Um helicóptero militar da Ucrânia foi abatido na manhã desta quinta-feira em Slaviansk, cidade que é atualmente o epicentro da contestação pró-russa ao Governo de Kiev, avança a Associated Press, que diz mesmo que um seu repórter assistiu à queda do aparelho. Morreram 14 militares, entre os quais um general, confirmou o Presidente interino ucraniano, Olexandre Turchinov.

Também esta quinta-feira, o líder dos separatistas pró-russos dessa cidade confirmou que as suas forças detiveram quatro observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), desaparecidos desde segunda-feira.

“Sabemos onde estão, eles estão bem. Dissemos-lhes para que não fossem a lado nenhum por um período de tempo, mas quatro acabaram por não fazer caso e, claro, foram detidos”, disse Viacheslav Ponomariov, o autoproclamado presidente da autarquia de Slaviansk, em declarações à agência Interfax, referindo-se ao grupo que desapareceu a sul de Donetsk.

Ponomaryov disse, porém, que os observadores da OSCE, cidadãos da Estónia, Turquia, Suíça e Dinamarca, poderão ser libertados nas próximas horas.

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“Ninguém os prendeu. Só os retivemos. Quando esclarecermos quem são, onde iam e a que iam, deixá-los-emos partir”, garantiu Ponomaryov, que não descarta a possibilidade de os observadores fazerem parte de uma missão de espionagem a favor das forças ucranianas.

A OSCE informou, na quarta-feira, ter perdido o contacto com uma equipa de sete observadores, nos arredores de Donetsk, leste da Ucrânia, um dia depois de outra equipa, formada por quatro elementos, ter sido detida na mesma região.

Um oficial da OSCE, com sede em Viena, disse que a equipa tinha sido detida num posto de controlo no leste da Ucrânia 40 minutos antes de perderem o contacto.

O presidente da OSCE, o suíço Didier Burkhalter, exigiu, na quarta-feira, “a libertação imediata e sem condições” dos observadores, qualificando a detenção como um “ato de sabotagem dos esforços internacionais para ajudar a Ucrânia a ultrapassar a crise”. Também o recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, prometeu bater-se firmemente contra os “bandidos” e os “assassinos” que têm liderado o levantamento pró-russo no leste.

As regiões de Donetsk e Luhansk declararam a independência na sequência de referendos separatistas a 11 de maio, que não foram reconhecidos pelo Ocidente e pelo Governo provisório da Ucrânia.

Agitação na Geórgia

Entretanto, na região separatista da Geórgia, Abecásia – cuja independência é reconhecida apenas pela Rússia – o Presidente desapareceu na sequência de protestos em Sukhumi, capital do Estado.

Os protestos estão a ser liderados pelo líder da oposição e anterior primeiro-ministro da Abecásia e têm por base a debilidade económica do país. “Nos anos do seu mandato, o Presidente não autorizou ninguém do seu círculo a trabalhar. Tomou a seu cargo as responsabilidades de todos. Isso fez com que o nosso país se tornasse, de facto, num regime autoritário”, disse Raul Khadzhimba.

O Presidente Alexander Ankvab terá alegadamente fugido para a sua terra natal Gudauta, a 40km de Sukhumi, depois de acusar a oposição de tentativa de golpe de estado. A Rússia deverá enviar dois altos funcionários governamentais à zona para monitorizar a situação. A dependência da Rússia é, aliás, tema que divide a oposição. Enquanto algumas correntes pretendem uma integração total na Federação Russa, outras defendem uma dependência crescentemente menor em relação a esse país.