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Um ano. Tanto tempo, se ainda foi ontem?

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David Dinis, diretor executivo, e José Manuel Fernandes, publisher, escrevem sobre o primeiro aniversário do Observador. Queremos prestar contas aos leitores, mas também para celebrar com todos eles.

O Observador nasceu há exactamente um ano, a 19 de Maio de 2014.

Não chegámos para ser apenas mais um projecto de comunicação social – chegámos porque acreditávamos que era possível fazer diferente, que era possível trazer novos públicos até à informação, que era possível alargar o espaço de debate público em Portugal. Chegámos também porque acreditámos que podíamos fazer isso tudo e ter um modelo de negócio viável.

Começámos com uma equipa pequena, jovem e muito entusiasmada. Evoluímos passo a passo, conforme íamos sendo surpreendidos pela adesão crescente ao projeto. Espantaram-nos os primeiros números, os outros depois desses, logo os outros a seguir. Foi assim que chegámos aqui: muito acima das nossas expetativas. E porque não quisemos ficar por ali, fomos crescendo, fazendo mais, fazendo melhor para si. Um ano depois,  podemos dizer que somos o mesmo Observador, mas já somos um outro Observador.

Somos o mesmo Observador que viu nascer porque viemos para inovar, tendo a certeza que os leitores de hoje não têm os mesmos hábitos dos leitores de ontem; que a urgência da informação exige que fórmulas como os liveblog não sirvam apenas para seguir um jogo de futebol; que os leitores querem também mais profundidade e uma melhor explicação das notícias, o que fazemos com os nossos Especiais, os nossos Explicadores e os nossos Explica-me; que os leitores querem melhor informação, mas também mais abrangente e mais fácil de usar (e por isso fomos ao seu encontro com as nossas newsletters, e por isso fizemos questão em recomendar artigos da nossa concorrência); que é possível fazer conviver informação de qualidade com informação diversificada, procurando um público muito alargado e variado, algo que fazemos sem complexos.

Somos o mesmo Observador porque continuamos a falar consigo, com o nosso leitor, a cada peça que publicamos, a cada post que colocamos no Facebook, a cada mail que recebemos.

Somos também o mesmo Observador porque mantemos a mesma linha editorial independente, provando a todos que a independência não se faz apenas de proclamações, mas de actos. Por isso tivemos a ousadia de, na véspera do lançamento, a 18 de maio, organizar o único debate da campanha eleitoral para as Europeias entre Francisco Assis e Paulo Rangel, desafiando uma interpretação anacrónica de uma lei que só agora parece que vai ser revista (e falta saber como). Por isso fomos incómodos quando foi necessário ser incómodo, sem olhar a cores políticas ou interesses económicos.

Somos por fim o mesmo Observador porque assumimos um ponto de vista, com transparência, no nosso Estatuto Editorial, sem hipocrisia e na linha da melhor tradição da grande imprensa – aquela que consegue ter uma opinião clara e que nunca deixa de olhar para os factos como eles são. As nossas colunas de opinião tornaram-se quase intrusas num ambiente demasiado monocórdico, para não dizer claustrofóbico. Tivemos mesmo a ousadia de abrir um debate sobre a Constituição da República ao qual chamámos uma nova geração de académicos.

Mas somos um Observador diferente porque crescemos. Temos hoje uma equipa mais forte e alargada. Abrimos novas secções, como a dedicada ao LifeStyle, criámos novos produtos (como os Podcast, os quizz, os concertos na redação), e fazemos uma utilização mais alargada do vídeo e da imagem, mais uso da interatividade. Estamos a alargar progressivamente a cobertura, com marca de identidade, a cobertura da cultura, dos livros ao cinema, passando pelas polémicas intelectuais que vão marcando o nosso tempo.

Quando nascemos, muitos se mostravam céticos – descrendo do projeto ou pretendendo colá-lo a interesses estranhos ao jornalismo. Não lhes levamos a mal, nunca levámos. Sabemos que hoje muitos estão a seguir alguns dos nossos passos, o que só aplaudimos: a concorrência é o que puxa por nós, é o que permite depois oferecer o melhor às pessoas. Sabemos que há sempre novas ideias para testar e, por aqui, continuamos a pensar na próxima ideia, sempre a pensar em quem nos lê.

Sem alardes, sem grandes campanhas de publicidade, mas com notícias, reportagens, análise e um olhar jornalístico diferentes, tornarmo-nos uma referência diária incontornável e conquistámos um lugar na primeira divisão dos sites portugueses de informação generalista. Ganhámos muitos prémios e lutaremos por ganhar mais. Construímos, mais do que tudo, uma comunidade que se identifica com o Observador e que antes achava que não fazia falta mais um, ou que se sentia órfã e desinteressada. Mais: foram os nossos leitores e a sua adesão que fizeram do Observador o que ele é, que o ajudaram a impor-se. Neste ponto, sem falsas modéstias (perdoem-nos, hoje é aniversário), acreditamos que já ganhámos: fazia mesmo falta. E ajudou a melhorar alguns outros.

Entramos assim no segundo ano do Observador: não só cheios de projetos e ambição, mas também com a convicção firme que ajudámos a tornar o espaço público mais plural e mais aberto. Que valemos não só pelo que já conseguimos, mas também pelo que entretanto mudou à nossa volta.

Podem, pois, contar connosco. Com a firmeza dos nossos acionistas, com o entusiasmo desta maravilhosa equipa, com o nosso olhar crítico, cada vez mais escrutinador. E com a nossa habitual preocupação de informar com rigor e independência e, ao mesmo tempo, explicar e ajudar a pensar. É essa a nossa missão. Obrigado por aqui vir. Volte sempre.

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Vasco Pulido Valente

Vasco Pulido Valente

Por razões pessoais, Vasco Pulido Valente não escreve esta semana. Regressa em breve ao Observador.

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Vasco Pulido Valente

Vasco Pulido Valente não escreveu esta semana o seu habitual diário por se encontrar indisponível por razões pessoais. A sua coluna deverá estar de regresso na próxima semana.