O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta terça-feira que os problemas de grupos privados como o Grupo Espírito Santo, com atividades para além da financeira, não cabem na alçada do Estado.

“Julgo que é conhecido, porque já foi dito pelo senhor doutor Ricardo Salgado, que o Grupo Espírito Santo tem problemas que precisam de ver resolvidos, estará a trabalhar nesse sentido, teve ocasião de nos comunicar as ideias que tem quanto à solução desses problemas – mas eu não quero fazer comentários sobre essas questões, porque elas respeitam a um grupo privado que tem os seus interesses legítimos e normais, mas que não cabem na alçada direta nem do Governo nem neste caso do supervisor [financeiro]”, afirmou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, durante uma inauguração de um lar de idosos, no concelho de Sintra.

Antes, o primeiro-ministro referiu que “as questões que respeitam a problemas de capitalização de grupos que também têm uma área financeira, como é o Grupo Espírito Santo, mas que têm muitas outras atividades não respeitam especificamente nem ao Governo nem ao supervisor da área financeira, porque são problemas de natureza não financeira”, acrescentando: “O Grupo Espírito Santo terá com certeza, como outros grupos, os seus problemas para resolver, e o Estado não é chamado a resolver esses problemas. É apenas aquilo que eu posso dizer”.

Pedro Passos Coelho tinha sido questionado sobre a notícia de que o presidente executivo do Grupo Espírito Santo e do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, lhe pedira ajuda do Estado a este grupo privado, como noticiou o Observador na sexta-feira.

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Referindo-se ao Banco Espírito Santo, o primeiro-ministro começou por responder que aceita receber “qualquer presidente de instituição financeira que queira comunicar alguma coisa ao Governo, embora normalmente seja a senhora ministra das Finanças que tem esse encargo e essa competência”.

O primeiro-ministro mencionou depois que “quem faz o acompanhamento do setor financeiro é o supervisor, que é o Banco de Portugal”, e disse não ter informações que o levem a “temer instabilidade no setor financeiro”.

“Nenhum banco tem nesta altura por parte do Governo uma preocupação quanto às suas preocupações de estabilidade – e no caso do Banco Espírito Santo até concluiu agora recentemente um aumento de capital que foi bem-sucedido”, reforçou.

Em seguida, frisou que “as questões que respeitam a problemas de capitalização de grupos que também têm uma área financeira, como é o Grupo Espírito Santo, mas que têm muitas outras atividades não respeitam especificamente nem ao Governo nem ao supervisor da área financeira, porque são problemas de natureza não financeira”.