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Explicador

O Papa Francisco e a Ordem de Malta. O que se está a passar no Vaticano?

15 Fevereiro 2017293
João Francisco Gomes

Quem está contra o Papa Francisco?

Pergunta 1 de 5

Desde que foi eleito, em 2013, o Papa Francisco tem sido capaz de mudar radicalmente a imagem da Igreja Católica, profundamente manchada por escândalos sucessivos no Vaticano. No entanto, este caráter inovador do Papa — que tem atraído crentes e não crentes — está a garantir-lhe também alguns inimigos, sobretudo na ala mais conservadora da Igreja.

O rosto mais conhecido da oposição ao Papa tem sido o cardeal norte-americano Raymond Burke, antigo arcebispo de Saint Louis, no Missouri, cuja história o Público conta detalhadamente aqui. Criado cardeal em 2008 pelo Papa Bento XVI, Burke esteve durante seis anos à frente do Supremo Tribunal, órgão responsável máximo pela aplicação do direito canónico na Igreja Católica. Em 2014, contudo, foi nomeado pelo Papa Francisco como patrono da Ordem de Malta (que está no centro da polémica mais recente, mas já lá vamos), um cargo essencialmente simbólico.

Franco Origlia/Getty Images

Em outubro de 2014, Raymond Burke foi um dos cardeais que assinaram uma carta aberta ao Papa Francisco a mostrar a sua preocupação com as ideias do Papa relativamente à família. A postura mais aberta do Papa Francisco sobre este tema, abrindo a porta à comunhão dos recasados, ao acolhimento dos divorciados e até, eventualmente, ao casamento homossexual, foi vista como um atentado à doutrina da Igreja.

Mais tarde, já em 2016, a publicação da exortação apostólica Amoris Laetitia deu origem a uma nova carta, assinada por quatro cardeais, incluindo Raymond Burke. No documento, os cardeais mostravam novamente a sua preocupação com as ideias de Francisco e exigiam o esclarecimento de um conjunto de dúvidas sobre a doutrina da Igreja, uma vez que a exortação incluía referências, entre outros temas, à comunhão dos recasados.

O Papa Francisco não respondeu à carta, o que levou Burke a avançar para uma posição mais feroz, ameaçando dar início a um processo de correção do Papa, um mecanismo previsto pela Igreja, mas nunca utilizado pelos conselheiros do Papa. Desde esse momento, a tensão entre os apoiantes de Francisco e os mais conservadores, encabeçados por Burke, tem vindo a crescer.