Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, bem-vindos à "Vici Suave". Estamos à beira de eleições autárquicas que acontecem de quatro em quatro anos, a meio do período orçamental, que acontece todos os anos, de ano a ano, e com notícias da CP Não Viva, que é quase todos os meses. Cheira a CP Não Viva, cheira a esturro, diz a oposição. Cheira bem, cheira a Lisboa.
O Partido Socialista de Lisboa está dentro do bloco de esquerda.
Só se pode explicar com uma cabeça perdida. A nossa coligação está unida exclusivamente por uma coisa: pela vontade de melhorar Lisboa e pelo amor a Lisboa.
Não tenho muito tempo pra estar a ver televisão, mas já me aconteceu, só para descontrair, de pôr um episódio de "Friends".
A minha relação com o Porto é uma relação de longo prazo, vem de longe e vai para longe.
Não gosto de euforias. Acho que nós devemos respeitar muito os portuenses.
Há portuenses de ocasião, mas eu não sou um portuense de ocasião.
Eu sou o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador e tenho comigo o coordenador de política da rádio, Miguel Vitor Dias. E nesta primeira parte da "Vici Suave", vamos até ao Porto com a Inês André Figueiredo e a Mariana Lima Cunha. Vai começar, Vici Suave. Mariana, começo por ti. Nós vamos aqui com um aviso à navegação para quem nos está a ouvir e está muito habituado. Não vou distribuir as sopas, vou pedir uma sopa a cada uma das pessoas que está a acompanhar campanhas autárquicas. Começamos na primeira parte pelo Porto, na segunda vamos a Lisboa e ia te pedir, Mariana, uma sopa sobre essa campanha. Tens estado nas últimas duas semanas no Porto e pedia-te que atribuísses tu essa sopa, invertendo aqui os papéis, e depois vou te pedir, no fim, a ti e à Inês, mais umas coisinhas no fim da primeira parte, mas para já a tua sopa, Mariana.
Olá, Rui. Vamos decretar a morte da originalidade e vamos escolher uma sopa de francinha. Por quê? Porque hoje em dia há variações de francinha para tudo. Achei que também podia e para aproveitar o picante da francinha, porque está a ser uma campanha, não é por estar eu a seguila, mas com interesse, com picante. E eu diria que boa parte desse picante vem do fato de haver aqui no Porto não só um fim de ciclo, que é o fim de ciclo dos 12 anos do Rui Moreira, como um legado para discutir. E há aqui uma tentativa de várias candidaturas, eu tenho estado a seguir muito em particular a de Pedro Duarte e a de Filipe Araújo, de tentarem ser vistos como os herdeiros, no caso do Filipe Araújo, até um bocadinho o incumbente, dado que é neste momento vice-presidente da Câmara do Porto, do moreirismo, até porque segundo os estudos que as campanhas fizeram, Rui Moreira e a sua governação da cidade continua a ter uma alta taxa de aprovação, apesar dos 12 anos que lhe podiam ter trazido e é natural que tragam algum desgaste. É interessante porque isto não acontece em todas as campanhas. Muitas vezes nas campanhas, um incumbente é até o mais atacado ou a pessoa que está a sair ao fim de tantos anos é mais atacada e mais afetada por esse desgaste. Mas neste caso, toda a gente quer um bocadinho de Rui Moreira e do seu legado. Temos visto Pedro Duarte em grandes elogios tanto ao legado de Rui Moreira como ao legado de Rui Rio, em partes, a tentar não rejeitar nenhum dos dois últimos presidentes de Câmara, sempre para atirar ao socialismo de Fernando Gomes, que era o presidente da Câmara anterior e sempre a tentar bipolarizar ao máximo a corrida, mas sempre com uma espécie de alvo secundário. Ou seja, se Manuel Pizarro é o adversário direto de Pedro Duarte, há um adversário secundário que é Filipe Araújo, que estando com uma percentagem muito mais modesta nas sondagens, é um adversário que também colhe votos à direita e que Pedro Duarte tenta convencer muitas vezes para que se juntasse às suas listas, para que não apresentasse uma candidatura e sobretudo para que não dividisse a votação à direita. E esse clima de tensão que ficou depois de não haver acordo entre os dois, tem-se notado muito na campanha. Ou seja, em vez de termos só a picardia normal entre os dois principais candidatos segundo as sondagens, temos aqui uma picardia constante também entre Pedro Duarte e Filipe Araújo, entre as duas candidaturas, que vem do fato de a direita estar preocupada com o fato de poder perder a oportunidade para agarrar a Câmara do Porto no fim do moreirismo, por causa de haver esta divisão não só entre Pedro Duarte, que tem o apoio de PSD, CDS e AL e Chega, mas também mais a percentagem que pode ir para o homem que está mais próximo de ser o incumbente na atual campanha, que é Filipe Araújo. Daí o meu picante, porque há vários confrontos cruzados nesta campanha e depois aqui no Porto Todos estes candidatos de quem estamos a falar, todas as pessoas que trabalham com eles, pessoas muito envolvidas na campanha, são pessoas que se conhecem há décadas, na maior parte dos casos, que têm muita história para trás. Aliás, houve um episódio muito bizarro de violência durante a pré-campanha entre o então diretor de campanha do Pedro Duarte e Filipe Araújo, que o acusou de lhe ter dado um murro. Ou seja, os ânimos estão a aquecer e acho que isso vem tanto destas irritações muito à direita também, como do fato de haver muito historial entre os candidatos, as candidaturas e o mourarismo estar um bocadinho dividido neste momento por várias candidaturas.
