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E hoje começamos em modo termômetro. Iñaki Urdangarin e a Infanta Cristina, irmã do rei de Espanha, decidiram, de comum acordo, interromper a relação conjugal, palavras deles. Eu sei, não chorem. Pensem que se é difícil para vocês, para eles ainda é pior.

Mas não há nenhuma esperança? É que ficou-me atrás da orelha aquele interromper. Não é concluir. Não sei, há ali qualquer coisa que não é terminar. Nenhuma possibilidade de ainda resolverem as coisas?

Não. Lamento, mas não há. Tentámos tudo, empregámos todos os nossos conhecimentos científicos, mas era um casamento com muito caruncho. Polêmicas, crimes económicos, condenações e agora uma traição. Urdangarin fotografado de mãos dadas com outra mulher.

É não paz a alma deste casamento real que encantou nuestros hermanos.

Encantou, é verdade. Todos nos lembramos que o Urdangarin foi sempre aquele rapaz bem-apessoado, uma estrela autêntica e era também uma das estrelas da seleção de andebol de Espanha, que em 1992 participou no torneio olímpico em Barcelona.

De resto, uma família de desportistas. A Infanta também foi olímpica nos Jogos de 88 em Seul. Foi suplente na equipa de vela classe 470.

Foi um exemplo para a nação, Nelson. Depois deixaram o desporto e meteram-se em negócios mais obscuros.

Lá está.

Mas já se sabe, pessoas que cresceram em contextos familiares difíceis, a aprender a comer com 50 talheres desde pequeninos, só podia dar nisto.

Era isso. Falamos então de desporto e daqueles Jogos Olímpicos, em particular, os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, no mesmo ano da Expo de Sevilha, puseram claramente Espanha no mapa e Barcelona na moda.

E os espanhóis bem que aproveitaram, até aí eram os desgraçaditos das medalhas olímpicas, aliás, como nós. E a partir desses jogos dispararam e nunca mais os vimos.

Só nessa edição, Espanha conquistou 22 medalhas em desportos como atletismo, polo aquático, tiro com arco, foi um fartote. Já Portugal veio de Barcelona de mãos a abanar. Nenhuma medalhinha só para enganar a fome, nem daquelas medalhinhas dos santos. Nada.

Esquece lá isso, que ficam as lembranças e as amizades.

Que bela xaropada. Muito bom.

José Carreras e Sarah Brightman interpretaram a canção oficial destes Jogos Olímpicos.

Olha, e eu que pensava que a canção oficial era Barcelona, de Freddie Mercury e Montserrat Caballé. Isso não é? Devia ser.

Os espanhóis tinham um plano A e um plano B.

Pois, para Barcelona e para Espanha, são coisas diferentes.

Era. Havia duas, se uma não funcionasse, tinham a outra. Sendo que a de Freddie Mercury foi logo composta em 1987, por altura da atribuição dos jogos à cidade de Barcelona.

E eu até gostava de ouvir um bocadinho.

Então, os seus pedidos são ordens. Aqui está ela. Se calhar, já chega, não é?

Por mim podia chegar de sempre, mas tudo bem.

Relembremos que o autor, o compositor de Amigos para Siempre foi, não um espanhol, mas Andrew Lloyd Webber.

Aquele senhor dos musicais.

Sim, Don't Cry For Me Argentina e Memory, tantas outras canções que já ouvimos milhares de vezes, mesmo que não saibamos quem é o autor.

Então, em 1992, estreou-se como autor de músicas para grandes eventos desportivos, que é um género musical com regras muito próprias, porque isto de fazer música inspiradora e lacrimogênea.

Lacrimógenia. Coisas do género. Adoro.

Não é fácil.

Não é? Olha, depende. Para o senhor Giorgio Moroder até parece fácil. Foi ele que compôs o hino dos Jogos Olímpicos de Seul. Olha para ele aqui.

O que eu chorava ao ouvir esta canção. Era ouvir esta canção e ver as pombinhas incineradas na cerimónia de abertura.

Eis que é melhor falarmos mais um pouco sobre o senhor Giorgio Moroder.

Tens toda a razão, Judite. Sobre o senhor Giorgio Moroder, podíamos fazer centenas de tardes em direto que seriam sempre poucas. Hans Jorg ou Giovanni Giorgio, ou então simplesmente Giorgio Moroder, não escreveu apenas este Hand in Hand para os Jogos Olímpicos de 1988, escreveu também o Reach Out para os Jogos Olímpicos de 1984, de Los Angeles.

Parecia um daqueles filmes do Fame.

Sim.

Pessoas a correr.

Estás a imaginar caneleiras nas pernas delas, não estás?

De resto, Giorgio Moroder escreveu também esta Un'estate Italiana para o Campeonato do Mundo de Futebol de 1990, realizado precisamente em Itália. Saudades de Itália 90.

Já estou quase a chorar outra vez, não aguento. Uma canção interpretada por Gianna Nannini, a irmã mais velha do antigo piloto de Fórmula 1, Alessandro Nannini.

Isso não sabia. Mas vamos agora para autódromos, é isso? É que isso agrada-me.

Não. Vamos continuar com Moroder e algumas das canções mais famosas dos anos 80, popularizadas no cinema, como esta.

Agora vou eu chorar, quanto mais não seja pelo cabelo do Limahl.

Nelson, desliga-me isso. Esta é da banda sonora de História Interminável, é uma canção interpretada por Limahl, que era antigo vocalista dos Kajagoogoo.

E talvez a mais célebre de todas, que fez uma geração de raparigas apaixonar-se por Tom Cruise e uma geração de rapazes apaixonar-se por bombardeiros.