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Economia

“A austeridade foi um fracasso para Portugal”, diz o Nobel Joseph Stiglitz

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A austeridade fiscal foi um fracasso para a economia portuguesa, disse o Nobel da Economia. A baixa perspetiva de crescimento da economia portuguesa é uma "calmaria antes da tempestade".

Ernesto Arias/EPA

Autor
  • Ag√™ncia Lusa

A austeridade fiscal foi um fracasso para a economia portuguesa, disse neste domingo √† Lusa o Nobel da Economia Joseph Stiglitz ao comentar que a baixa perspetiva de crescimento da economia portuguesa este ano evidencia uma “calmaria antes da tempestade”.

“A austeridade foi um fracasso para Portugal, como tamb√©m representou para todos os outros pa√≠ses em que se tentou esta mesma pol√≠tica”, criticou o economista norte-americano ap√≥s participar do F√≥rum Fiscal que discutiu o sistema tribut√°rio internacional na sede do Fundo Monet√°rio Internacional (FMI), em Washington.

O painel ocorreu nos Encontros de Primavera das institui√ß√Ķes de Bretton Woods, nomeadamente Banco Mundial e FMI, que termina hoje. Na opini√£o do Nobel, o fracasso refletiu-se nas elei√ß√Ķes, quando 62% da popula√ß√£o apoiou pol√≠ticas anti-austeridade.

“Portugal n√£o tem mais este programa e a situa√ß√£o (econ√≥mica) estabilizou-se, porque Draghi [Mario], presidente do Banco Centra Europeu (BCE), puxou para baixo a taxa de juros. Mas se olharmos para os indicadores macroecon√≥micos como a d√≠vida p√ļblica, eles est√£o pior agora do que antes”, comentou.

Stiglitz mostrou-se cético quanto aos sinais de recuperação económica da zona euro. O Banco Central Europeu afirmou no início de abril que Portugal já apresentava visíveis indícios de recuperação e que a economia portuguesa está a crescer ao mesmo ritmo da zona euro.

“Penso que, n√£o apenas para Portugal, mas para toda a zona do euro em geral, este √© provavelmente um per√≠odo de calmaria antes da chegada da tempestade. N√£o acredito que os problemas da zona do euro tenham sido resolvidos”, analisou. E concluiu que os choques que ainda decorrem do programa grego s√£o “ilustrativos” de que a ajuda financeira externa “tida como uma solu√ß√£o”, acabou n√£o resolvendo.

“A quest√£o agora √© se a zona do euro ser√° capaz de mudar as suas pol√≠ticas. Se n√£o conseguir mudar, a recupera√ß√£o econ√≥mica de Portugal levar√° bastante tempo, poderia ser at√© uma d√©cada”, anunciou Stiglitz que atualmente √© professor de economia, administra√ß√£o de empresas e neg√≥cios internacionais na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

A 6 de abril de 2011 o ent√£o ministro das Finan√ßas, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou que Portugal precisava de ajuda externa. Cinco anos depois do pedido de resgate financeiro e quase dois anos ap√≥s a sua conclus√£o, os n√ļmeros indicam que a situa√ß√£o financeira e econ√≥mica do pa√≠s melhorou em alguns indicadores, mas ainda n√£o cumpre os par√Ęmetros de refer√™ncia de Bruxelas.

Portugal continua com um d√©fice or√ßamental acima do limite definido pelas regras europeias, com uma d√≠vida p√ļblica superior a 120% e com o desemprego acima de 10%. J√° a d√≠vida p√ļblica aumentou dos 111,4% do PIB em 2011 para os 128,8% no final do ano passado.

O FMI assinala que a Portugal apresenta um crescimento “modesto” e estima que a economia portuguesa v√° abrandar este ano e em 2017. O PIB deve crescer 1,4% este ano e 1,3% em 2017.

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Jo√£o Marques de Almeida
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Os ‚Äúnovos aristocratas‚ÄĚ acham que t√™m privil√©gios especiais. Passam a vida inteira a viajar, mas nunca s√£o turistas. As massas da classe m√©dia viajam pouco, mas se o fazem s√£o logo turistas detestados