Orçamento do Estado

Os certos, os esticados e os incorretos. Os números de Costa no debate sobre o Orçamento

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Na abertura do debate sobre o Orçamento, António Costa reclamou vitórias e fez promessas. Para isso recorreu a números: certos, esticados, incorretos... até em alguns que o poderiam beneficiar.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

António Costa abriu o debate do Orçamento e, como não podia deixar de ser, aproveitou para reivindicar perante a oposição – e perante o país – os resultados conseguidos durante o atual Governo, falar de promessas e atacar a oposição. Aqui fica um olhar rápido por esses números.

“A confiança dos consumidores encontra-se no valor mais alto de sempre”

Segundo o INE, está perto disso, mas não o é. O máximo da série aconteceu em julho, mas depois caiu em agosto e setembro. Em outubro voltou a subir, mas ainda aquém do que se passava em julho.

“O clima económico atingiu máximos dos últimos 15 anos”

Também aqui agosto estraga as contas, segundo o INE. O indicador de clima económico estabilizou em setembro e outubro, depois de ter diminuído em agosto.

“Mais de 227 mil postos de trabalho líquidos criados desde dezembro de 2015”

Aqui o engano até parece ser contra o primeiro-ministro. De acordo com os dados conhecidos do INE, há atualmente mais 265,2 mil empregos do que havia no final de dezembro de 2015.

“A taxa de desemprego recuou para 8,6%”

O INE confirmou-o há alguns dias, mas os dados ainda são provisórios. Em setembro, o desemprego caiu e este pode ser o valor mais baixo desde abril de 2008.

“A economia regista o maior crescimento desde o início do século”

Desde o ano 2000 que a economia não crescia tanto, isto a confirmar-se que a economia cresce os 2,6% que o Governo está a estimar que se verifiquem este ano.

“Todos os contribuintes terão um alívio no IRS”

Sim, mas… O Governo tem sido hábil nesta matéria. As alterações nos escalões e no mínimo de existência não vão permitir reduções dos impostos nos escalões mais elevados, mas o Governo tem aproveitado o fim programado da sobretaxa de IRS para o final deste mês para a tratar como uma medida do próximo ano. O fim da sobretaxa de IRS estava prevista inicialmente acabar um ano antes.

“Também os pensionistas verão os seus rendimentos aumentados”

Sim, de acordo com a lei. Quando o Governo acabou com o congelamento das pensões (ainda do tempo de Teixeira dos Santos e José Sócrates) permitiu que a fórmula legal passasse a fazer efeito. Este será o primeiro ano em que o crescimento económico é alto o suficiente para dar um aumento acima da inflação aos pensionistas (até cerca de 850 euros de pensão mensal). Uma medida de política, um novo aumento extraordinário, permitirá a alguns – com menos de 630 euros – ter um aumento entre 6 a 10 euros no total do ano.

“O descongelamento de todas as carreiras da administração pública, o que não acontece desde 2010”

O Governo avançou e os partidos pressionaram para que fosse ainda mais rápido. Assim foi, o descongelamento será feito ainda antes de acabar a legislatura. Mas não é para todos. Os professores, por exemplo, ficam de fora. Esta medida, que foi aplicada ainda por Teixeira dos Santos, não chega a cerca de 20% dos trabalhadores, ou seja, mais de 100 mil.

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