E é interessante que esse momento bizarro tenha favorecido Pizarro. Há quase uma coincidência.
Excelente ponto, Rui.
Mariana, é quase uma pena que não votes no Porto, que deves sentir-te muito mais bem informada agora do que sobre o teu concelho.
Eu sinto-me muito longe do meu concelho agora.
E há outra coisa, também houve um momento no "Girinhas sobre a Rosa", a Inês já vai entrar a falar também um pouco da campanha do Manuel Pizarro, que arroz na francesinha acho que é um crime no Porto.
Também me parece muito polémico, não sendo portuense.
Achas?
Acho muito polémico. Quem é que não prefere aquelas batatas no molho da francesinha?
É que pelas sondagens eles preferem outra vez arroz, era que fosse outra vez o candidato. Portanto, pensei que a piada estivesse... Demorou a chegar lá, estava a demorar a chegar a punchline.
Não, mas foi um bom punch, Rui. Inês André Figueiredo, a Mariana Lima Cunha já foi pelo caminho fácil, que foi escolher uma sopa de francesinha. E tu, o que é que nos trazes?
Vou só acrescentar que até eu que sou vegetariana acho que é horrível pedir arroz com uma francesinha. Já é difícil pedir uma francesinha vegetariana.
Também tem de dar consensos, Inês. Somos pessoas de consensos.
Eu correndo o risco de ser acusada de apropriação, mas se for, Manuel Pizarro também será, vou escolher uma sopa à moda do Porto, porque também é este o slogan do PS para estas eleições autárquicas. E tal como a Mariana explicava, e como acontece com Pedro Duarte e Filipe Araújo, também na campanha de Manuel Pizarro há uma tentativa muito forte de vestir esse fato de incumbente, de mostrar que tem a maior parte do mourarismo consigo. Mas nos últimos dias tem-se visto um crescente espírito de confiança, uma confiança muito forte na campanha de Manuel Pizarro, e isso sente-se em toda a comitiva. E na verdade, o candidato do PS já fez duas campanhas perdedoras aqui no Porto e acabou por assumir na última chamada do dia que sente um espírito diferente, uma recetividade nas ruas que nunca tinha sentido. Também admitiu que é difícil fazer uma análise objetiva quando se está envolvido numa bolha, mas a verdade é que ele diz que se sente algo diferente. Vamos perceber em que é que isso se traduz no domingo. Mas, na verdade, e seguindo aqui um bocadinho a onda do picante da Mariana ao longo da campanha, Manuel Pizarro houve aqui uma tentativa constante, até assumida pelo próprio candidato, de fugir a esse picante, de tentar não responder à letra aos ataques de Pedro Duarte. Na verdade, o social-democrata começou com o alvo muito apontado a Filipe Araújo, mas acabou por virar a agulha, até porque Manuel Pizarro é que vai discutir a presidência da câmara com Pedro Duarte. Portanto, essa mudança de tom também acabou por ser sentida na campanha de Manuel Pizarro. E à boleia disso, o socialista acabou por entrar frequentemente nesse bate-boca, mas puxando sempre pela parte de que queria uma campanha pela positiva, com propostas. Foi aproveitando cada intervenção para atacar o principal adversário, muitas vezes até por causa do discurso mais endurecido que optou por fazer ao longo das últimas semanas, mas nunca deixando aquela narrativa de que Pedro Duarte é um delegado ou um representante do governo no Porto. E isto é muito relevante na equipa de Manuel Pizarro, porque estão convictos de que o fato de o candidato ser do Porto e ser reconhecido como tal é o melhor trunfo de campanha que poderiam jogar a nível nacional. O Porto será obviamente um dos resultados mais relevantes para o PS, que teve há muito pouco tempo a pior noite eleitoral da história do partido, e esta mudança de era com o fim de Rui Moreira dá essa esperança acrescida. José Luís Carneiro fez questão de estar ao lado de Manuel Pizarro esta quinta-feira e vai voltar a estar, vai encerrar a campanha na Invicta, também provavelmente muito esperançoso de dar esse empurrão a Manuel Pizarro E já que estamos a falar de líderes que estão por passagem no Porto, aproveitar também para dar só aqui um cheirinho da outra campanha que também estivemos a cobrir aqui nas últimas semanas, a de Miguel Corte-Real.
