A presidente do PS recusou esta manhã a pretensão de António Costa de realização um congresso extraordinário e eleições diretas. Na reunião que está a acontecer em Ermesinde, Maria de Belém impediu a discussão sobre eleições diretas baseando-se no parecer do conselho de jurisdição e depois, mais tarde, pediu a votação por unanimidade dos presentes para a votação política sobre o congresso extraordinário. Das duas vezes houve um voto contra, furando assim a unanimidade pedida. As pretensões de António Costa ficam pelo caminho nesta comissão nacional que assim só vai discutir a realização de eleições nas federações distritais do partido.

Maria de Belém indeferiu a proposta para realização do congresso extraordinário eletivo, baseando-se no parecer do conselho de jurisdição, e colocou à votação a possibilidade de ser discutido o congresso apenas politicamente. Além disso, no início da reunião, sabe o Observador, houve uma votação para que fosse incluída a discussão da ordem de trabalhos do congresso extraordinário (pedido por Costa), na agenda da comissão nacional.  As duas foram chumbadas por um voto contra, apurou o Observador junto de várias fontes presentes na reunião. A presidente do partido tinha pedido unanimidade.

Depois de ver chumbada por Maria de Belém a proposta para a realização do congresso extraordinário sem sequer ser debatido, António Costa defendeu que a convocatória da comissão nacional tinha a referência ao congresso extraordinário e que isso bastaria para que a comissão nacional decidisse e deliberasse sobre a ordem de trabalhos.

Esta recusa de Maria de Belém faz com que a comissão nacional apenas vá discutir a realização das eleições nas federações distritais.

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O que vai acontecer?

A reunião da comissão nacional de hoje servia para discutir as propostas de António Costa para a realização do congresso extraordinário de carater eletivo. Mas antes, Maria de Belém tinha pedido um parecer ao conselho de jurisdição, que disse que esta proposta violava os estatutos do partido, uma vez que não era possível eleger um secretário-geral num congresso extraordinário dado que Seguro não se demitiu.

Foi com base neste parecer que Maria de Belém justificou o indeferimento da proposta logo no início da reunião.

Para que o partido discuta a liderança do partido era necessário que a comissão nacional aprovasse a proposta por maioria. Acontece que com esta decisão de Maria de Belém, não há sequer discussão. Para que o congresso extraordinário e eleições diretas possam ser realizadas, há uma última via: maioria das federações distritais que representem a maioria dos militantes. Até ao momento, António Costa, já conseguiu a aprovação desta intenção em sete federações distritais, para conseguir a maioria precisa de pelo menos onze. É a última via para forçar a discussão da liderança do partido.

Primárias em discussão

As eleições primárias para a escolha do candidato do partido a primeiro-ministro é a única solução que foi aprovada. As eleições primárias vão realizar-se a 28 de setembro. E o partido reúne-se em comissão política na próxima semana para discutir o regulamento para estas eleições. Os apoiantes do autarca de Lisboa já apresentaram uma proposta de regulamento e queriam que estas eleições se realizassem quinze dias antes, a 14 de setembro.

Além disso, o autarca de Lisboa propôs os nomes do ex-ministro Jorge Coelho e do ex-comissário europeu António Vitorino para fiscalizarem estas eleições.