Terrorismo

Estado Islâmico: 44 mortos após duas explosões em igrejas no Egito

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As explosões deste domingo de Ramos em duas igrejas coptas no Egito provocaram já 44 mortos. Estado Islâmico reivindicou duplo atentado. Declarado em estado de emergência por três meses.

Uma explosão numa igreja copta na cidade egípcia de Tanta, a 90 quilómetros a sul do Cairo, matou pelo menos 25 pessoas e feriu outras 69. A explosão acontece numa altura em que vários fiéis se deslocaram à igreja de Mar Girgis para assinalar do Domingo de Ramos. Horas depois, um bombista suicida fez-se explodir perto da igreja de São Marcos em Alexandria.

De acordo coma agência Reuters, o balanço mais recente do duplo atentado aponta para 44 mortos e mais de 100 feridos. O papa da igreja copta do Egito, Tawadros II, estava no local mas foi já confirmado que está bem e fora de perigo. Estes ataques a igrejas cristãs no domingo de Ramos, que antecede a celebração da Páscoa, acontecem poucas semanas antes de uma anunciada visita do Papa ao país,

O auto-proclamado Estado Islâmico reivindicou entretanto a autoria dos ataques. Num comunicado, a organização afirma que dois militantes usaram coletes armadilhados para provocar as explosões nas igrejas egípcias, tendo identificado os bombistas como Abu Al-Baraa Al Masri, responsável pelo atentado de Alexandria, e como Abu Ishaaq Al-Masri, que fez explodir a igreja de Tanta, nos arredores da capital.

Já foram entretanto divulgadas imagens de um vídeo de vigilância que mostram a explosão e os momentos que antecederam.

Uma das vítimas mortais da explosão em Alexandria foi o polícia que impediu o suicida de entrar na igreja onde centenas de pessoas estavam reunidas, um dado revelado pelo jornal Egypt Independent.

Sobre a primeira explosão, em Tanta, o porta voz do Ministério do Interior do Egito, Tarek Atiya, disse à agência France Press que o rebentamento aconteceu perto do altar. E o governador daquela província, Ahmad Deif, citado pelo Nile News, afirmou que “ou a bomba foi colocada no local ou alguém se fez explodir”.

De acordo com a agência noticiosa estatal egípcia, MENA, o engenho explosivo foi colocado na igreja antes da cerimónia do Domingo de Ramos. Em ambas as cidades continuam as buscas por outros engenhos explosivos.

O primeiro-ministro egípcio, Sherif Ismail, reagiu logo após o primeiro dos atentados. “Condenamos o ataque terrorista na igreja de Mar Girgis e prometemos que o nosso Estado vai destruir o terrorismo a partir das suas raízes”, disse esta manhã.

Segundo informação partilhada por alguns jornalistas egípcios, houve distúrbios no local entre civis e polícias.

O número das vítimas tem sido atualizado pelo ministério da Saúde egípcio. O ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio deixou uma mensagem de repúdio ao atentado no Twitter: “O terrorismo volta a atingir o Egito, desta vez no Domingo de Ramos. Mais um uma tentativa repugnante mas falhada contra todos os egípcios”.

As autoridades tomaram o incidente como um atentado terrorista desde muito cedo. Em dezembro de 2016, os cristãos coptas foram alvo de um atentado — reivindicado pelo Estado Islâmico — numa igreja no Cairo, num ataque bombista que matou 29 pessoas. Os cristãos coptas compõem aproximadamente 15% da população do Egito.

“Deus converta o coração das pessoas que semeiam o terror”

O papa Francisco, que tem uma visita agendada àquele país nos dias 28 e 29 de abril, também já condenou hoje o ataque e pediu que “[Deus] converta o coração das pessoas que semeiam o terror, a violência e a morte”.

O papa também expressou as suas condolências às famílias das vítimas, aos feridos e aos egípcios, assegurando-lhes que estão nas suas orações, momentos antes de rezar o Angelus na praça de São Pedro, no Vaticano.

Francisco presidiu este domingo a celebração litúrgica tradicional do Domingo de Ramos, dando início aos ritos da Semana Santa. Os cristãos copta são cerca de 10% da população do Egito e frequentemente são alvo de ataques por parte dos extremistas islâmicos.

Portugal condena ataques

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, condenou hoje os ataques à bomba em duas igrejas cristãs coptas no Egito, que resultaram em mais de 30 mortos e dezenas de feridos.

“Em meu nome e do governo português, condeno aqui os ataques no Egito e expresso o nosso profundo pesar pelas vítimas”, escreveu António Costa na sua conta no Twitter.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu também que “o Governo Português condena firmemente os atentados que hoje causaram a morte a mais de 20 pessoas e feriram pelo menos 70 que se encontravam reunidas para celebrar o Domingo de Ramos nas igrejas coptas de Mar Gigis, em Tanta, e de São Marcos, em Alexandria, no Egito”.

O Presidente da República português enviou também uma mensagem de condolências ao Presidente da República Árabe do Egito, Al-Sisi, no qual condena os “bárbaros ataques” registados hoje em duas igrejas e que causaram mais de 30 mortos.

“Condeno veementemente estes bárbaros ataques bem como todas as manifestações de intolerância religiosa”, refere a mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, divulgada no site da Presidência da República na Internet e enviada ao homólogo egípcio a partir de Cabo Verde, onde está o chefe de Estado português se encontra em visita de Estado.

“Neste momento difícil, quero transmitir a Vossa Excelência, em meu nome e em nome do povo português, toda a solidariedade para com o povo egípcio e, de modo particular, com as famílias das vítimas a quem dirigimos, através de Vossa Excelência, os sentimentos do nosso sentido pesar”, acrescenta o Presidente da República.

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