A do Miguel. Só o Miguel.
O Miguel, o jornal do Miguel, o Miguel resolve.
Isto parece aqui o Observador. Nós pensamos: o Miguel, mas qual Miguel? O Miguel Vitor Dias, o Miguel Pinheiro, o Miguel Santos Carrapatoso, o Miguel Pereira Santos. Ufa! Mas não é desse Miguel que estás a falar, pois não?
Não é nenhum desses Miguéis.
Miguéis.
É possível que se diga assim. Não, é mesmo Miguel Corte-Real. Numa campanha em que o Chega acaba por apostar aqui num registo um pouco diferente, temos lhe chamado um pouco mais sóbrio, mais moderado, pelo menos mais agressivo do que é normal em muitos candidatos no partido. Na passagem pelo Porto, André Ventura disse que, e vou citá-lo: "Isto é o que o Porto precisa, não é mais moderado, nem é mais radical". Parece-me que esta frase pode bem definir a campanha, já que o partido tem tido muitas dificuldades de implantação no Porto e a estratégia de não entrar em grandes gritarias, Corte-Real tem acusado Pedro Duarte de o fazer e foge muito disso. Esta estratégia pode bem ser o trunfo mais forte para uma inversão dos resultados eleitorais do Chega neste conselho. Se no domingo nada disto se confirmar, talvez possamos dizer que esta foi uma estratégia falhada, mas isso nos próximos textos poderemos escrever sobre isso.
Olha, Inês, vamos agora para uma segunda fase e vou voltar à Mariana para explicar por que é especial, além de ter escolhido a sopa, eu ia desafiar a escolher uma taça para essa sopa, mas na taça no sentido vitorioso da questão, ou mais positivo, era isso que eu queria dizer. E por outro lado, o queimar a língua, que é uma parte da sopa ou do ato de comer a sopa que não corre tão bem. E portanto, Mariana, a tua taça e a tua língua queimada, isto está mesmo a correr bem com conceitos novos. Em primeiro lugar, do Pedro Duarte.
Foi treinado, nota-se claramente.
Do Pedro Duarte.
Do Pedro Duarte. Eu vou escolher dar a taça a Pedro Duarte pelos momentos em que teve ao seu lado líderes nacionais aqui com ele no Porto, que aconteceram também já depois da primeira sondagem que mostrou uma ligeiríssima possível inversão de tendência, no sentido em que ele tem estado sempre em empate técnico com Manuel Pizarro. A única coisa que mudou é que até o início da campanha, as sondagens colocavam Manuel Pizarro vários pontos à frente de Pedro Duarte e agora já apareceu umas décimas Pedro Duarte à frente de Manuel Pizarro. Portanto, estamos aqui na dúvida permanente e acho que assim continuaremos até domingo, mas é de facto um daqueles momentos que para o estado anímico da campanha serve bem e, portanto, para Pedro Duarte ter visto esse indicador positivo, estar rodeado tanto de Nuno Melo como de Mariana Leitão, representantes de partidos que apoiam a sua candidatura, e no momento em que ele próprio admite que a notoriedade podia ser um problema para a sua candidatura e que, portanto, precisava de andar na rua e que as pessoas conhecessem, reconhecessem a sua candidatura, acho que foi dos momentos com maior impulso para a campanha.
E queimar a língua de Pedro Duarte, ainda. O momento em que ele queimou a língua.
Sim, o Pedro Duarte tem feito um discurso muito duro à base da segurança, que tem dito que é a sua prioridade das prioridades. Ele explica que não acredita em dados oficiais neste momento, porque não acredita que os pequenos crimes que mais incomodam aqui na cidade do Porto sejam reportados. E tem feito esse discurso. Há obviamente pessoas que concordam com ele, dependendo também até das partes do Porto, se calhar, em que vivem ou que mais frequentam, e os seus adversários têm-no criticado pelo discurso que consideram extremista ou uma cópia do Chega. Eu diria que o momento em que eu diria que ele queima a língua é depois de ter dito várias vezes que não queria associar segurança com imigração necessariamente, ao momento em que me parece que ele, não sei se sai do guião, não sei se foi preparado ou não, mas de repente fala de uma invasão ilegal da cidade. Diz que pode haver uma invasão ilegal de imigrantes. E aí parece-me que o tom já sobe para um patamar que não sei se se justifica aqui no Porto. Sei que a campanha tem focus groups que apontam preocupações como essas dos portuenses, mas pareceu-me uma subida de tom até pouco característica para Pedro Duarte, para o que ele representa no PSD.
