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Abrimos aqui o semáforo político da tarde em direto. Todas as tardes distribuímos cores de semáforo pela atualidade e hoje, ainda no rescaldo das eleições diretas no PSD, contamos aqui em estúdio também com o editor-adjunto político do Observador, o Miguel Santos Carrapatoso, e é nosso convidado o deputado André Coelho Lima, vice-presidente da direção de Rui Rio, que já tem um sucessor escolhido na liderança social-democrata, é Luís Montenegro. André Coelho Lima vai também sinalizar a atualidade com o Bruno Vieira Amaral e com a Vanessa Cruz, para quem lança o primeiro sinal verde do nosso semáforo.

Vamos olhar para a transição de pastas no PSD e para os próximos tempos, que se preveem desafiantes, que o partido tem pela frente. Obrigada por ter aceitado o nosso convite, André Coelho Lima. Primeiro, deixe-me que lhe pergunte se os resultados das diretas eram aqueles que estava à espera e se Luís Montenegro vai dar um bom líder do PSD.

Muito boa tarde e obrigado pelo vosso convite. Dizer que os resultados eram ou não os que eu estava à espera põe-nos a fazer um papel de adivinhação do que ia suceder. E se há coisa que as eleições do PSD nos ensinaram é não ter resultados à partida. Eu prefiro dizer que os resultados foram aqueles que os militantes que se deslocaram às urnas quiseram que fossem e, portanto, quiseram eleger o doutor Luís Montenegro como presidente do PSD. Isso parece-me absolutamente claro. No que respeita sobretudo a eleições políticas, nunca há resultados esperados ou menos esperados.

Mas Luís Montenegro vai dar um bom líder ou não?

É naturalmente aquilo que todos esperamos. É o líder que os militantes do PSD escolheram e que tem o mandato à sua frente para poder fazer o melhor possível e que naturalmente todos nós, militantes do PSD, desejamos que corra o melhor possível. Não pode ser de outra forma.

Portanto, merece um sinal verde?

Merece um sinal verde. Eu não estou muito familiarizado aqui com o vosso semáforo.

É que a terminologia do programa é esta: verde, amarelo, vermelho, mas pode inventar a cor que quiser.

Já percebi. Mas eu fico por essa. Sim, merece um sinal verde, sem dúvida, até porque logo a seguir à vitória, há também uma esperança no sentido de que tudo corra pelo melhor. É aquilo que todos desejamos, naturalmente, no sentido da afirmação do PSD e da afirmação contínua como alternativa ao Partido Socialista.

Mas consegue compreender que depois de ter perdido as eleições de 2020, Luís Montenegro tenha agora uma votação tão esmagadora? Foi o partido que quis virar aqui a página do Ruiismo ou faltou concorrência à altura?

Não, eu acho que, com toda a franqueza, nem uma, nem a outra. Esse virar de página que se refere é ditado por força das circunstâncias, por força do resultado das eleições legislativas. E aí o doutor Rui Rio e a sua direção nacional, onde me incluo, naturalmente, e precisamente por isso é que disse que não estaria disponível nem para ocupar quaisquer cargos partidários, nem para ter uma posição ativa nestas eleições, por uma questão de interpretação dos ciclos políticos. Está a ver? Este resultado de há dois dias representa uma eleição clara de um presidente, mas representa também, da minha parte, da parte do ciclo que terminará, no fundo, interpretar os ciclos políticos e portanto, é o que é normal em democracia, na democracia partidária e na democracia não partidária. Há aqui um ciclo novo que se abre e por ser um ciclo, em certa medida, diferente do anterior, pelo menos em termos de caminhos, é natural que depois haja uma correspondência natural da militância à abertura de um novo ciclo.

Deixe-me interromper. André Coelho Lima é deputado, é vice-presidente da bancada parlamentar. Luís Montenegro tem sido muito ambíguo, para dizer o mínimo, sobre a continuidade de Paulo Mota Pinto e do resto da direção da bancada. Pergunto: está preparado para deixar o cargo?

Miguel, eu estou preparado para tudo, para deixar o cargo ou para não deixar o cargo. Portanto, como deve imaginar, sou a última pessoa para clarificar quaisquer ambiguidades, se é que existem.

