Estados Unidos da América

Depois dos Estados Unidos, Israel abandona UNESCO

780

Estados Unidos consideram que há uma tendência anti-Israel na organização e decidiram deixar a UNESCO. Mais tarde, Israel também anunciou a saída da agência.

YOAN VALAT/EPA

Os Estados Unidos da América vão abandonar a UNESCO, agência cultural das Nações Unidas avançam as agências Reuters e Associated Press, citando fontes oficiais da administração norte-americana, e confirmada pelo Departamento de Estado em comunicado. Na origem da retirada estão uma série de resoluções aprovadas pela UNESCO que os EUA consideram ser contra os interesses de Israel — que acabou por abandonar a agência mais tarde, avança o jornal francês Libération.

No comunicado de imprensa em que anuncia a decisão, o Departamento de Estado dos EUA informa que notificou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, “da decisão dos EUA de abandonar a organização e procurar estabelecer uma missão de observador permanente na UNESCO”. O governo norte-americano destaca que a decisão “não foi tomada de ânimo leve”, mas que reflete “as preocupações dos EUA” relativamente à necessidade de uma “reforma fundamental na organização” e ao “contínuo viés anti-Israel na UNESCO”.

“Os Estados Unidos indicaram à diretora-geral o seu desejo de manterem relações com a UNESCO como observador não-membro, para contribuírem com as visões, perspetivas e experiência dos EUA em alguns dos importantes assuntos levados a cabo pela organização, incluindo a proteção do património mundial, a defesa da liberdade de imprensa e a promoção da colaboração científica e da educação”, lê-se ainda no comunicado. A decisão tem efeitos a partir de 31 de dezembro. Até lá, o país mantém-se como membro de pleno direito.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, “deu instruções ao ministro dos Negócios Estrangeiros para preparar a saída de Israel da organização, paralelamente aos Estados Unidos”, informou, em comunicado, o gabinete do chefe do Governo de Israel. “A UNESCO tornou-se um teatro do absurdo, onde se deforma a história em vez de a preservar”, refere a mesma nota.

O conflito que levou à retirada do país da UNESCO confirmada esta quinta-feira remonta a 2011, altura em que os EUA cortaram o financiamento à organização depois de esta ter votado uma resolução para incluir a Palestina como membro. Apesar do corte do financiamento, o Departamento de Estado dos EUA manteve o escritório norte-americano a funcionar na sede da UNESCO, em Paris, e procurou uma solução diplomática para o conflito.

Contudo, esta quinta-feira, fontes do governo dos EUA confirmaram às agências que o país irá abandonar a organização. Segundo a AP, a decisão surge numa altura em que a UNESCO está a meio do processo de eleição de um novo diretor, processo que está a ficar marcado pelos problemas financeiros da agência e pelas discórdias sobre se a Palestina deve ou não ser membro da organização.

De acordo com a Reuters, até 2011 os EUA contribuíam com cerca de 80 milhões de dólares para o orçamento da UNESCO, representando cerca de um quinto do orçamento geral da instituição. Mesmo depois do corte de financiamento em 2011, o país continuava com poder de voto na organização e deverá continuar como observador na UNESCO, acrescenta ainda a Reuters.

“A ausência dos Estados Unidos ou de outro país de grande dimensão, com grande poder, é uma perda. Não é apenas uma questão de dinheiro, é uma questão de promover ideais que são vitais para países como os EUA, como a educação e a cultura”, disse à Reuters um diplomata da UNESCO.

Diretora-geral da UNESCO lamenta decisão

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, já reagiu à decisão anunciada pelos EUA, dizendo que lamenta “profundamente a decisão dos EUA de abandonar a UNESCO”. “A universalidade é crítica para a missão da UNESCO de fortalecer a paz e a segurança internacionais”, afirma Bokova, recordando que “em 2011, quando o pagamento das contribuições de membro foi suspensa na 36ª sessão da conferência geral da UNESCO, eu disse que estava convencida de que a UNESCO nunca tinha importado tanto para os EUA, ou os EUA para a UNESCO”.

“Isto ainda é mais verdade hoje, quando o aumento do extremismo violento e do terrorismo exige respostas de longo prazo para a paz e a segurança, para combater o racismo e o antissemitismo, para combater a ignorância e a discriminação”, escreve ainda Bokova, antes de enumerar as áreas de ação da UNESCO. “É por isto que eu lamento a saída dos EUA”, remata Bokova.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jfgomes@observador.pt
Estados Unidos da América

Os pupilos de Gingrich

Diana Soller

Que o percurso de Newt Gingrich nos sirva de lição para que não se cometam erros que se mascaram de vitórias no imediato, mas podem ter consequências importantes no médio-longo prazo.

Catalunha

Não é independente quem quer

Jorge Pereira da Silva

No actual quadro, que Estados poderão reconhecer a Catalunha como um Estado independente? Se excluirmos porventura alguns Estados párias, a resposta é simples: nenhum. Vale a pena perceber porquê.

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site