindo e concluindo, o que diz na página 149? Imaginemos que por alguma razão passou despercebido ao árbitro e até passou despercebido ao VAR, ou que o VAR não teve tempo e que o VAR, de repente, e eu quando digo de repente é a posteriori, já com o jogo recomeçado, vai verificar que houve aqui algumas situações disciplinares, neste caso concreto, a conduta violenta está lá inserida, que é quando sem bola acontece o que aconteceu, um pisão, e que o VAR só se apercebe ou não teve tempo de avisar o árbitro e entretanto, tecnicamente, o jogo já recomeçou. Ele pode a todo momento chamar o árbitro, pedir para ir ao monitor e, se o árbitro concordar com a decisão, neste caso disciplinar de cartão vermelho, está a tempo de expulsar sempre o jogador. Só tecnicamente é que já não pode voltar atrás. Imaginemos, só para as pessoas perceberem o que eu quero dizer com isto. Imaginemos que tinha sido um pisão que dava origem a um pênalti e um cartão vermelho. Ele poderia ir buscar essa conduta violenta para expulsar os jogadores, já não podia, por exemplo, voltar atrás, se fosse pênalti, para assinalar o pênalti. Ou seja, tecnicamente, já não há nada a fazer. Se interrompeu o jogo, foi chamado para o VAR, começa com bola no solo. Imagina quando era chamado ao VAR, havia um livre direto ou um lançamento lateral, é assim que tem que começar o jogo. Portanto, tecnicamente, já não pode puxar a fita atrás. Agora, disciplinarmente, há aqui algumas situações disciplinares de exceção, como é o morder, como é o cuspir, etc., e como são as condutas violentas. E portanto, até nesse aspecto, o VAR estaria a tempo. E este lance é um lance importante, porque estamos a falar do minuto 94 para o 95, o árbitro deu 10 minutos e ainda por cima estava 1 x 0 para o Benfica. Não sabemos o que ia acontecer a seguir, até podia haver na mesma outros lances em que se o Porto tentava a volta, ganhava, não interessa. Mas o facto é que este é um momento-chave importante e se calhar uma equipa com menos um jogador, para já não falar em Max Ceruz, se calhar as coisas seriam diferentes.

Muito menos polêmica no gol do empate, é o tal pênalti, a falta parece-me evidente, Renato Sanches sobre o avançado do Sporting, o Viktor Gyökeres.

Sim. Vai em corrida, vai por trás, faz o troca pés, acaba com a perna esquerda também para acertar no joelho, perna esquerda do Gyökeres. É sem querer, mas é aquilo que a gente chama imprudência na forma como aborda o lance. E a imprudência é punida, não disciplinarmente, mas apenas tecnicamente com livre direto, sendo dentro da área, portanto, é pênalti. Acho que este é muito evidente.

95.

Sim, só para as pessoas perceberem. Quando eu ponho um lance ao minuto 90 mais nove, é 95. De repente, vai ao 95.

Não, é 92. Exatamente.

É 90 mais nove, é os descontos, foram até ao minuto 100. E depois, quando começa o prolongamento, para efeitos de assinalar faltas, é 91, 92, 93, 94, 95. Para as pessoas perceberem que passámos do 90 mais nove agora para o 95. Mais nove, descontos. E agora, quando começa o prolongamento, tudo o que acontecer é ao minuto 91, 92 até ao 120. E neste caso, 95, era isso que ia me proteger.

Era o Árder com o Otamendi.

Exatamente. Porque aqui também até se falou de um possível segundo cartão amarelo. O lance é completamente diferente. Sim, acertou na cara do Otamendi, mas é lance em que o Árder está claramente na frente, tem a posição ganha e não faz aquele movimento para trás para projetar, para acertar. Portanto, é o movimento, no meu ponto de vista, normal, natural, tem lá o braço, acaba por haver o toque e para mim, apenas uma infração técnica, sem infração disciplinar.

Entretanto, seguiu o jogo, minuto 101. Segundo gol do Sporting, Árder a marcar.

E o que parece é na grande área caído no chão, de facto, o Otamendi. Sim, não há falta do Gyökeres sobre o Otamendi. O Otamendi tem os braços para trás e está a sentir o Gyökeres nas suas costas e o Gyökeres também tem as mãos ali em contato com ele. Não vejo nas repetições que deram, e algumas delas plano próximo e fechado, empurrão, agarrão, puxão, carga nas costas. Há contato e o próprio jogador do Benfica também tem as mãos para trás e ao sentir esse contato, ele próprio deixa-se cair. Portanto, é uma situação que, para mim, o gol do Sporting é legal, sem infração do Gyökeres sobre o Otamendi.

Minuto 103 é uma conduta antidesportiva, não é? Aquela do Geovany Canda.

Fora do campo, para lá das linhas laterais, o Carreras ia buscar a bola, lançamento lateral e o Geovany Canda empurra claramente o seu adversário, cartão amarelo bem mostrado.

Também conduta antidesportiva para Samuel Soares, minuto 114.

Não há repetições muito boas.

O que terá acontecido, ou o que ele terá ouvido.

