A guerra no Banco Espírito Santo parece não ter fim à vista, mesmo depois de Ricardo Salgado ter anunciado a sua saída da liderança da instituição. Esta quarta-feira, a administração do BES emitiu um comunicado contrariando assim uma informação dada por José Maria Ricciardi, presidente do BESI, que, na sexta-feira passada, tinha dito – também em comunicado – que estava a preparar “uma parceria internacional que passará por um aumento de capital de significativa envergadura”, pode ler-se no Económico.

Na sequência desta batalha de comunicados, o jornal diz mesmo que o BES está já a considerar a substituição de Ricciardi à frente do BESI por Francisco Cary ou Ricardo Abecassis, respetivamente diretor não-executivo da instituição e o presidente do BESI Brasil. Ricciardi, entretanto, reagiu, dizendo que “ainda não foi formalmente apresentado às entidades reguladoras e à comissão executiva do Banco Espírito Santo os termos e condições do aumento de capital do BES Investimento, dado estarem em curso os atos preparatórios para alcançar esse fim”.

O facto de o BES realçar que “detém 100% do capital” do banco de investimento tem particular importância, uma vez que cabe à instituição ainda liderada por Salgado decidir os destinos do BESI – e não a Ricciardi, que, com a sua proposta, visava “a separação da banca de investimento da banca comercial”, isto é, maior liberdade face à casa-mãe do banco.

Mercados não estão convencidos

Entretanto, o jornal i fez as contas e chegou à conclusão de que, no espaço de duas semanas, o BES perdeu mais de mil milhões de euros do seu valor, situando-se este atualmente em 4,6 mil milhões de euros. Segundo o matutino, “o mercado não está convencido com a escolha de Amílcar Morais Pires” para a liderança do banco.

Por outro lado, a agência de notação financeira Moody’s divulgou já esta quinta-feira um relatório em que dava conta de ter colocado o Banco Espírito Santo “sob revisão”, não excluindo a possibilidade de corte no rating, noticia o Negócios. O atual rating do banco é o Ba3, ou seja, o terceiro nível do ‘lixo’. A Moody’s justifica a decisão com os “reveses em matéria de corporate governance, evidenciados pelo inesperado anúncio, a 20 de junho de 2014, de uma Assembleia Geral Extraordinária do BES que visa redefinir a estratégia do banco, e que se fará acompanhar por mudanças na estrutura da gestão de topo da instituição”.

Esta manhã, as ações do BES na bolsa de Lisboa começaram a desvalorizar 0,73%, mas estão neste momento (9h20) a negociar já em terreno positivo (0,98%). Na sessão de quarta-feira, as ações do BES tinham valorizado 6,23%.