É aquele momento em que alguém da campanha diz: "Calma, André". Inês André Figueiredo, qual é a tua taça para Manuel Pizarro?
A minha taça para Manuel Pizarro vai para o momento em que o candidato, que sabemos, é médico e distribui caixas de medicamentos como brindes nesta campanha eleitoral, decidiu numa farmácia prescrever Xanax a Pedro Duarte para o candidato do PSD se acalmar. Acho que a Mariana descreveu bem o que tem sido o discurso de Pedro Duarte. Talvez tenha sido esse.
Combinamos, Inês.
Exatamente. Talvez tenha sido esse tipo de discurso que estava na cabeça de Manuel Pizarro quando pediu ao principal adversário para descontrair. E isso acabou por marcar aqui um bocadinho o ritmo da campanha.
E o queimar a língua?
O queimar a língua, vou escolher um momento em específico, porque Manuel Pizarro é muito bem recebido na rua, como dizia há pouco, e creio que o momento de queimar a língua tem a ver com o fato de incumbente que acaba por usar. Às vezes é positivo, outras vezes é negativo, mas o candidato do PS faz questão de mostrar que tem obra feita enquanto vereador da habitação, que quer replicar projetos desses tempos que lhe correram bem, e isso acabou por lhe valer algumas críticas, como se fosse um incumbente e o momento mais alto e descritivo disso foi quando um eleitor lhe perguntou diretamente: "Olhe, mas o senhor já lá esteve, por que não fez isso que está agora a prometer?" Acabou obviamente a obrigar Pizarro a defender-se, mas é sempre um momento um bocadinho mais quente de campanha.
E vamos rapidamente à Mariana. Agora vou apelar a vossa capacidade de síntese na taça, quer na taça, quer no queimar a língua. Primeiro, Mariana, do Filipe Araújo.
A Rui Madeira a taça a Filipe Araújo, momento em que a campanha percebeu que uma última sondagem sobre a satisfação dos portuenses fala numa satisfação grande com a governação da cidade, porque de facto Filipe Araújo quer se afirmar como uma espécie de herdeiro mais direto do Rui Moreira, e é muito para isso que a equipa está a olhar, mais do que para as intenções de voto, para o facto de as pessoas estarem satisfeitas e portanto poderem querer apostar numa alternativa de continuidade.
E o queimar a língua?
O queimar a língua. Eu vou escolher uma entrada inesperada de Rui Moreira na campanha, que decidiu esta quinta-feira publicar um post no Facebook em que faz uma série de ataques crípticos que provavelmente demoraríamos um bocadinho a decodificar tudo, mas há um que me parece bastante direto, que é quando diz que não apoia intimamente ninguém, que é a expressão que Filipe Araújo tem usado para garantir que lá no íntimo, Rui Moreira está consigo apesar de não anunciar nenhum apoio público e isso obviamente pode prejudicar a sua candidatura.
Inês André Figueiredo, muito brevemente com Miguel Corte-Real, qual é a taça?
A taça vai para a tal campanha sem gritaria, que tem sido elogiada até por vários adversários políticos, principalmente por comparação a Pedro Duarte, que pode ajudar o Chega a conseguir esse melhor resultado. Vamos ver se lhe vale uma taça ou uma desilusão no final.
E o queimar a língua?
O queimar a língua vai para a falta de André Ventura numa ação de campanha relevante, porque André Ventura esteve ao pé de Miguel Corte-Real, mas foi num almoço à porta fechada, onde só falou aos jornalistas à entrada, e há quatro anos com um candidato muito menos forte e com muito menos notoriedade do que o atual, o presidente do Chega desceu a rua de Santa Catarina. A presença de André Ventura é sempre um ativo. Com certeza que será bom ter André Ventura ao lado de Corte-Real hoje quando houver peças televisivas, mas podia ter sido melhor.
Muito bem, e é com este queimar de língua que nos despedimos da primeira parte da Vixi Suave, que volta já a seguir com as pessoas que estão a acompanhar a campanha na capital, em Lisboa. Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Estamos com uma emissão especial autárquicas. Na primeira parte estivemos a falar com os jornalistas que estão a acompanhar a campanha no Porto e agora vamos falar com os jornalistas que estão a acompanhar a campanha em Lisboa. É uma emissão especial da Vixi Suave em que são os próprios jornalistas que atribuem a sopa e depois até vão escolher o momento alto e baixo da campanha, sempre com os elementos que fazem lembrar a nossa Vixi Suave. Eu começava agora com o Miguel Carapatoso para ele sugerir a sopa que quer atribuir a esta campanha que tem acompanhado.
