O rapaz de 18 anos que estava acusado de assassinar um adolescente de 14 anos em Salvaterra de Magos, em maio de 2015, foi condenado esta sexta-feira a 17 anos e seis meses de prisão efetiva. O Tribunal de Santarém deu como provados os crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.
O Ministério Público (MP) pedia uma pena de prisão efetiva nunca inferior a 17 anos. O MP pedia uma “censura penal exemplar” por parte do coletivo de juízes, considerando que o arguido, atualmente com 18 anos, não deveria beneficiar do regime de proteção especial para jovens, o que o tribunal também entendeu.
Em maio do ano passado, Daniel Neves, à data com 17 anos, matou Filipe Costa, com 14, com um tubo metálico. Depois, atirou o corpo para a cave de um prédio de Salvaterra de Magos, onde ambos viviam. Detido poucos dias depois do crime, Daniel confessou logo ao fim do primeiro interrogatório, mas foi contando versões diferentes do sucedido ao longo do tempo.
Segundo a acusação, Daniel agiu assim por querer ficar com alguns objetos pessoais de Filipe: roupa, ténis e um telemóvel. Foi sempre o único suspeito do homicídio. O julgamento iniciou-se a 4 de abril e terminou esta sexta-feira.
A mãe da vítima está inconformada com a decisão judicial e pede pelo menos 20 anos de prisão para Daniel Neves. “Vou recorrer”, disse aos jornalistas em Santarém. “Se da próxima vez que eu recorrer o Daniel não apanhar 20 anos de cadeia, eu não saio das escadas deste tribunal. Prefiro morrer à fome”, acrescentou.