Mas compreenderia que depois de ter sido eleita por 92% dos votos expressos, a direção da bancada parlamentar fosse substituída?

Eu digo-lhe assim: numa conversa que tive com o Público há um mês atrás, disse aquilo que direi hoje exatamente igual. Desejo todas as condições para que o grupo parlamentar e a direção que este grupo elegeu, mas a direção é apenas a condutora do próprio grupo, porque o grupo é como um todo, que o grupo parlamentar trabalhe com a nova direção nacional. Eu disse isso antes de saber qual seria a direção nacional, o que significa que tem todas as condições para se trabalhar com qualquer direção nacional.

Mas Rui Rio dispensou Hugo Soares, então líder parlamentar, quando chegou a presidente do partido. Não era normal que Luís Montenegro fizesse o mesmo?

Conquanto haja lealdade, conquanto haja um reconhecimento de que, sem prejuízo das posturas individuais de cada um dos deputados, que isso sempre houve e sempre haverá, pontualmente, num ou noutro assunto, a condução política do partido compete à sua direção nacional e eu penso que quer o grupo como um todo, quer a sua direção, interpretam isso dessa forma e estão nesse sentido disponíveis para colaborar.

André Coelho Lima, o novo líder do partido foi sempre muito vocal nas críticas que fazia à falta de resultados eleitorais de Rui Rio. Está Luís Montenegro obrigado a ganhar as eleições europeias?

Estamos a dois anos das eleições europeias. Como deve compreender, percebo a sua pergunta, perceba naturalmente a minha resposta. Não vou traçar aqui cenários de que a minha resposta possa parecer qualquer tipo de pressão. Eu acho que aquilo que é fundamental é o seguinte: hoje começou um novo ciclo No PSD é preciso respeitar o ciclo que termina e respeitar o ciclo que inicia. Isso faz-se com a serenidade que é própria das pessoas que estão com o objetivo de contribuir para que o PSD cresça a cada dia e ser firme como alternativa ao Partido Socialista. É isso. Ou seja, os resultados eleitorais futuros e ainda para mais longínquos, como é o caso, mas que são os primeiros que temos pela frente, ver-se-ão em função de um conjunto de circunstâncias. O que é preciso é que a pressão a ser colocada seja correspondente às condições reais. É inevitável que nos resultados últimos, por exemplo, a circunstância de haver dois partidos à direita do PSD, que até surgiram antes da eleição do doutor Rui Rio como presidente, essa é uma nota de curiosidade, mas o surgimento desses dois fenômenos políticos altera a configuração parlamentar.

Mas estas eleições europeias também serão as primeiras desses dois partidos que nasceram à direita do PSD. Portanto, Luís Montenegro tem aqui algum fôlego para perder as eleições europeias, é isso?

Não perder, nem ganhar. Aliás, quem tem que criar metas ao seu próprio trabalho é o presidente agora eleito e não vou ser eu que o vou fazer, de forma nenhuma. Aquilo que eu estava a dizer, e vou repetir, é que o resultado eleitoral e o maior sucesso ou menor sucesso desse resultado se vê em função das circunstâncias que na altura estiverem à nossa frente. Estamos a demasiada distância para traçar cenários dessa forma.

Mas o PSD, enquanto partido vocacionado para o poder, pode dar-se ao luxo de continuar a acumular derrotas em eleições? Eu sei que estamos a dois anos ainda das eleições.

Sim, eu percebi a pergunta e vou lhe responder como respondi sempre que me fizeram essa pergunta nas funções que ocupo ainda, mas que ocupei ao longo destes anos. E a resposta que dei foi sempre esta: o PSD naturalmente que se candidata sempre para vencer. Em Portugal, no contexto político e partidário que temos no nosso país, e que se mantém, aliás, devo dizer que bastante estável, basta ver que 70% dos eleitores nas eleições legislativas votaram entre o PS e PSD, onde está claramente a maioria do eleitorado português. E portanto, o objetivo do PSD como principal contendor é naturalmente vencer. Aí não há equívocos. E eu disse isso todas as vezes que me fizeram essa pergunta.

Muito bem. André Coelho Lima, deixe-me pegar aqui numa outra ambiguidade de Luís Montenegro, aqui em relação a eventuais alianças com o CHEGA. Está preocupado com o rumo que o partido pode tomar?

