A instituição do dia nacional do peregrino, a ser celebrado a 13 de outubro, foi esta sexta-feira a votos na Assembleia da República, tendo sido aprovada pela maioria. A votação, no entanto, foi controversa e mereceu quatro votos contra da bancada do PS e 26 abstenções socialistas. PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes também se abstiveram, com os comunistas a apresentarem inclusivamente uma declaração de voto.

Depois de uma votação difícil para a mesa, que teve de repetir a contagem três vezes, os números ficaram claros, mostrando uma divisão no Partido Socialista: 26 deputados abstiveram-se, quatro votaram contra, o que significa que 44 votaram a favor, ao lado do PSD e do CDS.

A proposta foi elaborada em conjunto pelas bancadas do PSD e CDS-PP e foi discutida na quinta-feira em plenário. De acordo com os deputados da maioria, o dia apontado é o dia 13 de outubro por ser um dia já celebrado anualmente por milhares de católicos que se dirigem a Fátima nessa data a pretexto do Milagre do Sol. Para PSD e CDS o “ato de peregrinar” vai para além da condição religiosa e tem “uma dimensão social, cultural e económica que se deve valorizar”.

Isabel Moreira foi uma das deputadas socialistas que votou contra. Na sua página de Facebook, já tinha manifestado a sua insatisfação perante o diploma dos partidos da maioria, lembrando que foram eliminados feriados religiosos, assim como civis, e que, por isso, não faz sentido instaurar agora um da nacional religioso.

“Foram eliminados feriados religiosos. Foi eliminado o feriado da nossa independência. Foi eliminado o feriado de 5 de Outubro, sim, a República. Agora fazer o quê? Instituir o dia do peregrino respeitando, diz-se, o peregrino cristão, judeu, muçulmano… Mas a data é… 13 de outubro. Eu penso que se alguém ligar o canal Parlamento hoje de manhã e der com o plenário ocupado com a hipócrita consagração do dia do peregrino apanha um susto”, escreveu a deputada.