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Passos Coelho admite voltar ao governo sem eleições antecipadas

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Não quer eleições a qualquer custo, e garante que há soluções no atual quadro parlamentar caso o acordo entre as "esquerdas populistas" venha a falhar. Nessa altura, estará tudo nas mãos de Marcelo.

AFP/Getty Images

Pedro Passos Coelho está preparado para voltar a ser governo caso o acordo do PS com as esquerdas “populistas” venha a romper-se, garantindo que há soluções governativas no atual quadro parlamentar para colmatar esse impasse – se e quando ele surgir. Recusando-se a “antecipar cenários”, o presidente do PSD afirma que o “esgotamento” do atual Governo não tem de ser sinónimo de eleições antecipadas. A ideia consta da moção global de estratégia que o líder (e candidato a líder) dos sociais-democratas vai apresentar ao congresso de abril, e que foi entregue esta terça-feira na sede na São Caetano à Lapa.

Segundo Passos, existem “mecanismos no quadro constitucional” para avaliar quais serão as melhores “soluções” em caso de “esgotamento” do Governo PS. É o caso do derrube do Governo no Parlamento, através de moção de censura, e do caso de intervenção direta do Presidente da República que, perante uma crise política, pode optar por dissolver a Assembleia. Mas, lá está, Passos recusa-se a antecipar cenários, muito menos sobre o que fará o Presidente eleito nessa eventualidade.

Sobre isso, apenas um apontamento: “Por acaso o Presidente que foi eleito também não aceitou especular sobre essa questão, o que prova que estamos sintonizados”, disse em resposta às questões dos jornalistas.

Não perderemos tempo com detalhes de qualquer cenarização dos termos em que uma tal crise possa vir a emergir nem das respostas a fornecer perante essas eventualidades, sendo certo que existem mecanismos no quadro constitucional que permitirão aos partidos políticos com responsabilidades parlamentares e ao Senhor Presidente da República avaliarem as melhores soluções a adotar em face das circunstâncias concretas”, lê-se na moção.

A moção, intitulada “Compromisso Reformista”, deixa claro que “o PSD não deixará de estar sempre preparado para reassumir responsabilidades de governo, se a isso vier a conduzir o esgotamento da solução de governo protagonizada pelo Partido Socialista”.

Certo é que Passos Coelho se recusa a “antecipar cenários” de uma crise que não sabe se vai existir daqui a dois ou daqui a quatro anos, ou se vai sequer existir. “Não vou especular sobre cenários de crise, não vou mesmo”, disse perante a insistência dos jornalistas sobre o que fará em caso de rutura à esquerda. O ponto prévio, segundo Passos, é que “compete a este Governo governar” e “compete a esta maioria de esquerda garantir as condições de estabilidade”. E o líder do PSD garante que não estará sentado à espera que o Governo falhe.

Havendo ou não crise política, o PSD de Passos Coelho não se vai bater por eleições antecipadas a qualquer custo, garante. “Não é por estar hoje na oposição que o PSD passará a defender o permanente recurso a eleições antecipadas ou a instabilidade política como método de afirmação política”, lê-se moção divulgada esta terça-feira, onde o ex-primeiro-ministro defende qual a sua visão para o partido e para o país numa altura em que se prepara para ser reconduzido para mais dois anos à frente do PSD.

PSD e CDS, cada um por si

O tema das futuras alianças, ou não, com o CDS não consta da moção de estratégia de Passos Coelho mas, questionado pelos jornalistas sobre o assunto, Passos mostrou-se convergente com a posição que tem sido reiterada por Assunção Cristas: cada um por si, juntos no final, se for preciso.

“Estou muito de acordo com o que tem dito Assunção Cristas, somos partidos diferentes, com relacionamento muito bom e próximo, mas precisamos ambos de espaço para crescer”, disse, sublinhando que se o centro-direita quer voltar a ser “alternativa de Governo” então para isso os dois partidos têm de crescer. “Desejo sorte a Assunção Cristas e espero que eu também possa crescer”, disse. Depois logo se vê qual a matemática que será preciso fazer.

Mais do que uma candidatura interna para a liderança do partido, é uma candidatura a primeiro-ministro, admitiu o próprio durante a apresentação do documento aos jornalistas, onde sublinhou que a recandidatura é para “dois anos”. O que quer dizer que só se “houver alguma coisa”, leia-se alguma crise política, durante este período é que Passos garante estar lá para se chegar à frente. E daqui a quatro anos? “Isso já não sei. Não tenho a mania de ser um sempre em pé. Não é porque fui primeiro-ministro que tenho a mania que tenho de ser primeiro-ministro de qualquer maneira”, limitou-se a dizer, recusando-se a antecipar uma segunda recandidatura.

O prazo para a entrega das moções globais de estratégia terminava esta sexta-feira. Durante a entrega do documento e das assinaturas ao presidente do Conselho de Jurisdição, João Calvão da Silva ainda brincou com o facto de Passos Coelho ser o único candidato à liderança. “Vamos ver se não aparece por aí o “homem x”, disse. Não apareceu. O prazo para a entrega das moções terminou às 18h, sem mais “homens” à vista.

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