Exatamente. Ouvimos aqui os nossos repórteres, quem estava a relatar, que o Samuel Soares tinha-se virado para a bancada, para os adeptos, estaria ali a responder, a troca palavras. Temos aqui duas coisas. Não sei o que foi dito ou não foi dito. Independentemente daquilo que foi dito, os jogadores nunca podem, no fundo, ir para as bancadas, falar com os adeptos. E quando digo falar, não é falar, é falar, neste caso, protestar, discutir, etc. Nós sabemos que às vezes temos situações relacionadas com o racismo e que às vezes isso torna os momentos muito complicados. Temos jogos às vezes interrompidos e há um protocolo próprio. Não consta nada disso. Eu vou me cingir ao facto de o árbitro ter mostrado cartão amarelo pelo facto do guarda-redes do Benfica, de alguma maneira, ter-se dirigido aos adeptos e obviamente que visto assim e dito assim, não o pode fazer e é cartão amarelo.

Último lance, minuto 115, é aquela situação em que fica por exibir um cartão amarelo a Schjelderup.

É, ele pisou o Árder, é uma entrada fora tempo e um pisão. Depois até me dá uma ideia que o Schjelderup até fica lesionado a partir daí, ou pelo menos mais tocado na perna, como já estava, mas é o Schjelderup que pisa o Árder fora tempo e ficou com um cartão amarelo para mostrar.

Então Pedro, Pedro Henriques, anota para Luís Bolinho de Évora.

Eu vou dar nota negativa, nota 4. Queria só fazer referência a mais uma coisa. Sei que hoje está muito extenso, mas também é um jogo especial, até porque também foi falado na questão dos 10 minutos, dá-se muito a falar. O árbitro realmente deu 10 minutos de descontos, que na prática, na Lei 7, chama-se recuperação de tempo perdido. Não vou estar aqui a defender os motivos ou não os motivos, eu vou só dizer o que aconteceu no segundo tempo e relembrar que os descontos dados no segundo tempo é só em situações de segundo tempo. Houve seis paragens para substituições e nós temos como referência 45 segundos para cada paragem. Houve um gol e os gols, quando são marcados, também faz parte da Lei 7, o protocolo, no sentido de dizer que é para acrescentar o tempo que se perde, digamos, entre aspas, "na comemoração do gol". Houve um gol anulado, o tal segundo gol do Bruma, com ida ao monitor. Houve, durante o período, porque houve depois mais cartões a posteriori, quatro cartões amarelos e houve cinco entradas, isto é, quatro entradas por parte da equipe médica do Benfica para assistir cinco jogadores. Primeiro, por esta ordem, não tenho aqui os tempos, Samuel Soares, Kokchu, Tomás Araújo e depois, no fim, o Belotti, que tinha chocado com Otamendi, recordo, e quando a equipe médica já tinha assistido o Belotti, depois ainda ficou lá para assistir o Otamendi, que não sei se foi suturado ou não, ficou ali com um penso e houve um tempo até ainda maior. Eu deduzo, só fazendo agora aqui, irmos buscar os tempos todos e fazer as contas, mas temos aqui realmente, claramente, matéria para justificar aquilo que é um número bastante elevado, sobretudo pelas assistências e aquela que foi mais demorada, que foi a questão do Otamendi. E depois, claro, que tendo sido um gol, neste caso o 1x1, pênalti obtido no minuto nove dos descontos, pode-se sempre discutir esta questão, se fosse cinco, se fosse seis, se fosse oito, etc. De qualquer maneira, ainda por cima, houve também dentro destes seis minutos, até motivos, como foi o caso do pênalti, para ainda se acrescentar mais qualquer coisa. De qualquer maneira, não é por aqui. Eu acho que tudo isso que aqui falei mostra claramente o motivo e a razão pelo qual o árbitro deu tanto desconto. Eu acho que realmente o grande lance, o lance mais relevante e importante é quando o Benfica está a ganhar 1x0, o tal 90 + 5, que era expulsão clara por conduta violenta. Faltou o árbitro, mas sobretudo, no meu ponto de vista, não estando aqui a defender o árbitro, até porque gosto bastante da maneira como ele arbitra, como ele conduz os jogos, faltou o VAR. E o VAR é o nosso senhor, é um VAR que ainda ontem esteve muito bem na Champions League feminina, e faltou aqui no momento que é crucial. E mesmo que o jogo tivesse começado rapidamente, ele tinha sempre tempo de ir buscar, porque a imagem é tão clara, tão óbvia, eu só consigo entender que, por alguma razão, o árbitro nem sequer viu este lance. É a única hipótese que eu tenho, porque é daqueles lances que não tem discussão. Qualquer pessoa que veja o lance percebe que é uma conduta violenta e que é um cartão vermelho. Nota 4, nota negativa, com grande responsabilidade do vídeo-árbitro, que no momento crucial, tinha que ajudar o árbitro, até porque o VAR tinha estado bem na transformação do gol em fora de jogo, no anular do gol ao Bruma, em momentos importantes, e depois, num momento tão importante como este, numa conduta violenta, acaba por não atuar quando devia atuar. E portanto, dou muita responsabilidade aqui ao vídeo-árbitro nesta nota negativa, que é repartida por toda a equipa, nota 4.

Nota 4 dada pelo Pedro Henriques a Luís Godinho. Fica disponível, sem falta, através do podcast da Rádio Observador. Pedro, um grande abraço.

Um abraço. Amanhã há mais.

Amanhã há mais.