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O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, defendeu hoje que se houver margem orçamental para reduzir impostos nos próximos anos, a aposta deve passar por uma redução dos impostos pagos pelos empregadores.

“Nos próximos anos, se queremos que a competitividade aumente, se queremos que os padrões de vida melhorem, temos de pensar muito cuidadosamente como podemos reduzir os impostos. A melhor maneira para o fazer, na minha opinião, é reduzir a carga fiscal contributiva sobre o trabalho. Se tornarmos o trabalho mais barato, se reduzirmos essa carga fiscal contributiva, conseguiremos mais dinheiro no bolso para gastar e o trabalho ficará mais barato para os empregadores”, disse.

O responsável holandês, que falava aos jornalistas à margem do Fórum do Banco Central Europeu sobre política monetária que decorre em Sintra, explicou que durante a conferência, quando defendeu que os impostos sobre o trabalho deviam descer, estava a falar nos impostos pagos pelas empresas, apesar de ainda assim não ser completamente claro.

Se houver diminuição de impostos, o mais inteligente para o holandês é que a margem orçamental para reduzir impostos seja utilizada a cortar essas contribuições, para permitir às empresas criar mais emprego.

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O Governo chegou a propor um corte na TSU, mas tendo como compensação o aumento da contribuição paga à Segurança Social pelos trabalhadores.

Esta foi uma ideia defendida pela ‘troika’, em especial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), enquanto durou o programa de ajustamento. O Governo chegou a propor esse corte, com uma redução na taxa social única (TSU) suportada pelas empresas, mas tendo como compensação o aumento da contribuição paga à Segurança Social pelos trabalhadores. Acabou por deixar cair a proposta depois de fortes manifestações contra a medida, que chegou mesmo a desencadear uma das maiores manifestações nas ruas de Portugal.

O responsável disse que, no caso de Portugal, o Orçamento do Estado está na direção certa, como em outros países da zona euro e que isso pode criar margem orçamental para reduzir impostos. “O meu único pedido é que, se temos margem para reduzir os impostos, vamos fazê-lo de uma forma inteligente, e reduzir os impostos sobre trabalho na zona euro”, terminou.