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A noite foi de farra e o grupo de seis amigos (mais dois, que faltam porque ficaram a dormir) prepara-se para o jogo entre o Atlético e o Real de Madrid. São alemães, têm entre 34 e 42 anos, e compraram a viagem para Lisboa dois meses antes da sua equipa, o Bayern de Munique, ser eliminada. Um bom pretexto para uma viagem entre amigos, como a que tinham feito há dez anos. Para o Euro 2004.

“Na verdade, só eu é que sou verdadeiramente adepto do Bayern de Munique”

A afirmação é de Vitor Raimundo, 38 anos, nascido na Alemanha, mas filho de pais portugueses. É ele que assume o papel de porta-voz do grupo, mesmo que o português lhe falhe.

Além dele, John, Lars, Christian, Vitor e Ümit admitem que alinharam na aventura só para virem a Lisboa. E por que equipa espanhola vão torcer este sábado? Também aqui Vítor está sozinho. Ele vai pelo Real. Os outros pelo Atlético.

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À primeira não conseguem encontrar grandes diferenças entre a Lisboa que encontraram há dez anos e a de agora. Mas depois de trocarem algumas ideias até conseguem enumerar algumas: “há mais prédios degradados e nota-se a crise porque há mais gente a pedir”. Quanto aos preços. “Os hipermercados são muito caros, mas depois os restaurantes e as bebidas são muito baratos”, diz Vitor.

O que encanta John Schmidt, 36 anos, é o preço do táxi. “If you want to ride a taxi, come to Lisbon”, atira em jeito de slogan. E diz que se vivesse em Lisboa, com o “ordenado alemão”, andaria sempre de táxi.

Os oito amigos compraram o bilhete de avião para Faro, a cerca de 150 euros a viagem de ida e volta. No aeroporto alugaram uma carrinha. Três estão alojados num original quarto de um hostel na zona dos Anjos: 200 euros, três pessoas, quatro noites. “A água quente não chega para todos”, diz Lars. Três ficaram em casa de uma familiar e outros dois arrendaram um apartamento na zona de Alfama, a 70 euros euros por noite. As reservas foram todas feitas em fevereiro. “Sabíamos que os preços iam aumentar”.

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O quarto do hostel onde três dos amigos ficaram