Água quente, fogão a funcionar, casa aquecida.
Para mais de 1,3 milhões de consumidores, em Portugal Continental, tudo isso é possível graças a um combustível fóssil, o Gás Natural (GN).
Em Portugal todo o Gás Natural que é consumido vem de fora, de outros países.
No Dia Nacional da Energia fomos conhecer os caminhos do Gás Natural.

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O Gás Natural é extraído das jazidas, tratado e para chegar ao destinatário final, fá-lo duas grandes vias: terra e mar. Por terra chega através de um gasoduto que tem origem na Argélia, passa por Marrocos, Estreito de Gibraltar, Tarifa (Espanha), Córdoba, Badajoz e chega a Portugal em Campo Maior. A partir daí, o GN, a alta pressão, entra no gasoduto nacional. Por mar, o GN chega ao Terminal de Sines, mas nesse caso sob a forma líquida (GNL). É transportado por navios chamados metaneiros. A maioria do GNL que chega a Portugal tem origem na Nigéria, mas vem também de países como o Qatar, a Guiné Equatorial ou Trinidad e Tobago.

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O Gás Natural que é transportado pelo gasoduto está no estado gasoso, mas o que chega a Sines vem no estado líquido, o que facilita o transporte, daí a sigla GNL, Gás Natural Liquefeito. Para passar o GN a GNL é necessário junto da produção liquefazer o gás, e para isso, para o passar para o estado líquido é necessário baixar a temperatura dos reservatórios para os 162 graus negativos. Esses reservatórios, são introduzidos em navios (um barco típico tem capacidade para 140 mil metros cúbicos de GNL, mas há maiores. Os que o Qatar usa têm capacidade para 260 mil metros cúbicos). São navios que conseguem atravessar os estreitos, não tendo assim, por exemplo, de contornar África, o que torna a via marítima muito eficiente para o transporte (porque baixa os custos). Um metro cúbico de GNL, quando regaseificado para as condições ambiente equivale a, grosso modo, 600 metros cúbicos de gás natural enquanto gás.

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Devido a possuir um teor de enxofre muito baixo o Gás Natural não cheira a nada. Apenas em casos raros, na origem, poderá ser detectado pelo olfato humano. O que normalmente denominamos por “cheiro a gás” é, na verdade, cheiro a Tetra Hidro Teofeno (THT). Trata-se de um composto à base de enxofre que é adicionado, em quantidades muito reduzidas, quando o GN é passado para as redes de distribuição. A REN (Redes Energéticas Nacionais), responsável pelo transporte, armazenamento e regaseificação do GN em Portugal, é responsável pela adição do THT.

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2010 foi o “ano de ouro” do consumo de Gás Natural em Portugal. Nesse ano foram consumidos 57. 801 GWh (gigawatt hora). A partir daí o consumo decresceu, por factores económicos, a crise, e em 2013 ficou nos 47 892 GWh. Em relação a este ano, 2014, o site da REN tem o dados do primeiro trimestre, 11 517 GWh, número que significa uma redução de 7.7% face ao mesmo período de 2013.

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O terramoto, e consequente tsunami, de 2011 no Japão que causou danos graves na central nuclear de Fukushima ainda tem réplicas. Devido ao acidente, e consequente quebra na produção de energia nuclear, o Japão está a importar grandes quantidades de GNL para produzir energia. Como a necessidade é grande, está a pagar os carregamentos de GNL a preços muito elevados, um carregamento pago a 10/11 dólares a unidade (milhão de BTU), está a ser pago pelo Japão a 15/16, e já chegou a pagar, em situações de mais aperto, quase 20… Esta tentativa de compensar a ausência de produção de energia eléctrica com recurso ao nuclear com a produção de energia eléctrica via centrais de ciclo combinado, ou seja, com gás, está a levar a que o preço de mercado do GNL tenha subido nos últimos tempos.  Isso também se está a reflectir no mix (GNL e GN) português. O GNL representava no mix nacional 55%, e actualmente está em torno dos 25. Ou seja, de todo o gás consumido, actualmente 75% é proveniente do gasoduto e 25% do Terminal de Sines.

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