Alberto João Jardim salientou na sexta-feira que o estudo intitulado “O Deve e o Haver das Finanças da Madeira, nos séculos XV a XXI”, tem o objetivo de por fim “à mentira e à mitologia” sobre as contas do arquipélago.

Para o presidente do Governo da Madeira, os 13 volumes (de 10.000 páginas) comprovam que, ao contrário do que comummente é público, a Madeira sempre foi magnânima nos apoios ao Reino e Estado, desde o século XV”.

Por isso, acrescentou, o estudo repõe “a verdade histórica das relações financeiras entre o Estado Português e a Região Autónoma” e “desmonta” a ideia de despesismo.

“A Região não fez isto [estudo] à espera de compensações. A Região tem neste momento acordos financeiros com Lisboa e honrou os seus compromissos com a própria `troika´. O Estado português já não pode honrar alguns deles. Não há uma ideia de pedir dinheiro. A ideia fundamental é: vamos por fim à mentira e à mitologia”, explicou o presidente do Governo Regional, durante a apresentação do documento na Casa da Madeira, em Lisboa.

Na opinião de Alberto João Jardim, foi desenvolvida ao longo dos tempos “uma campanha” para se criar a ideia errada de que o arquipélago vivia à custa do continente, o que se deveu a três razões.

“Não interessava ao regime ser contestado, era culturalmente mal compreendida esta questão da descentralização político/cultural, além da instabilidade política que se vivia e vive no continente. Enquanto na Região, que ia procurando fazer, mas porque era contra os dogmas que a Constituição de 76 introduziu, não convinha que a opinião pública tivesse uma ideia de que a Região estava a trabalhar bem, a fazer o que é possível, e que estão a recuperar o atraso que lhe impuseram durante séculos e séculos”, concretizou o governante.

Alberto João Jardim esclareceu que o estudo, que custou 200 mil euros, teve comparticipação de fundos europeus, tendo a Governo Regional desembolsado “25 a 30 mil euros”.

No entender do presidente do Governo Regional, este estudo vem repor a verdade dos factos.

“Não podemos deixar o país a viver na mentira. Sobretudo quando temos a noção que na Região Autónoma da Madeira estamos também a pagar o preço de políticas com as quais não concordamos e que, na altura em que estávamos a recuperar o atraso, apanhamos com isto em cima de nós, quando houve um grande esforço para compensar o que tinha sido tirado ao arquipélago durante séculos e séculos”, frisou o governante.

Em comunicado anteriormente emitido, o Governo Regional recorda que a Madeira “sempre teve que assegurar, fora do quadro nacional, os meios de financiamento para as despesas de funcionamento das instituições e, inclusive, das obras realizadas”.

“Dados históricos que desmontam a ideia da Madeira ser uma ilha despesista e que provam, pelo contrário, que a Região Autónoma da Madeira foi sempre a ilha do Tesouro para a metrópole’, onde se encontraram os meios para custear despesas sem que se tivesse em conta as reais necessidades dos madeirenses e do desenvolvimento socioeconómico desta Região portuguesa”, conclui a nota.