Podia servir a sopa do dia, porque de facto não houve um dia em que Carlos Moedas mudasse de discurso e de mensagem. A estratégia do atual presidente da Câmara e candidato do PSD foi constante e previsível, foi pintar Alexandra Leitão como uma candidata da esquerda radical, que está refém dos interesses do Bloco de Esquerda. A determinada altura, Carlos Moedas chegou mesmo a dizer que Alexandra Leitão iria trazer o caos para a cidade de Lisboa. Portanto, foi uma campanha de mensagem única, muito em torno desta ideia de que a adversária representa um radicalismo e um perigo para a cidade e foi nesse aspecto uma campanha muito previsível, porque era esta a mensagem que Carlos Moedas já vinha ensaiando antes mesmo da campanha começar. Isto tem uma razão de ser, obviamente. Na política, a repetição da mensagem é uma chave, ou pode ser a chave para convencer os eleitores. Carlos Moedas quis claramente falar ao eleitorado do centro, do centro moderado, não só aquele que já votou nele há quatro anos, mas também aqueles socialistas que se podem sentir de alguma forma desconfortáveis com esta aliança entre Alexandra Leitão, o Bloco de Esquerda, o Livre e o PAN. E portanto, Carlos Moedas apostou as fichas todas aí. Não houve grandes variações de discurso, não houve grande originalidade, não houve grande risco. Foi uma campanha muito na zona de conforto de Carlos Moedas. Aliás, foi uma campanha que só começou ou só teve alguma intensidade já nesta segunda metade, na primeira semana de campanha. Não se pode exatamente dizer que Carlos Moedas estivesse muito votado ou vocacionado para sequer fazer luta partidária. Foi essencialmente isto a campanha de Carlos Moedas. Há muita confiança nos homens que compõem a equipa do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ninguém fala, ninguém admite sequer a hipótese de derrota, ainda que as sondagens apontem para um empate técnico. Pelo contrário, quem faz a campanha de Carlos Moedas acredita que o social-democrata vai ter um resultado reforçado em relação a 2021. Também não se fala em maioria absoluta, mas esse é um desejo pouco escondido por parte do presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Miguel, ia só perguntar-te uma coisa também sobre esta campanha, que é: o facto de acreditarem desde sempre na vitória prejudicou um bocadinho a fase do arranque?
Possivelmente, mas a verdade é que a campanha foi deliberadamente pensada assim, para não levantar grandes ondas, para correr o mínimo risco possível, para não se cometerem erros. E portanto, a primeira semana ou a primeira metade de campanha foi um Carlos Moedas muito apostado em jogar à defesa, praticamente sem agenda de campanha, pelo menos sem agenda pública de campanha. Houve um dia em que até nem sequer houve iniciativas públicas. Na segunda metade, e depois de três sondagens que apontavam Para o tal empate técnico que parece existir entre Moedas e Alexandra Leitão. Aí sim, houve uma inflexão na campanha do social-democrata, nada de muito extraordinário, mas a verdade é que houve uma inflexão e aí ouvimos e vimos um Carlos Moedas mais assertivo, mais apostado no combate político, sempre em torno daquela mensagem: Alexandra Leitão é uma radical e o Partido Socialista está, no fundo, refém do Bloco de Esquerda.
Deixe-me só dizer que Carlos Moedas quer ganhar por ti, Lisboa, e Luís Montenegro quer ganhar Porto e Lisboa.
Boa piada.
Foi só pra ti e por ti, Miguel.
E não foi a primeira nesta edição. Miguel, qual é a taça da campanha de Carlos Moedas?
A taça é, ou foi a participação de Paulo Portas na campanha de Carlos Moedas. Conseguiu, em poucas palavras, resumir aquilo que Carlos Moedas quase não conseguiu fazer ao longo de 15 dias, que foi imprimir um dramatismo nesta corrida eleitoral que o social-democrata não estava a conseguir imprimir. Quando Paulo Portas surge, ainda para mais numa arruada em Arroios, uma freguesia que foi muito importante para a vitória de Carlos Moedas há quatro anos, quando Paulo Portas surgiu a dizer que nada estava ganho e que todos os votos eram precisos e todos os votos contavam, isso não só foi uma forma muito competente de manter os eleitores mobilizados, mas também serviu para dar algum foco à campanha de Carlos Moedas, que parecia meio adormecida. Aliás, esteve meio adormecida, propositadamente adormecida, e que precisava deste abanão. Paulo Portas, com poucas palavras, conseguiu fazer mais e melhor do que Carlos Moedas em 15 dias.
E em sentido inverso, o queimar a língua.
