Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Um português de sorriso rasgado e voz grave. Um tradutor que duplicava ou triplicava as palavras do selecionador grego e uma explicação para o fracasso de 2004 — Portugal perdeu a final do Campeonato da Europa com a Grécia. Eis a conferência de imprensa de Fernando Santos, um português com obra feita na Grécia.

Entre palavras cordiais sobre a seleção portuguesa e o desejo de que jogadores como Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe pudessem jogar amanhã no Jamor, Fernando Santos afinou quando um jornalista perguntou por que razão Portugal não consegue vencer a Grécia, “uma seleção que não é do top”.

“Não sei se podes considerar assim, ‘uma equipa que não é de top’, quando nos últimos dez anos esteve entre o oitavo e 12.º lugares no ranking; e que quer estar no grupo dos últimos oito. Se calhar o erro está aí. Foi isso que aconteceu em 2004: ‘a Grécia coitadinha’. Espero que continuem a pensar assim”, afirmou o treinador português.

E continuou: “Obviamente que o Paulo [Bento] não pensa assim, seguramente. Em 44 jogos só tive quatro derrotas. Obviamente que a Grécia tem de ser no mínimo respeitada e será uma equipa díficil de vencer. O favorito é Portugal, isso tudo bem, mas não quer dizer que a Grécia não tenha condições para contrariar isso.”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O objetivo no Mundial, assegura, é ultrapassar o Grupo C, onde estão inseridos Colômbia, Costa do Marfim e Japão. Depois resta sonhar.

“[Esta] é seguramente uma Grécia diferente. Restam dois jogadores dessa equipa de 2004 — Karagounis e Katsouranis. É uma equipa diferente. A filosofia de jogo é diferente da do passado, mas têm muitas coisas em comum. Quando alcanças um feito como em 2004, não dar valor ao que foi feito seria um erro tremendo”, explicou.

O Campeonato do Mundo no Brasil será a última grande competição de Fernando Santos como selecionador helénico, mas sairá satisfeito com o seu legado. “Tinha dois objetivos quando aceitei ser selecionador grego: continuar a trajetória da Grécia dos últimos anos e deixar uma marca no futebol grego em termos de organização. Queria deixar a minha marca. Fiz isso desde que cá cheguei em 2001 (AEK). Ela está lá, ninguém a pode tirar. Ao nível da Federação, o futebol grego está diferente. Agora há uma seleção sub-15 e um campeonato sub-regional pela primeira vez”, contou.

Portugal-Grécia está marcado para amanhã às 19h30, no Estádio do Jamor, em Lisboa.