Não estou nada preocupado, e deixe-me dizer-lhe que a expressão ambiguidade é sua, como há pouco foi do Miguel na pergunta que me fez. Não é minha.

Mas conseguiu perceber o que Luís Montenegro pensa sobre alianças com o CHEGA?

Acho que ele agora foi eleito como presidente do PSD e portanto é preciso perceber daqui pra frente e não daqui pra trás. O que se discutiu daqui pra trás ficou na campanha interna do partido. Daqui pra frente, ver-se há. Será demasiadamente especulativo estar aqui a traçar cenários sobre isso. Acho que é preciso dar espaço a quem foi eleito para poder implementar o seu programa, o seu projeto, e depois falarmos sobre fatos e não sobre projeção de fatos, que é o que me estão a pedir que faça, e isso compreendam que eu não faço, até para não tirar nenhum tipo de espaço ao doutor Luís Montenegro para naturalmente ter a ligação com todos os demais partidos com assento parlamentar e os que não têm o assento parlamentar, as ligações que entender dever ter.

Vamos tentar então aqui perceber outra questão. O novo líder, Luís Montenegro, foi sempre muito crítico, e isso certamente reconhecerá, da forma como Rui Rio e a direção, que agora termina mandato, fazia oposição a António Costa, dizendo que o PSD não podia ser um PSB, nem uma muleta dos socialistas. O que espera do papel de Luís Montenegro como líder da oposição? O que acha que vai fazer de diferente que Rui Rio até aqui não conseguiu fazer? Segundo, aliás, a leitura de Luís Montenegro.

Há aqui algo que não posso deixar de dizer relativamente ao período que terminará dentro de cerca de dois meses. Acho que entre outras imagens, digamos assim, acho que há duas que eu associo de forma muito clara à liderança do doutor Rui Rio. Por um lado, houve aqui um reposicionamento ideológico do PSD no espaço da social-democracia, que é um espaço que, não sendo o único que ocupa, não pode deixar, naturalmente, de ocupar. E um segundo, que é o da priorização do interesse nacional em detrimento dos interesses partidários. Eu, se quer que lhe diga, diria assim: eu acho que o eleitorado reconheceu esta primeira bandeira ou esta primeira característica da liderança do doutor Rui Rio, portanto, o recentramento do PSD. E acho que sim, porque de outra forma não teria sido possível o PSD ter o resultado que teve num contexto em que o Partido Socialista tem maioria absoluta. Recordo os resultados de Almeida Santos e de Vítor Constâncio nas maiorias absolutas do PSD, que foram de 20 e 22%. E portanto, aqui o PSD teve scores completamente diferentes, precisamente porque consegue crescer ao centro. Ou seja, acho que o eleitorado reconheceu a primeira destas posturas, o do tal recentramento ou o regresso ao espaço da social-democracia, que talvez não tenha reconhecido suficientemente bem o segundo, o privilegiar o interesse nacional em detrimento do interesse partidário. Ou seja, porque isso significa, por vezes, não atacar o governo, apesar de isso poder ser mais útil para o partido, se aquilo que se está a fazer é melhor para o país E essa, como é óbvio, não esperam que diga coisa diferente, é algo que o doutor Rui Rio fez e que nós fizemos com toda a convicção de considerar que é a forma de estar na política. Naturalmente que às vezes a linha de destrinça é muito tênue. Às vezes estás a falar do assunto A ou do assunto B, porque nunca o PSD deixou, nem deixará, e seria injusto considerar-se que deixou de fazer oposição ou que fez qualquer tipo de colaboracionismo.

Luís Montenegro discorda. Por isso é que nós perguntávamos o que espera do papel de Luís Montenegro como líder da oposição.

Aquilo que eu espero é que o doutor Luís Montenegro cumpra o papel de oposição para o qual se candidatou a presidente do PSD. E que é aquele que naturalmente ele tem no seu espírito como sendo o que deve ser feito por um líder da oposição. Não vou atribuir aqui uma catalogação, se é mais, se é menos, se há menor intensidade ou menor intensidade. Às vezes é preciso perceber as coisas e situá-las nos devidos tempos, as críticas situá-las nos devidos tempos. Penso que aquilo que tem sido feito pelo PSD tem sido responsável e tem sido naturalmente de uma oposição franca e aberta, e aliás, viu-se isso muitíssimo bem nas últimas legislativas. A partir daqui pode haver divergências pontuais. Aquilo que se espera do doutor Luís Montenegro é que faça oposição, naturalmente, como o doutor Rui Rio também fez, que faça ao seu estilo, naturalmente. Não será o estilo do doutor Rui Rio, como não seria o estilo de outro líder, e que faça o melhor possível, porque foi precisamente para isso que se candidatou.