As sondagens, ainda que os homens de Carlos Moedas continuem a desvalorizar estas sondagens, também não confirmam, nem desmentem que tenham sondagens internas, que não são públicas, mas ainda que desvalorizem estas sondagens que foram tornadas públicas, a verdade é que há três, pelo menos, que dizem que há um empate técnico entre Alexandra Leitão e Carlos Moedas. Uma delas até da Católica para a RTP, para o público, aponta uma ligeira vantagem para a socialista. E isto deveria ser motivo de preocupação para a equipe de Carlos Moedas, pelo simples facto de não ser suposto que ao fim de quatro anos, um presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que apareceu com a certeza, com a convicção de que ia fazer muito melhor que Fernando Medina, esteja tão mal avaliado nas intenções de voto. Claro que valem o que valem. As sondagens são isso mesmo, um retrato de um determinado momento, mas são ou deveriam ser um motivo de preocupação para Carlos Moedas, que ainda, reforço isto, ainda que, melhor dizendo, a equipe do social-democrata continue muito certa de que vai ter um resultado por números bem animadores no próximo domingo.
E quem tenta desafiar essa potencial e provável vitória, pelo menos no início da campanha, agora já há algumas dúvidas, é Alexandra Leitão. Rita Tavares, qual é a tua sopa? Tu que tens acompanhado a candidata do PS, do Livre, do Bloco de Esquerda e do PAN.
Olha, eu não combinei nada com o Miguel, mas isto até vai direitinho à sopa que ele atribuiu, porque a minha é sopa antirradical. É que do outro lado da campanha, como o Miguel disse, e nós fomos quem estava a acompanhar esta campanha, também ouvíamos e Alexandra Leitão fazia questão de responder todos os dias a isso, ou pelo menos não se coibia de falar do assunto quando era questionada. Carlos Moedas fez muito esse aproveitamento de uma imagem mais radical de Alexandra Leitão e do fato de o Bloco de Esquerda e o Livre fazerem parte desta coligação. E este foi sem dúvida o assunto que mereceu mais respostas por parte da candidata da coligação Viver Lisboa, que junta debaixo do mesmo chapéu o PS, Livre, Bloco e PAN. Mas esta junção de partidos da esquerda tem sido gerida ao mesmo tempo com cuidado, tanto na linguagem da candidata como naquilo de que se fala. E um bom exemplo disso foi o que Alexandra Leitão conseguiu fazer, de alguma maneira, que foi deixar, por exemplo, um tema como a Palestina fora disso, e era muito fácil que entrasse pela campanha adentro, tendo em conta que na segunda-feira, Mariana Mortágua, líder do Bloco de Esquerda, já estava em Lisboa e havia um comício até nessa noite onde estariam todos os representantes das lideranças de esquerda. Mariana Mortágua não foi, foi Marisa Matias e Mariana Mortágua só entrou dois dias depois. E logo nessa segunda-feira, Alexandra Leitão mostrou aquilo que achava importante e que achava que poderia defender também a sua candidatura, que era pôr um travão a que o assunto Palestina entrasse no discurso das autárquicas. E disse que não falava do assunto, muito taxativamente, que esse não era um assunto que estivesse em jogo nestas autárquicas. Claro, a partir do momento em que o assunto entrasse, Carlos Moedas teria chamado a isso um figo e, portanto, Alexandra Leitão pôs logo ali aquela linha vermelha. Agora já há muito tempo que está na moda, mas podemos utilizar também pra aqui. Alexandra Leitão pôs aí um travão a esses assuntos que pudessem ser um bocadinho mais Enfim, contribuir para um certo extremar de posições. E isso foi bem recebido por parte dos parceiros de coligação, porque não se ouviu de ninguém. Marisa Matias passou pelo assunto absolutamente pela rama no comício de segunda à noite, e até havia alguma expectativa que pudesse dar alguma mensagem relativamente à Palestina, mas não, falou numa Lisboa da paz e uma Lisboa aberta ao mundo, enfim, uma coisa muito ao de leve. E Mariana Mortágua, quando veio à campanha, o que aconteceu esta quarta-feira, também não tocou no assunto e disse taxativamente que não o queria fazer. E, portanto, há este cuidado da parte do Partido Socialista, porque sabe que Carlos Moedas está com esse discurso e sabe que não pode alimentar, não pode dar um passo em falso, que isso seria aproveitado e que poderia fazer mossa no eleitorado ao centro, que é determinante para o PS se quiser ganhar estas eleições em Lisboa. Ao mesmo tempo, por outro lado, tenta abraçar o PCP, mas aqui não se pense que seja por uma questão no sentido da descredibilização da candidatura, é mesmo para tentar concentrar o voto à esquerda, é o chamado abraço de urso. Que é tentar que o PCP não seja escolhido pelos eleitores e colocar-se a si mesmo, Alexandre Leitão, como a alternativa única a Carlos Moedas. Portanto, como nós já falámos aqui em vários programas, a tal bipolarização que foi sempre procurada pela candidata do Partido Socialista, é isso que está na base deste apelo ao voto útil, que tem estado sempre em cima da mesa e que não há socialista que não tenha falado no assunto. É mais difícil para o Bloco e para o Livre, tendo em conta que são partidos que, por exemplo, em legislativas detestam este discurso.
