Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Manuel Alegre, histórico socialista, Prémio Camões e caçador de javalis, publicou ontem um artigo no jornal Público a insurgir-se contra um possível acordo entre o PS e o PAN. Certeza que ouviram falar disto.

Eu ainda fiquei na história dos javalis.

Eu não sei se é verdade.

É caçador, ponto. Não sei se é de perdizes, se é de javalis, mas não interessa. Quem é que não ouviu Alegre falar nisto?

Pois bem, eu já tinha saudades de Manuel Alegre.

Histórico socialista, Prémio Camões.

Acho que fazem falta à nossa política estes perfis à Hemingway, homens de barba rija que se levantam pela manhã e emborcam um uísque em jejum, depois vão caçar animais de grande porte e pescam uma truta gigante com as próprias mãos. E antes do almoço, que sempre com muito sal e gorduras e todas essas coisas que fazem mal às florzinhas de estufa, mas enrijecem os homens a sério, escrevem um artigo em pânico contra o PAN.

A minha pergunta no meio disto tudo é: onde é que Manuel Alegre, histórico socialista, Prémio Camões e o maior poeta português, assim assim, segundo a definição de Agustina Bessa Luís.

Como é que arranja tempo para escrever poemas? Não deve ser fácil.

Pois não. Estar a desmanchar um javali, de repente lá vem a inspiração e uma pessoa tem de largar tudo e escrever, sei lá, a trova do vento que passa.

"Pergunta ao vento que passa, notícias do meu bem. E o vento cala desgraça". Tem de reconhecer que este poema de Manuel Alegre, histórico socialista, Prémio Camões, é um belo poema. É um belo poema do tempo em que a poesia chegava às pessoas.

E os homens cultivavam o que comiam.

Eram outros tempos, minha amiga. Eu já só me lembro de outro poema de Manuel Alegre, histórico socialista e Prémio Camões. Aquele que ele dedicou a um grande português, filho ínclito da nação, o único poema de um Prémio Camões dedicado a um antigo jogador do Pastilhas, agremiação desportiva da margem sul, o poema dedicado a Luís Figo e que peço ao Nelson que recite. Música, por favor.

Tinha que ser esta. Vamos a isto: "Pelos campos do mundo, senha e signo. Ele não desiste e nunca se repete. E em cada rua é um menino de camisola número sete. Pelos campos do mundo, seu nome é quem nos diz. Ele corre e finta e dribla e com os seus pés, pelos campos do mundo, escreve outro destino. Por isso diz-se Figo e é um país. Com ele, o sonho é português".

Diz-se Figo e é um país, com ele o sonho é português. Eu hoje, se ouço isto, fico logo com vontade de caçar uma codorniz.

Bruno, eu até gosto do poema. Olhem que houve outros escritores a dedicar poemas a futebolistas, o uruguaio Mario Benedetti, por exemplo, escreveu vários poemas sobre Maradona.

Sim, está bem, mas o Maradona é outro nível. O homem até tem uma religião que lhe é dedicada.

É verdade. Estás quase a dizer que é mais popular do que Jesus Cristo.

Olha que em Nápoles, não sei.

Há mais nichos a Maradona do que a Jesus Cristo, garantidamente.

Exatamente, em Nápoles. Ele pelo menos é um dos santos prediletos dos napolitanos.

E, de resto, é omnipresente. Está nos murais, nos altares e nas gargantas dos tifosi que em 1984 lhe dedicaram este: Maradona é melhor que Pelé.

A história desta canção é digna do Jornal do Incrível. Emílio Campaci e Bruno Lanza, os compositores, compuseram-na em meia hora e foi um sucesso inacreditável. Toda a gente conhecia a cantiga, os adeptos cantavam-na no estádio e venderam-se mais de dois milhões de cassetes.

Pirata. Dos muitos milhões de liras que a canção deu a ganhar, os autores ficaram com uns troquitos, quase nada.

O equivalente a uma noite de farra para Maradona.

Ou talvez até menos do que isso. Por falar em piratas, quem é que se lembra destes piratas televisivos?

Esta era uma das músicas do programa humorístico "Eu sou Nico", de Nicolau Breyner, que foi exibido pela primeira vez em 1980 e depois ressuscitou em 1987.

Eu já só vi na parte do ressuscitado. A primeira edição celebrou um chinês.

Um chinês?

Não propriamente um chinês, um chinêzinho limpa pó.

Por favor, fala chinês.

Não, chinês não falo. Falo sérvio, falo etrusco, sérvio-croata, agora chinês francamente não falo. Quer ver a lista?

Não vale a pena. Cautela, saiu branca.

E sopa, quer?

Sim, quer sopa.

Sopa. Então faz favor dizer que quer sopa.

Mânlio Edair Badaró, conhecido simplesmente no mundo artístico como Badaró, foi um humorista brasileiro, naturalizado português, que se celebrizou a fazer de chinês.

Desconfio que hoje não tiveste muita sorte com este boneco.

Eu também acho que seria cancelado antes sequer de abrir a boca.

Há aqui matéria para um gravíssimo incidente diplomático, ou no mínimo, para um vigoroso protesto da Associação de Amizade Luso-Chinesa. Não sei se existe, mas existe alguma coisa similar.

Se não existe, devia existir. Assim como um sindicato dos piratas. Aquela canção era uma afronta, quanto a mim, a todos os piratas que ao longo da história ganharam a vida de uma forma perfeitamente desonesta.

Olha que eu acho que a cantiga era para atacar os outros piratas, os piratas de gravata e que usam luvas.

Pois eu percebo isso, mas não deixa de recorrer a uma classe profissional para perpetuar o preconceito.

Aqui estou a cancelar-te.

Na pirataria, como em tudo o resto, há gente boa e há gente má. Não podemos enfiar todos os piratas no mesmo saco azul.

Olha, quem podia ter criticado o Sindicato dos Piratas era um dos membros do elenco do Eu Sou Nico. Aliás, era mesmo um dos piratas.

Quem?

O Aristides Teixeira, um nome mítico da mui lisitana arte do protesto.

Não estou a ver. Quem é?

Estás sim.

Não estás a ver porque se calhar não te lembras bem das feições. É Aristides Teixeira, que na sua condição de presidente da Associação Democrática dos Utentes da Ponte 25 de Abril, foi o rosto mais visível do grande buzinao de 1994, o protesto que marcou o início do fim do cavaquismo.

E que hoje, se não estou em erro, está no Bloco de Esquerda. Outro grande protestante, ou protestador. Protestante?

Pois, tem uma conotação religiosa.

Manifestante ou protestador daquela época era o presidente da Associação de Agricultores da Região Oeste, Júlio Sebastião.

Este movimento nunca foi de fruticultores, só pela imprensa foi criado o nome da guerra da fruta. Não, isto não é a guerra da fruta, é a guerra dos agricultores.

Isto não é a guerra da fruta, isto é a guerra dos agricultores. É bom.

Amigo, isto era quando em Portugal ainda se protestava a sério e os homens caçavam javalis e apanhavam trutas gigantes com as próprias mãos e os Sebastiões comiam tudo e no final:

Sebastião come tudo, tudo, tudo. Sebastião tudo come de colher. Sebastião fica todo barrigudo. E depois dá pancada na mulher. Sebastião come tudo, tudo, tudo. Sebastião tudo come de colher. Sebastião fica todo barrigudo. E depois dá pancada na mulher.