Parlamento Europeu

Bloguer saudita Raif Badawi vence Prémio Sakharov

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O Parlamento Europeu decidiu entregar o prémio que distingue anualmente a liberdade de pensamento ao criador da página Free Saudi Liberals na Internet, dedicada ao debate político e religioso.

Ativista da Amnistia Internacional protesta contra a sentença aplicada ao saudita por "insultar o Islão"

AFP/Getty Images

O Parlamento Europeu (PE) anunciou esta quinta-feira, em Estrasburgo, que o vencedor do Prémio Sakharov 2015 é o saudita Raif Badawi. O galardão distingue anualmente a liberdade de pensamento. A oposição democrática na Venezuela e o opositor russo Boris Nemtsov, a título póstumo, eram os outros dois finalistas.

Raif Badawi é o criador do site Free Saudi Liberals. As autoridades da Arábia Saudita consideraram que na página havia conteúdos críticos em relação a altas personalidades religiosas e acusaram Raif Badawi de ter insinuado que a Universidade Islâmica Imã Muhammad ibn Saud se transformou num covil de terroristas.

O escritor e ativista foi detido em 2012. Em 2013, foi declarado culpado e condenado a sete anos de prisão e 600 chicotadas, tendo a sua pena sido revista em 2014, passando a 1 000 chicotadas, dez anos de prisão e uma multa. Encontra-se atualmente a cumprir a pena na Arábia Saudita.

Ao anunciar a decisão da Conferência de Presidentes em plenário, o presidente do PE, Martin Schulz, disse: “Badawi é um homem muito corajoso, exemplar, a meu ver. Foi alvo de uma das maiores torturas. Já solicitei ao Rei da Arábia Saudita a sua libertação imediata“.

Em comunicado enviado pelo PE, Schulz considera que “esta é uma violação patente dos direitos humanos, que foram claramente espezinhados” e apela à Arábia Saudita para pôr termo à pena de Raif Badawi, para que possa estar em Estrasburgo em dezembro “para receber o prémio”, concluiu.

O bloguer recebe um valor pecuniário de 50 mil euros. Em 2014, o Parlamento Europeu decidiu distinguir o ginecologista congolês Denis Mukwege, especializado no tratamento de mulheres vítimas de violência em África. Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988. Em 1999, o galardão foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste).

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