E falas de um urso, nós vamos dar um panda e os caricas. Vamos pedir uma taça, uma chaleira. Não, só a taça, mas o Miguel vai pedir.
Não, agora já não consigo pedir de melhor forma, Rui. Pronto, olha, Rita, o ponto alto que nós apelidámos de taça desta campanha de Alexandra Leitão.
Fica lá com a taça.
Até agora, digo que foi o comício do Areeiro, o comício em que Alexandra Leitão... Que foi o único comício grande que teve até agora, um jantar-comício com mais de mil pessoas. Portanto, foi muito participado. Se bem que nós também já sabemos, e eu em particular, que tenho acompanhado ultimamente o Partido Socialista, já sabemos que salas cheias contam muito pouco. Eu nas últimas legislativas tive muitas salas cheias, e autárquicas também, já em Lisboa, até aquelas que Fernando Medina perdeu. Portanto, o que isto conta, não sabemos, mas que se a sala estivesse vazia, sabemos que isso contaria. Portanto, mesmo assim, é melhor uma sala cheia e esse comício foi muito participado, resultou bem e Alexandre Leitão conseguiu ter ali em linha todos os líderes da coligação. Lá está, exceto Mariana Mortágua, que nesse momento estava acabada de chegar de Israel e, portanto, não esteve nesse comício, esteve só dois dias depois, mas foi ali um momento que deu mais para mostrar alguma força.
E agora só falta converter as salas cheias em votos, que tem sido essa também a dificuldade. Qual é o queimar a língua desta campanha? O que correu menos bem?
Aí eu vou dar quase um contraponto com isto que acabei de dizer e com o comício de Lisboa, que é uma mobilização completamente empastelada. E da parte do Partido Socialista, que é o partido que encabeça esta coligação, há pouca participação, pouco empenho, muito poucas figuras de relevo do Partido Socialista. Ex-autarcas em Lisboa, ninguém apareceu até agora. Portanto, tem sido quase uma campanha a solo de Alexandra Leitão e de uma equipa curta, que são as pessoas que estão na lista com ela, depois algumas participações do Bloco, Mariana Mortágua já veio, Rui Tavares também. Mas, por exemplo, ex-governantes, tivemos Fernando Medina, que não é propriamente uma carta muito forte numa campanha a Lisboa, sobretudo pelo que se passou na última, e entrou num terreno muito favorável para ele, que é o bairro da Boa Vista, onde tem obra feita e onde pôde mostrá-la, portanto, foi uma coisa segura, digamos assim. E depois teve Mariana Vieira da Silva também, na descida da Morais Soares, mas pouco mais se viu de figuras de relevo do Partido Socialista, embora tenham estado muito no comício do Areeiro, mas na rua e naquelas ações diárias em que normalmente há uma figura ao lado e como vimos acontecer com Carlos Moedas, esse paralelismo é difícil de se conseguir fazer com esta campanha de Alexandre Leitão, que é nestas iniciativas diárias em que poderia marcar mais presença de forma mais forte e diferenciada de dia para dia com algumas figuras fortes, isso não foi feito.
Muito bem, e agora, Rita, vamos avançar para os outros dois principais candidatos, dos quatro, com o Miguel Pereira Santos, que andou a acompanhar o Bruno Mascarenhas do Chega e o João Ferreira da CDU. Qual é a tua sopa, Miguel?
Olá, Rui, a minha sopa é uma sopa de pedra, um bocado a tentar também contar aquilo que foi a história desta campanha na perspetiva das duas comitivas que eu acompanhei, que como disseste, foi o Chega e a CDU. E eu penso que se olharmos para estas eleições daqui uns anos pra trás, vamos perceber que a grande novidade vai ser o novo corpo estranho que vai entrar no executivo municipal de Lisboa, portanto, aí a pedra que vai ser o Chega. Independentemente de quem ficar em primeiro lugar, que em princípio não será Bruno Mascarenhas, a lógica da governação autárquica em Lisboa vai mudar De certa forma, com esta eleição em que o Chega terá certamente um vereador, possivelmente dois, três, quatro, quem sabe, o Chega institucionaliza-se e como nós já temos vindo a discutir ao longo destas semanas, a questão das linhas vermelhas, que também já percebemos que a nível local estão muito mais batidas do que a nível nacional, vai ser testada, porque inevitavelmente é preciso nas autarquias fazer acordos para aprovar a obra, etc. Portanto, penso que esse vai ser o grande balanço destas eleições em que vamos ter estas quatro forças no executivo municipal. Isto pensando, sobretudo, numa vitória de Moedas, em que Moedas será confrontado com esta decisão de: será que eu me apoio ao Chega para aprovar orçamentos ou a este PS que eu tenho estado quatro anos a acusar de radicalismo? Portanto, Moedas também será testado nesse sentido, se continuar a ser presidente da Câmara e não ganhar com a maioria absoluta. Mas até podemos pensar eventualmente num caso em que Alexandra Leitão ganha e juntamente com o PCP não tem essa maioria absoluta na Câmara e como é que vai ser feita a governação em Lisboa, que é a maior monta autárquica do país e portanto será realmente um laboratório àquilo que são os acordos de governação entre o Chega e as restantes forças partidárias.
