Como não gostar do Campeonato do Mundo? Aos 87′, Giovani dos Santos era o herói de um país inteiro, logo ele a quem foi roubada a glória depois daqueles dois golos mal anulados contra os Camarões na primeira jornada da fase de grupos. A história até estava do seu lado: o México nunca tinha perdido quando o canhoto marcou (dez vitórias e um empate). Até aos 87′ este texto estava reservado para ele, para a sua caminhada desde que aterrou em Barcelona com apenas 12 anos. O seu golo colocava os aztecas nos “quartos” da Copa do Mundo, algo que só havia acontecido duas vezes: em 1970 e 1986, quando organizou o torneio, curiosamente. Mas Van Gaal não permitiu esta narrativa, não gostou da ideia original do nosso texto e inverteu o destino que se adivinhava: mexeu e ganhou.

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Quem vê este México pode estar tudo menos surpreendido. Em 2005 e 2011 a sua seleção de sub-17 conquistou dois Campeonatos do Mundo. Pelo meio (2007), atingiu as meias-finais do Mundial de sub-20. Em 2009 e 2011 agarraram-se à Gold Cup. Em 2012 os mexicanos voltaram a deixar o seu nome na história ao conquistar os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, contra o Brasil de Neymar e companhia. Oribe Peralta, que até esteve nesta partida contra a Holanda, foi quem resolveu a final com dois golos. Apesar do passado recente, no qual se verificaram quatro treinadores no banco mexicano num curtíssimo espaço de tempo, este desempenho é tudo menos surpreendente.

A Holanda segue em frente para os “oitavos” graças a uma remontada dramática digna de Copa do Mundo. Sneijder deixou-se encantar pelo número 10 que veste e empatou a partida quando faltavam apenas dois minutos para o apito final. O criativo é agora o jogador do seu país mais experiente em Mundiais: 15 jogos. Mais: este foi o seu sexto golo num Mundial, o que o colocou no patamar de Bergkamp, Robben e Rensebrink.

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Quando já tudo se preparava para mais um prolongamento nos oitavos-de-final, tal como sucedeu no Brasil-Chile, eis que surgiu Robben. O extremo do Bayern arrancou pela direita, entrou na área e… deixou-se cair quando sentiu um ligeiro toque de Rafa Marquez. Pedro Proença não hesitou, mas parece forçado. Huntelaar, que havia saltado do banco aos 76′, assumiu e enganou Ochoa, 2-1. A Holanda tornava-se assim na primeira equipa da história a dar a volta ao marcador em três jogos numa edição (sem prolongamentos) — já o havia feito com Espanha e Austrália. Já o México tornava-se o primeiro país a cair na mesma ronda (“oitavos”) em seis Mundiais consecutivos (1994-2014). Que fado…

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A partida foi interessante a nível tático, mas nem por isso gozou de muito entusiasmo, o tal que chegaria no fim. A Holanda voltou a apostar em três centrais e continua talhada para jogar em ataque rápido, algo que o México raramente permitiu. O futebol mexicano foi sendo agitado por Herrera, o jogador do FC Porto, e Guardado, que se vinha a afirmar como o motor deste meio-campo. Atrás estava o salvador Ochoa, o guarda-redes que fez lembrar Gordon Banks na tal super exibição contra o Brasil, e que continuava a encantar na terra do samba.

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Este duelo teve pouca intensidade, talvez pela hora a que foi disputado (13h locais). Tanto uma como a outra equipa já haviam mostrado muito mais andamento e ritmo. Parecia que alguém tinha carregado no botão “slow motion”. Por outro lado, a tática de Van Gaal entope a sua Laranja (não muito) Mecânica. Aliás, só quando dotou a equipa de extremos (Robben à direita e o suplente Depay à esquerda) é que começou a fazer mossa e a empurrar o México para trás. Tanto que já nem conseguiam sair em contra-ataque. Van Gaal ganhou este jogo com as suas mexidas, mas também o ia perdendo porque insistiu em jogar em profundidade contra uma equipa que não dava espaço nas costas da defesa.

A Holanda espera agora o adversário dos “quartos” que sairá do Grécia-Costa Rica, que tem lugar às 21 horas portuguesas.