E quer esperar para ver, no fundo. Sim.

Não pode ser de outra forma.

Doutor André Coelho Lima, deixe-me só também chamar aqui o Bruno Vieira Amaral, porque ele tem um sinal para atribuir. Faz isso todos os dias aqui no Semáforo Político, e é um sinal verde para Luís Montenegro, precisamente.

Tem de ser, é a hora da vitória e por isso merece um sinal verde, ainda por cima porque foi uma vitória esclarecedora, não deixou margem para dúvidas. O partido não se dividiu, tombou completamente para o lado de Luís Montenegro, num resultado que aparentemente até terá surpreendido os próprios apoiantes de Luís Montenegro. Por outro lado, a abstenção foi alta.

Foi muito elevada.

Sim, o que é um mau sinal para o partido, para a vitalidade do partido e também para a nova liderança. A partir daqui é que, como se costuma dizer, é que a porca torce o rabo. O partido está conquistado. Agora, quando é que Luís Montenegro vai ter a oportunidade de conquistar o país ou de ir conquistando o país? Vai aguentar estes anos de oposição? Quando chegar às primeiras eleições, que são as europeias, estará obrigado a ganhá-las? Eu acho que sim. Eu acho que o PSD rapidamente tem que começar a ganhar, tão rapidamente quanto possível, tem que começar a ganhar eleições. Caso contrário, com um cansaço natural que existe de tantos anos de governação socialista, não se percebe o que é que poderá justificar mais uma derrota do PSD, a não ser a incompetência e a falta de capacidade de passar a mensagem do PSD para os eleitores. E há outras questões, saber se estes 72% que deram a vitória a Luís Montenegro ainda vão estar com o líder daqui a um ano, por exemplo. É que a questão é sempre a mesma, o PSD está há muito tempo afastado do poder e antes dizia-se que era um partido que convivia mal com o fato de estar na oposição. Nos últimos tempos largos, tem estado remetido a esse papel e tem de rapidamente, para usar o futebolês, dar a volta, levantar a cabeça e dar a volta. Vamos ver se Luís Montenegro é o líder que vai chegar a essas eleições.

A ver, vamos se Luís Montenegro é ou não o líder para queimar. Já disse que quer ser primeiro-ministro em 2026. André Coelho Lima, volto a si para duas perguntas, às quais peço duas respostas muito rápidas. Rui Rio está prestes a deixar a liderança do PSD, como sabemos, o congresso é a 1 de julho, é nesse fim de semana. Daria um bom candidato presidencial em 2026?

O doutor Rui Rio é claramente uma das figuras de destaque da política portuguesa, portanto, isso será uma reflexão que apenas lhe poderá passar pela cabeça dele. Ou seja, não quero fazer nenhum tipo de especulação. Que daria um bom candidato, isso sem dúvida que daria, como outras personalidades dariam. O doutor Rui Rio, por maioria de razão, também.

Olhando agora para outro tema, que também envolve o PSD, é uma notícia do Observador: os vereadores do PSD vão apoiar a decisão de Rui Moreira de sair da Associação Nacional de Municípios, portanto, essa saída é certa, porque Rui Moreira tem aqui o apoio do PSD. Concorda que seja esse o caminho?

Eu não queria, espero que compreendam-me, excluir-me em decisões próprias do município do Porto. E portanto, só posso dizer que, naturalmente, saídas de organismos institucionais são sempre de lamentar, mas estão assentes nas razões que os órgãos legítimos, autárquicos do município do Porto entenderam que deviam levar a um desfecho desta natureza.

André Coelho Lima, muito obrigada por ter estado no Semáforo Político. André Coelho Lima é deputado do PSD e também vice-presidente da direção de Rui Rio, uma direção que está no último mês a liderar o maior partido da oposição.