Vamos começar, Miguel, pelas taças e pelo queimar a língua. Ia começar pelo João Ferreira, porque para já ainda vai estando no executivo municipal e portanto tem essa prioridade. Qual é que é para ti a taça, o momento alto da campanha de João Ferreira?
Eu escolhi o momento alto da campanha de João Ferreira. Não foi, na verdade, bem um momento da campanha dele, mas foi o cancelamento do debate frente a frente entre Moedas e Leitão na SIC, que ia abrir a época dos debates há cerca de três semanas das eleições. Havia também um debate a quatro programado para a SIC, mas a ERC não permitiu que o debate frente a frente entre Moedas e Leitão acontecesse. Esse tem sido um momento muito destacado por João Ferreira ao longo desta campanha, dizendo que realmente foi aí que se mostrou que existe uma terceira alternativa para a presidência da cidade.
E o queimar a língua, Miguel. E pedia-te que fosses mais breve, que estamos aqui a queimar já também o nosso tempo para além da língua.
Sim, eu ia também pegar naquele momento do jantar de comício das esquerdas, em que houve um tiro ao alvo claro dos parceiros à esquerda, desde o PS ao Livre, ao Bloco de Esquerda a João Ferreira. Ainda que o candidato não se tenha mostrado particularmente incomodado com esse momento, acho que é mais difícil de explicar por que o Bloco de Esquerda se coligou ao PS e a CDU não o fez. Portanto, aí é o momento de maior constrangimento de João Ferreira explicar por que o Bloco se coligou ao PS e a CDU não.
Muito rapidamente, Miguel, qual é a tua taça para Bruno Mascarenhas?
Eu para facilitar isto vou fazer da minha taça e do meu queimar a língua para o Bruno Mascarenhas o mesmo momento.
Ok.
Que foi a presença de Ventura na campanha em Lisboa. Ventura apareceu em Marvila, fez cerca de 200 metros de uma arruada do Chega e de Bruno Mascarenhas, e foi claramente a maior mobilização de toda a campanha de Bruno Mascarenhas. Aí, claro, foi uma demonstração de força e é por isso que é aqui a taça de Bruno Mascarenhas, mas por outro lado, percebeu-se que Bruno Mascarenhas é quase um soldado de Ventura, como ele próprio utilizou essa expressão, e que também nos disse que Ventura é mil vezes melhor que ele. Portanto, deu para perceber que Bruno Mascarenhas não é um candidato que tenha a sua autonomia e que seja uma figura reconhecida. Isso será também claramente um teto àquilo que podem ser as hipóteses dele na eleição deste próximo domingo.
Muito bem, Miguel, fizeste aí uma síntese que nos ajudou bastante. A Vixi Suave chega ao fim, como sempre, com a nossa sobremesa, que é uma música. Não temos convidado para escolhê-la. Vamos optar aqui pelos Loucos de Lisboa, do Rui Veloso, cantada por Rui Veloso, que assim é alguém ligado ao Porto a cantar uma música sobre os loucos de Lisboa. Também damos descanso ao Carlos Tê, porque a letra é do João Monge, já que o Carlos Tê esteve ocupado a musicar, acho eu, o hino que Mário Centeno deixou para o Banco de Portugal. A Vixi Suave regressa, como sempre, na próxima semana.
Um dia numa sala do Quarteto, passou um filme lá do hospital, um Deus esquecido filmado no gueto entrava, como artista principal. Compramos a entrada para a sessão, para ver tal personagem no ecrã, o rosto maltratado era a razão de ele não aparecer pela manhã. São uns loucos de Lisboa, que nos fazem duvidar, que a Terra gira ao contrário, e os rios nascem no mar. Mudamos muita vez de calendário, como o café mudou de freguesia. Deixámos de tributo à calada, para um louco a fazer-lhe companhia. É sempre a mesma, posa o mesmo olhar, para quem não mede os dias que vagueiam. Sentado lá continua a gravar beijinhos, às meninas que passeiam. São uns loucos de Lisboa, que nos fazem duvidar, que a Terra gira ao contrário, e os rios nascem no mar. São uns loucos de Lisboa, que nos fazem duvidar, que a Terra gira ao contrário, e os rios nascem no mar.